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23/05/2005
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O papel do consultor nas PME's familiares

Por Gislane Syllos para o RH.com.br

A criação de um conselho consultivo ou administrativo em empresas familiares de médio e grande porte é, por muitas vezes, a solução eficiente para uma gestão imparcial nestas organizações. No entanto, geralmente, as pequenas empresas não possuem condições financeiras que suportem altos salários para que gestores profissionais façam parte de suas organizações. No caso de empresas familiares, os proprietários acumulam muitas vezes as funções de diretor, gerente, supervisor e até de operador; numa centralização que implica em sobrecarga de trabalho, situação contra-producente e penalizadora no tocante às necessidades reais da empresa, deixando muitas vezes boas idéias sem execução. Com esta dificuldade, é cada vez mais comum a recorrência ao papel do consultor terceirizado na organização, pois ele possui o conhecimento e a experiência para ajudar nas decisões da empresa, sem comprometer o fluxo de caixa.

Apesar da afinidade criada pelo convívio próximo entre familiares e funcionários, é difícil preservar dentro da empresa colaboradores altamente capacitados, pois geralmente não há um plano de carreira estabelecido, o que em determinado aspecto torna-se desmotivador para os que pretendem alcançar cargos relevantes dentro da organização. Um processo justo quanto às promoções geralmente choca com a figura da sucessão hereditária, na centralização de decisões do proprietário ou ainda na incapacidade da empresa em pagar salários incompatíveis com seu faturamento e porte. Em qualquer iniciativa tomada pelo empresário em relação aos funcionários, sendo este o próprio gestor de RH dentro da empresa, deve-se levar em consideração o caráter emocional existente que determina por sua vez que nem toda iniciativa é bem vista por parte da maioria, havendo sempre grupos que não acreditam em um benefício desprovido de interesse.

As situações conflituosas acentuam-se quando há familiares trabalhando na organização e existe uma subordinação entre eles, envolvendo sentimentos e valores nem sempre coerentes com cada situação. O setor de Recursos Humanos é encarregado também de árduas tarefas como preparar o sucessor ou gerenciar conflitos diferenciando vínculos afetivos e profissionais. Muitas vezes a profissionalização da empresa ocorre com a entrada de pessoas não ligadas à família para assegurar a perpetuidade da companhia. Mesmo nos casos em que a família é bem-sucedida à frente da gestão, a profissionalização surge como uma alternativa mais segura para a continuidade do crescimento.

O consultor, dentro de uma estrutura familiar, tem como um dos principais desafios a tarefa de "mediador" de decisões, colocando-se entre os familiares numa atitude mais racional, de postura profissional frente a uma decisão importante.

Esta mesma imparcialidade também acontece em relação aos funcionários, por exemplo, em casos de demissão ou contratação. Esta tarefa a cargo do dono da empresa terá outro aspecto quando efetuada por um gestor que não faça parte da família. Nesse sentido, a consultoria tem sido uma alternativa eficaz não apenas em áreas como marketing, finanças ou planejamento estratégico, mas alcançando também grandes resultados nos Recursos Humanos e no gerenciamento de pessoas.

O consultor pode igualmente atuar no treinamento da equipes, entrosamento, definição de metas de integração para a empresa, planejamento, sucessão, definição do organograma e divisão de papéis, entre outros aspectos importantes à gestão empresarial, mas que os membros da empresa não conseguem detectar ou ainda quando o fazem, não possuem tempo ou habilidade para administrar as situações de maneira imparcial e eficaz.

O consultor é comumente contratado num momento de crise e/ou necessidade latente da empresa e o seu papel consiste em instalar um processo de mudança frente aos problemas em busca de soluções, o que pode gerar conflitos pontuais e insatisfações individuais. Cabe a ele a difícil tarefa de diagnosticar as fontes de resistência e desenvolver estratégias para sensibilizar estes gestores.

O papel de uma pessoa sem laços familiares influenciando na gestão de uma Empresa Familiar é fundamental para que medidas e decisões possam ser tomadas sem o envolvimento emocional, contribuindo para a profissionalização da organização. No entanto, a principal mudança ou o grande passo para as organizações familiares rumo à profissionalização da gestão, é a de mentalidade. Sem a percepção por parte de quem toma as decisões na empresa do que é importante para o futuro desta, o auxílio de consultores, assim como as idéias de um funcionário capacitado ou qualquer outro fornecedor de soluções para os problemas da empresa; tudo isso não será bem aproveitado, e muitas idéias, independente da fonte, poderão ter como destino "a gaveta".

* Colaboração para este artigo: Marlos Henrique da Silva

Palavras-chave: | familiar | consultor |

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