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19/03/2004
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Novo perfil de executivo integra todas as áreas da empresa

Dieter Kelber

A alta concorrência do mercado faz com que as empresas tenham de buscar novos modelos de gestão para se manter competitivas e inovadoras. A última tendência nesse sentido é a gestão de processos, que vem transformando-se no coração das grandes organizações por coordenar as ações de todas as suas áreas, desde as vendas até o fornecimento final de produtos e serviços aos clientes e consumidores finais.

Em outras palavras, cabe à gestão de processos fazer com que áreas como compras, logística, atendimento ao cliente, Recursos Humanos, marketing e finanças trabalhem integradas, em colaboração e sintonia, de modo a obter elevados índices de resultados, qualidade de atendimento, baixos custos e alta lucratividade. Ter uma gestão eficiente e eficaz de todos esses processos é ter um coração de alto desempenho livre de riscos de enfarte. Não é à toa, portanto, que essa metodologia esteja sendo, cada vez mais, adotada em países da Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, diversas empresas, muitas vezes subsidiárias de multinacionais, vêm desenvolvendo a gestão de processos, todas com resultados positivos.

E, conforme as organizações vão tomando consciência de que a redução de custos e o aumento da eficiência só será alcançado se a administração hierárquica der lugar à integração das diversas áreas da empresa, começa a ser valorizado um novo perfil e um novo papel executivo, o "Gestor de Processos". A necessidade e o desenvolvimento desse profissional vêm sendo debatida no Fórum Brasileiro de Processos (www.fbp.org.br), movimento que reúne a comunidade da área para a discussão temática da Gestão de Processos aplicada no Brasil. Parece haver um claro indicativo de que a Gestão de Processos não ficará confinada à Tecnologia da Informação, como ocorre em diversas empresas, e sim penetrará em todos os processos empresariais.

Assim, pode-se mencionar que embora algumas das funções desse novo profissional sejam definir e modelar processos, monitorar indicadores, implementar ações preventivas e corretivas, motivar e manter motivada a equipe, ele terá ainda a tarefa de integrar as diversas áreas da empresa por meio de times multidisciplinares e em torno de finalidades específicas. Como, por exemplo, formar uma equipe de profissionais de marketing, vendas e logística visando reduzir problemas e aperfeiçoar o atendimento ao cliente em termos de produtos, agilidade nos pedidos e entrega. Ou seja, o gestor de processos tem a responsabilidade de administrar e criar as condições necessárias para o aumento dos índices de produtividade organizacional, incluindo também o relacionamento com fornecedores e clientes.

Fica claro a necessidade de que a sua forma de trabalho esteja totalmente alinhada ao planejamento estratégico da empresa, garantindo assim uma melhoria contínua. O perfil de gestor de processos exige algumas características essenciais para que ele exerça o seu papel com competência. Entre elas, estão:

- compreender a ligação entre a estratégia empresarial e a cadeia de valor da empresa;
- ter o domínio de metodologias, técnicas e ferramentas para o mapeamento, desenho, melhoria e redesenho dos processos;
- entender a importância das equipes na execução dos processos, de modo a preparar o ambiente para uma gestão de pessoas orientada por competências;
- conhecer a influência da tecnologia e sua adaptação como suporte para a execução de processos;
- visão sobre o impacto da introdução de uma gestão orientada por processos.

A dificuldade de se encontrar esses profissionais é decorrente de ser muito comum que gerentes e empregados não tenham uma visão e um entendimento global da empresa em que trabalham, e do ambiente em que ela opera. Os indivíduos são, muitas vezes, altamente especializados e segmentados em suas áreas específicas, o que torna muito trabalhoso atuar através das fronteiras funcionais.

Numa organização orientada por processos, o papel dos gerentes é bastante modificada e uma nova forma de liderança é requerida. A liderança tradicional é, na maioria das vezes, baseada na emergência de gerentes oriundos das equipes de especialistas, que chegaram a esses postos por promoção, e que, conseqüentemente são muito bem informados sobre a sua área de atuação.

Assim, nessa nova forma de gestão, cada executivo ou gerente, passa a ter uma área de responsabilidade abrangente onde ele não processará no detalhe cada atividade, mas sim necessitará ter uma boa visão geral, uma atitude holística e um estilo de gerência generalista. Ou seja, o domínio das inter-funcionalidades, das interdisciplinaridades e das inter-competências o tornarão, cada vez mais, requisitado.

Ainda não há no mercado um número suficiente de profissionais preparados para esse novo papel executivo nas organizações, o que pode ser visto como uma excelente oportunidade para quem busca novos desafios.

Palavras-chave: | executivo | gestor |

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