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15/02/2001
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Sobre mudanças e transformações

Por Armando Pastore Mendes Ribeiro para o RH.com.br

Todo o dia quando levanto, ligo a televisão para assistir ao primeiro jornal do dia, um hábito que, muitas vezes nas minhas viagens, coloca-me em sintonia com os acontecimentos. Ouço os apresentadores e os entrevistados falarem dos fatos e da necessidade das mudanças e transformações que o homem, o país e o mundo estão "sofrendo".

Certo dia, resolvi contar quantas vezes, no período de uma hora, as palavras mudança e transformação seriam mencionadas. Não precisei nem me preocupar com os possíveis sinônimos e palavras correlatas. Foram exatamente vinte e duas vezes, isto é a cada três minutos, aproximadamente, as palavras, no singular e no plural foram mencionadas. Pensei estar diante de um fenômeno raro. Seria possível, só naquele dia; pois estava presente uma autoridade que na sua entrevista, queria dar ares de modernidade ou dar destaque a fatos importantes ocorridos no dia anterior. Achei que era um dia atípico.

Quinze dias depois, escolhi um noticiário noturno e procurei contar novamente, da mesma forma que na primeira vez. O noticiário que durou quarenta e cinco minutos teve a palavra mudança mencionada doze vezes e transformação dita quatorze vezes. Isto é um pouco mais de três minutos para cada menção. Mas, até aí, o caro leitor deve estar perguntando e daí? Se todos os dias estamos nos transformando e mudando, o que tem demais isso tudo? O "xis" da questão é que invariavelmente as palavras mudança e transformação vinham acompanhadas do verbo sofrer. "A transformação que vem sofrendo a economia ..." ,"É necessário que as mudanças sofram...","Os processos de trabalho vem sofrendo mudanças acentuadas nos últimos ...", "As mudanças que somente os seres humanos podem sofrer..." e assim por diante. Ora, o verbo sofrer, segundo os dicionários mais simples significa, suportar, agüentar, padecer. Sofrer significa que temos dor, temos perdas.

Se mudarmos as frases acima pelos sinônimos do verbo sofrer, teríamos algo como :
É necessário que as mudanças padeçam ..., Os processos de trabalho vêm agüentando..., As mudanças que somente os seres humanos suportam... Todas elas com o sentido de que as transformações e as mudanças vêm sempre unidas ao sofrimento, ao padecimento, ao lesivo e a dor.

Ao analisarmos por esse prisma, vamos sempre unir transformação com padecimento e mudança com sofrimento. A transformação que vem padecendo a economia... É necessário que as mudanças sofram um processo de continuidade ???!!! Em outras palavras, os agentes das mudanças devem fazer com que todos padeçam continuamente. Será esse o objetivo das mudanças? As transformações que precisamos, terão que conviver com o padecimento?

Mais uma vez, o leitor deve estar se revirando e perguntando: E daí? O que fazer? Então, eu poderia afirmar: Existe uma outra forma de apresentarmos os objetivos das mudanças e transformações. Ao invés de estarmos diminuindo ou evitando a dor do inédito e do supostamente indesejável, podemos apresentar objetivos que busquem o prazer e a conquista. Ao invés de desejarmos que se mude para o "menos ruim", podemos desejar o sucesso.

Talvez a transformação esteja no rumo da visão. Mudar não é necessariamente um ato de dor e sofrimento, pode ser, e se pensarmos bem, na maioria das vezes é, um ato de descoberta agradável e prazerosa. É preciso abandonar dogmas antigos ou como querem alguns: os paradigmas. Ao invés de levar ao conhecimento e ao desenvolvimento, levam-nos à acomodação e à omissão.

Não se trata de mudar as palavras apenas mas, os seus significados. As raízes devem ser mais profundas. Um exemplo claro é o que falou, recentemente, um candidato a prefeito de uma grande cidade:"Vamos realizar mudanças profundas na nossa administração, mas não se iludam a cidade está falida!!! Vamos precisar de todos para a grande transformação, mas não desanimaremos, embora saibamos que muitos problemas que temos hoje deverão ser enfrentados com coragem e determinação. Tudo faremos para transformar nossa cidade numa cidade melhor, mais humana".

No exemplo, não vai a crítica ao candidato, falava, acredito a verdade, mas levava e levou as pessoas a acreditarem que a mudança seria muito difícil e a transformação exigiria sacrifícios. A preocupação, após cada "mas" era o de alertar sobre dificuldades. Infelizmente, acentuou mais o processo da mudança do que os seus objetivos e os resultados a serem alcançados.

Como seria se o candidato apresentasse com o foco nos objetivos da mudança? Algo assim: "Vamos realizar mudanças profundas na nossa administração e precisaremos da coragem e determinação de todos. Não desanimaremos para alcançarmos, juntos, a grande transformação. Saberemos enfrentar os problemas, a cidade falida e tantos outros que aparecerão. As nossas ações irão transformar nossa cidade numa cidade melhor, mais humana".

Não se trata de deixar de lado as possíveis dores e perdas no processo de mudança, mas de ressaltar os benefícios a serem alcançados. Não se trata de deixar de lado ou de se enganar com as dificuldades, mas não esquecer que em todo o processo existe o aprendizado e o desenvolvimento. O foco tem de ser o lugar onde se quer chegar e não o caminho a percorrer. Desta mesma forma, também, podemos enfrentar o dia-a-dia nas organizações.

Costumamos diminuir o perfume da flor, por prevermos espinhos no caminho do seu crescimento. Salientamos mais o longo tempo pela espera de colher do que o sublime momento da colheita.

Pergunte para alguém que realizou, na sua opinião, uma mudança significativa e que esteja feliz. O que ele fez? Anote os principais pontos da sua trajetória. Verifique como ele se sentia e como se sente agora. Pergunte sobre os problemas e as perdas, como ele resolveu as crises. Que estratégias utilizou? Pergunte o que o motivou a seguir em frente, caso ele diga que foi difícil e doloroso. Retire tudo aquilo que você achou exagerado, muito sentimental, etc. Focalize o ponto principal do relato.

Vá em frente com essa lição. Tire o "Se" e o "Mas" das suas frases. Utilize os verbos de ação que elevem ao invés de diminuir. Seja o centro da mudança. Abandone a idéia de ser uma conseqüência das transformações da sua vida.

Mudar para quê? Mudar, transformar, como um ato que eleve e não diminua. Devemos deixar de procurar erradicar a dor que parece nos perseguir, devemos desejar e alcançar o sucesso que insiste em fugir.

Palavras-chave: | mudança | otimismo | realização |

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