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07/11/2005
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Os obstáculos das transformações organizacionais - Parte I

Por Mônica Petrocelli para o RH.com.br

Conhece-te a ti mesmo é uma proposta que, há milênios, vem sendo apresentada ao homem. Os sábios orientais, os gregos, os grandes filósofos, todos comprovaram de diversas formas a importância do autoconhecimento. Mas o que isso tem a ver com as empresas?

Atualmente a tendência é conhecer os concorrentes e, ao conhecê-los, elabora-se estratégias de altos poderes decisivos, baseadas, muitas vezes, em soluções matemáticas das teorias dos jogos ou dos grandes estrategistas vitoriosos de guerra e, desta forma, garante-se a sobrevivência da empresa. Será que isso é suficiente? De acordo com este pensamento, podemos acreditar que se fosse possível, as empresas contratariam apenas os cérebros de seus funcionários, mas qual seria o resultado disso?

O sentimento colocado no trabalho gera forças que impregnam toda uma equipe e este suplemento energético estimula a crença no trabalho realizado e esta crença é irradiada para o mercado. Será que ainda existem dúvidas sobre isso? As emoções equilibradas à luz da razão têm um poder decisivo sobre nossas vidas, isso será o diferencial que contribuirá para que nossas trajetórias sejam bem-sucedidas ou fracassadas, esta foi a conclusão de Goleman acerca do grande dilema razão x emoção.

Se olharmos de perto, perceberemos que nós mesmos, em vista de uma série de condicionamentos culturais cujos princípios herdamos sem uma reflexão mais cuidadosa, adquirimos a tendência de considerar inteligentes aqueles que possuem certas habilidades técnicas e operacionais, cuja ênfase em casos de indivíduos isolados é dada em função do grau em que esta mesma inteligência é exercida pelo agente que a possui, até o limite em que empregamos a designação de "gênio empresarial".

E, no mesmo passo, o fazemos principalmente com referência a operações que envolvem cálculo. E é também neste sentido (no de cálculo) que empregamos o termo "razão" ou "racionalidade". É com base nestas noções que eram feitos os testes de aptidão intelectiva (Q.I.). Quem neste sentido não possui "inteligência" sofre uma espécie de exclusão por parte do sistema e, no máximo (e a menos que seja forte para provar o contrário), é "convencido" de que deverá seguir um caminho medíocre, ou seja, mediano, normal, não-extraordinário.

Do outro lado, no extremo oposto, colocamos "a sensibilidade", "o emocional", "o sentimental", "o espiritual". Criou-se, então, ao longo dos anos (ou mesmo séculos) a crença na famosa oposição Razão x Paixão. A primeira, prioridade principalmente dos "gênios empresariais" (do cálculo?!!!); a segunda, dos "sentimentais" ou "emotivos", ou talvez "românticos", mas, em todo caso, não-racionais, como se seu caráter apresentasse traços opostos à racionalidade. A conseqüência direta deste pensamento é uma visão fatalista sobre os potenciais do indivíduo, como se pudesse haver um controle definitivo sobre suas possibilidades de realizações.

Para nós, não psicólogos mas seres viventes, como justificar o fato de que algumas das pessoas bem-sucedidas em testes de QI sejam mal-sucedidas em suas vidas profissionais ou emocionais? E que de outra parte, alguns "medíocres" empreendam carreiras brilhantes em diversas áreas? Estes fatos deveriam ser relegados à sorte como inevitáveis exceções ao que, em geral, se observa? Diversas fontes de pesquisa afirmam que as exceções atingem números nada desprezíveis. Se para nós a tese tradicional não soa bem em momentos decisivos de nossas vidas, quando nossas escolhas são feitas tentando evitar conseqüências desastrosas ao longo da vida, saber que há exceções não basta, pois a ciência está sempre pronta para bloquear possibilidades de mudar este quadro.

E, assim, este grande número de exceções desencadeou todo um processo de investigações acerca de nossa estrutura cerebral. Passou-se a ensaiar a admissão de nossa inteligência, não como uma fria capacidade operacional e calculativa, mas como um todo que, para seu sucesso ou fracasso, necessita, na medida do possível, de um perfeito equilíbrio entre as suas partes.

Um mau matemático pode, assim, revelar-se um genial administrador, empresário, músico, pintor etc ou vice-versa um mau administrador revelar-se um grande matemático. Caso não fosse assim, como justificar o fato de o próprio Einstein ter sido reprovado no exame de admissão para a Politécnica Federal da Suíça ou Van Gogh um gigante da pintura ou ainda Ayrton Senna brilhante nas pistas de F1. Teriam sido aprovados em testes de QI? Ou, caso obtivessem altos resultados, ter-se-iam desenvolvido naquilo em que se revelaram "brilhantes"?

Continua no meu próximo artigo...

Palavras-chave: | conhecimento | sentimento | razão | emoção |

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