Por Maria Inês Felippe para o RH.com.br 
Quem nunca ouviu falar que hoje não basta somente ter conhecimento técnico, mas que também é preciso, entre outros, saber trabalhar em equipe e ter flexibilidade, participação efetiva na busca de resultados, agindo criativamente e inovando processos e métodos organizacionais?
Até agora, no que você leu não há novidade alguma, mas cabe uma informação sobre o processo criativo. Ele poderá ser iniciado individualmente, mas para acontecer é preciso, em alguns casos, um batalhão de pessoas para que essa idéia realmente seja colocada em prática, cada qual utilizando do seu lado do cérebro predominante. Algumas criando, utilizando do lado direito do cérebro, outras fazendo acontecer, utilizando o lado esquerdo do cérebro. Só com os hemisférios bem controlados, uma idéia é colocada em ação. Tenho sempre reforçado nos grupos de treinamento em criatividade que uma idéia sem ação é pura ilusão, porém todos nós sabemos que isso envolve uma série de etapas entre a germinação da idéia até a sua implementação e avaliação da mesma. Mas é preciso ter cuidado, pois alguém poderá estar de olho na sua idéia.
Sabemos também que o processo de interação grupal não é tão fácil, pois exige transformações comportamentais e que, por muitas vezes, vão contradizer sua cultura, educação familiar, situação social, personalidade e seus modelos mentais. Temos que tomar cuidado, pois o brasileiro é competitivo e há algumas empresas que estimulam esta característica.
No que diz respeito à criatividade coletiva, torna-se ainda mais difícil, pois é muito comum escutar nos treinamentos: "Aqui na empresa as coisas funcionam assim, quando nós damos uma sugestão ou criamos algo, sabe o que acontece? As pessoas apoderam-se e depois utilizam a mesma como se fossem delas. É isso mesmo que acontece: há pessoas que tomam emprestada a sua idéia, apoderam-se, transformam e lançam como se fosse delas (tom de desabafo e risos paralelos).
Obviamente que esse cenário não é favorável, por mais que saibamos que uma idéia não nasce perfeita e que exige transformação, mas desconsiderar o criador é cortar o processo criativo pela raiz, além de ser desestimulador é anti-ético.
Algumas sugestões para as empresas incentivarem a criatividade e não recaírem no mesmo erro.
* É fundamental a criação de incentivos a programas de treinamento que tenham como tema: motivação, liderança, times de trabalho, gestão participativa, tomada de decisões, empowerment, criatividade e inovação, soluções criativas de problemas etc.
* Para incentivo da criatividade é fundamental que todos da cadeia criativa sejam reconhecidos, mesmo que a idéia tenha sito transformada e embelezada não devemos esquecer de quem acendeu a primeira chama, ou seja, daquele que deu a idéia inicial. Cabe ressaltar que a criatividade não nasce perfeita e que sempre requer melhorias, mas surgiu de uma necessidade, que alguém detectou e começou o processo criativo. Lembre-se disso.
* Diminuir a competitividade interna, incentivando através de bonificações idéias individuais e coletivas, tanto as sugeridas quanto as colocadas em práticas e medidas por resultados. Reforço: cuidado, o brasileiro é competitivo e está acostumado a trabalhar individualmente, mesmo expressando o oposto.
* Estimule a diversidade, ela é favorável à criatividade. Incentive e reconheça as características pessoais, pois no processo criativo todos são importantes, já que existem muitos cérebros em funcionamento, tanto aqueles que utilizam o direito quanto aqueles que utilizam o esquerdo.
Sugestões para você, pessoa física, que se sente lesada por terem surrupiado a sua idéia.
* Por mais que as pessoas possam demonstrar parceiras, amigas, infelizmente temos que ter cuidado. Tem muita gente funcionando como radar, só captando mensagens, opiniões e na hora da festa não reconhece o real criadoou alega "coincidência cósmica".
* Registre a sua idéia em empresas de marcar e patentes.
* Ao encaminhar projetos para análise, buscar parcerias e adeptos para a idéia, documente-se guardando cópias e envolva também outras pessoas no processo, divulgando o lançamento da sua idéia, por mais que possa parecer simples.
Uma experiência interessante
Outro dia, conversando com o presidente de uma empresa, que estava contratando-me contratando para desenvolver a competência criatividade e inovação entre os seus funcionários, ele me contou como procedeu durante o processo criativo de um dos seus produtos.
Ele, um engenheiro, se reunia com algumas pessoas para compartilhar a sua idéia às 3h da manhã, num sábado, no seu sítio e todos assinaram um documento de confidencialidade. Depois de vários encontros, meses de trabalho e testado o equipamento, ele registrou o produto e somente depois de tudo oficializado, avisou à sua família. Parece uma certa loucura, mas há momentos que sinto que devemos ter todo este cuidado. Hoje ele tem um produto totalmente inovador e líder de mercado.
Nos programas de criatividade, estamos constantemente reforçando os princípios da criatividade coletiva a partir do autodesenvolvimento, despertando o desejo por relações pessoais saudáveis, o que os levará à formação de suas identidades organizacionais e pessoais, favorecendo efetivamente a inovação. Cada vez mais, estou reforçando os cuidados na hora da venda de idéias e do compromisso das pessoas envolvidas.
Outro dia escutei o seguinte argumento: é difícil identificar o que é original, pois tudo é transformado, agregado e modificado. É difícil saber ou perceber quem colocou a primeira pedra na obra.
Será que é bem assim? Será que não podemos perceber quem foi aquele que começou a construção, quem identificou a oportunidade, a necessidade, teve o primeiro insigth e foi buscar adepto à idéia, para que seja colocada em prática? Ou há pessoas se escondendo diante desta pseudo dificuldade ou do conceito de que uma idéia não nasce perfeita?.
Tenham certeza de que se continuarmos achando que é difícil identificar o criador, cada vez mais, teremos pessoas retraídas diante do processo criativo. Falar em criatividade empresarial é falar na busca de resultados, saídas para o desenvolvimento de produtos, processos, partindo do princípio da dialética que é pensar com a cabeça na lua, mas com os pés no chão. O início e o fim da criação envolvem muitas pessoas, mas também devemos mudar os modelos mentais que permeiam toda a organização e o mercado.
Portanto, atrás de uma história de sucesso são encontrados profissionais inventivos, superando obstáculos e que não são poucos, mas saibam vale a pena criar e inovar. Só basta tomar cuidado, pois a sua idéia vale ouro.
Palavras-chave: | criatividade | idéia |
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