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05/03/2004
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Autoconhecimento: o despertar do poder

Por Renata Oliveira para o RH.com.br

Despertar para os caminhos a seguir através da consciência de quem verdadeiramente somos. Despertar para o mundo, identificando em nós o ponto de partida. Jean-Paul Sartre, existencialista francês, desenvolveu toda sua base de pensamento na crença de que o homem é o único responsável pelo seu destino, a partir de suas escolhas individuais; é a atitude e o comportamento que irão estabelecer a forma de lidar e reagir ao mundo.

É comum vivermos dilemas existenciais por não compreendermos nossa essência e objetivos. A mudança pessoal requer o conhecimento prévio da situação atual, conhecer o patamar em que nos encontramos, em relação aos nossos limites e às dificuldades; esses questionamentos irão nortear toda a gama de possibilidades que temos à frente. Por meio da análise interna de virtudes e defeitos, identificamos claramente quem somos: anseios para a vida pessoal e profissional e a habilidade de sonhar, idealizar e vivenciar.

Ampliamos a autoconsciência ao passarmos por um período de introspecção, explorando nossas vontades e reações aos efeitos que nos cercam, penetrando em nossa realidade íntima e nos permitindo perceber, observar e compreender tudo o que existe dentro e fora de nós. Ao tomarmos consciência dos próprios sentimentos e intenções, vislumbramos o que de fato pode influenciar nosso comportamento, direcionando os esforços apenas para o que efetivamente contribua para atingirmos a meta. Com essa atitude, criamos um ambiente propício à mudança e ao crescimento interno.

Após a sondagem de tudo que desejamos e precisamos mudar em nós, devemos estruturar e colocar em prática as ações para mudança. O sucesso depende do que você faz ou pretende fazer para chegar até o objetivo; deixar ao sabor da vida ou agir, mover, transformar. Compreendemos processos de mudança através de uma forte imagem do "eu ideal" aliada à precisão do "eu real". Daniel Goleman, 2002, ressalta que esse tipo de visualização do futuro pode constituir em uma poderosa ferramenta na identificação das possibilidades reais em nossas vidas.

Atentas para o fato de que os melhores resultados advêm especialmente de pessoas que estejam bem consigo mesmas, as organizações abriram os olhos para a importância do despertar da consciência interna entre os seus colaboradores. Melinda Davis, consultora de Marketing norte-americana, desenvolveu um estudo, iniciado em 1996 (Human Desire Project), demonstrando que, cada vez mais, pessoas preferem ter tranqüilidade e harmonia a bens "tangíveis"; o bem que todos buscam hoje é a paz de espírito.

Incentivos à meditação, do encontrar consigo, por exemplo, já é uma realidade presente em várias empresas, como na Chesf, onde a Superintendência de Tecnologia da Informação foi pioneira investindo em programas de desenvolvimento comportamental com foco no crescimento pessoal e profissional da equipe. Em trabalhos como esses, as pessoas são levadas a mergulharem em si, descobrindo em que podem melhorar nos seus relacionamentos com os clientes internos e externos. São levadas a experienciar situações onde é fundamental que o indivíduo se conheça; saiba sua reação diante dos acontecimentos e, dessa maneira possa agregar maior valor para a empresa. Goleman acrescenta ainda que a autoconsciência, muitas vezes negligenciada na esfera profissional, é o fundamento na administração eficaz dos relacionamentos, especialmente para os líderes: sem reconhecer as próprias emoções, não seremos capazes de gerenciá-las bem, tampouco compreender as emoções dos outros. Profissionais autoconscientes identificam melhor suas necessidades, permitindo a sintonia de interesses quanto às expectativas, aos serviços e às recompensas.

Ampliar a mente, expandir a consciência e mudar. O contato com nosso interior desperta nossa paixão, energia, vontade de viver e vencer. Isso fomenta a mudança, fazendo com que nos concentremos em nosso ideal futuro, preparando as circunstâncias em nossas vidas de tal maneira a estarem apontadas na direção que desejarmos. Cada um de nós, no eu mais profundo, possui todas as ferramentas necessárias para alcançar o sucesso, desde que fixemos metas e trabalhemos paulatinamente para alcançá-las. Molden, 1999, destaca que é intrínseco ao homem o desejo de mudança em algum momento de sua vida a partir da percepção (consciência) de como o meio nos afeta e como reagimos a ele.

A reinvenção de nós mesmos, com foco no crescimento e no alcance dos objetivos, incrementa o nível de satisfação interna e os resultados oferecidos ao meio que estamos inseridos; no relacionamento conosco e com o outro. A autoconsciência proporciona o poder de mudar a nossa realidade, buscando em nós os meios de fazê-lo. Desperte para o poder, gerenciando o próprio destino.

Palavras-chave: | autoconhecimento |

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