Por Lília Barbosa Cozer para o RH.com.br 
Para o empreendedorismo corporativo ser uma realidade, é preciso que o funcionário acredite que é capaz de criar, acredite que a organização em que trabalha irá valorizá-lo pela sua visão e suas ações. Ele precisa acreditar que é muito mais que funcionário, precisa crer que é empreendedor para si e na visão dos gestores.
Grandes empresas perdem grandes profissionais por não terem a sensibilidade de saber com lidar com os empreendedores corporativos: pessoas que têm visão, garra, transformam uma idéia em um produto ou serviço em um piscar de olhos, materializam o que sonham e geralmente sonham em mudar o status quo de onde quer que estejam. São pessoas que amam a liberdade de pensar e agir e se, por acaso, tentam colocá-las numa redoma, elas a quebram, porque não suportam o comando asfixiante dos falsos líderes, que aparentemente os enaltecem, mas na realidade desejam castrá-las para que não os alcancem. Os empreendedores jamais se submetem ao conformismo ou à aparente segurança porque amam os desafios. Eles têm uma crença tão forte em si que nada, nem ninguém consegue frear a busca de realização e criação, seja na empresa ou fora dela.
Descortinamos outro lado igualmente importante ao contexto: a crença dos líderes em seus profissionais. Os gestores também precisam acreditar no poder de transmutação de seus profissionais e, mais do que acreditar, findar com o medo de que os empreendedores corporativos ganhem o seu lugar. E, para esse medo ruir, é preciso que o gestor transforme-se em um empreendedor. Todas as pessoas podem ser empreendedores. A diferença é que alguns têm em seu cerne a mudança. É algo tão natural e espontâneo que impressiona aqueles que o observam. Outros precisam aprender a ser a mudança e, para isso, existe a necessidade de mais esforço, concentração, crença e leveza nos pensamentos. Os caminhos serão diversos, mas o resultado será o mesmo, indubitavelmente.
A maior dificuldade está nas próprias pessoas despertarem para a necessidade de mudança de atitude pessoal diante dos problemas e das oportunidades. Não é fácil conduzir uma mudança pessoal em todos os colaboradores de uma organização porque a mudança pessoal nasce da vontade individual. Por mais que a organização deseje, crie mecanismos e meios de desenvolvê-la, se o funcionário não quiser verdadeiramente, nada acontecerá. Jack Welch disse "estratégias não valem nada se não tivermos boas pessoas". Por isso, se você deseja que sua empresa seja impregnada pelo empreendedorismo comece pelas pessoas, observe-as, avalie-as, dê-lhes liberdade de criação e ação, dê-lhes a oportunidade de sonharem, de apaixonarem-se pelo que fazem. Façam que elas se sintam importantes e realmente comprovem sua importância através do reconhecimento, da prática diária. Para que isso ocorra, é importante considerarmos outro contraponto: a cultura empresarial, que é retratada pelas ações conjuntas de líderes e liderados, pelas políticas proclamadas e efetivas, pelo modelo de gestão desejado e posto em prática, pelos valores existentes. A cultura empresarial é determinante para o nascimento ou morte do empreendedorismo.
O empreendedorismo corporativo é uma realidade para empresas e profissionais arrojados, corajosos que desafiam a aparente estabilidade e as probabilidades do que é certo ou errado, que persistem em suas crenças e acreditam em sua intuição, tendo a ética como norteadora dos seus caminhos. Em contrapartida, será sempre uma utopia para as empresas e os profissionais que não crêem em suas próprias visões, que não dão asas aos seus sonhos e, principalmente que sucumbem ao medo de perder.
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