Por Gislane Syllos para o RH.com.br 
Apesar da afinidade criada pelo convívio próximo entre familiares e funcionários, é difícil preservar dentro da empresa colaboradores altamente capacitados, pois geralmente não há um plano de carreira estabelecido, o que em determinado aspecto torna-se desmotivador para os que pretendem alcançar cargos relevantes dentro da organização. Um processo justo quanto às promoções geralmente choca com a figura da sucessão hereditária, na centralização de decisões do proprietário ou ainda na incapacidade da empresa em pagar salários incompatíveis com seu faturamento e porte. Em qualquer iniciativa tomada pelo empresário em relação aos funcionários, sendo este o próprio gestor de RH dentro da empresa, deve-se levar em consideração o caráter emocional existente que determina por sua vez que nem toda iniciativa é bem vista por parte da maioria, havendo sempre grupos que não acreditam em um benefício desprovido de interesse.
As situações conflituosas acentuam-se quando há familiares trabalhando na organização e existe uma subordinação entre eles, envolvendo sentimentos e valores nem sempre coerentes com cada situação. O setor de Recursos Humanos é encarregado também de árduas tarefas como preparar o sucessor ou gerenciar conflitos diferenciando vínculos afetivos e profissionais. Muitas vezes a profissionalização da empresa ocorre com a entrada de pessoas não ligadas à família para assegurar a perpetuidade da companhia. Mesmo nos casos em que a família é bem-sucedida à frente da gestão, a profissionalização surge como uma alternativa mais segura para a continuidade do crescimento.
O consultor, dentro de uma estrutura familiar, tem como um dos principais desafios a tarefa de "mediador" de decisões, colocando-se entre os familiares numa atitude mais racional, de postura profissional frente a uma decisão importante.
Esta mesma imparcialidade também acontece em relação aos funcionários, por exemplo, em casos de demissão ou contratação. Esta tarefa a cargo do dono da empresa terá outro aspecto quando efetuada por um gestor que não faça parte da família. Nesse sentido, a consultoria tem sido uma alternativa eficaz não apenas em áreas como marketing, finanças ou planejamento estratégico, mas alcançando também grandes resultados nos Recursos Humanos e no gerenciamento de pessoas.
O consultor pode igualmente atuar no treinamento da equipes, entrosamento, definição de metas de integração para a empresa, planejamento, sucessão, definição do organograma e divisão de papéis, entre outros aspectos importantes à gestão empresarial, mas que os membros da empresa não conseguem detectar ou ainda quando o fazem, não possuem tempo ou habilidade para administrar as situações de maneira imparcial e eficaz.
O consultor é comumente contratado num momento de crise e/ou necessidade latente da empresa e o seu papel consiste em instalar um processo de mudança frente aos problemas em busca de soluções, o que pode gerar conflitos pontuais e insatisfações individuais. Cabe a ele a difícil tarefa de diagnosticar as fontes de resistência e desenvolver estratégias para sensibilizar estes gestores.
O papel de uma pessoa sem laços familiares influenciando na gestão de uma Empresa Familiar é fundamental para que medidas e decisões possam ser tomadas sem o envolvimento emocional, contribuindo para a profissionalização da organização. No entanto, a principal mudança ou o grande passo para as organizações familiares rumo à profissionalização da gestão, é a de mentalidade. Sem a percepção por parte de quem toma as decisões na empresa do que é importante para o futuro desta, o auxílio de consultores, assim como as idéias de um funcionário capacitado ou qualquer outro fornecedor de soluções para os problemas da empresa; tudo isso não será bem aproveitado, e muitas idéias, independente da fonte, poderão ter como destino "a gaveta".
* Colaboração para este artigo: Marlos Henrique da Silva
Palavras-chave: | familiar | consultor |
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