Por José Luís dos Santos para o RH.com.br 
Infelizmente, o assunto ainda é tratado como um tabu. Falar de espiritualidade dentro das empresas, muitas vezes, é tido como cafona ou até mesmo muitos que o tratam, o fazem de uma maneira light.
Colocar um crucifixo na parede, "deixar" uma imagem no escritório, deixar uma Bíblia "tomando poeira" sobre algum móvel é espiritualidade light, ou seja, fingimos que somos seres espirituais para tentarmos enganar a Deus e aos nossos colaboradores, fornecedores, clientes, familiares. Não que tudo isso não seja importante. É importante, mas seria muito mais real e completo se nos deixarmos conduzir por uma vida plena de oração dentro das empresas. É exatamente por isso que eu escolhi esse tema para o livro que estou concluindo.
A espiritualidade não pode ser tratada de uma maneira light dentro das empresas, uma vez que nossa vida é conduzida pelo plano espiritual, colaborando para que as nossas obras materiais sejam bem elaboradas e tratadas, levando-nos ao sucesso. Ou seja, somente irão fazer bem feito seu trabalho, executar com perfeição suas tarefas, aqueles (colaboradores e funcionários) que estiverem bem consigo mesmos e para estarmos bem conosco mesmos, passamos por um todo - passamos pelo nosso lado espiritual, mesmo que isso pareça loucura para muitos, mas "o que é loucura para o mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios" (I Cor 1,27a).
Muitas vezes nos deparamos dentro das organizações com situações que deveriam ser inusitadas, mas, infelizmente têm se tornado corriqueiras: colaboradores de outras empresas que nos pedem abertamente uma "ajuda de custo" para que possam "deixar" nossos trabalhos "fluírem". O que penso disso? Penso que se o fazemos somos tão corruptos quanto os que nos pedem para que o façamos.
Estaremos sendo seres de espiritualidade corporativa light, ajudando a construir um país de lama e não um país de empresas realmente iluminadas. Oportunidades sempre aparecerão. Outros negócios virão e poderemos executar nossos trabalhos com respeito e dignidade, pois a quem faz o que é correto "nenhum mal ou nenhuma falta atingirá" (Sl 91,7b).
Acredito firmemente que esse tipo de situação seria muito menor se a espiritualidade fosse incentivada dentro das empresas com orações ecumênicas todos os dias, em cada setor, onde todos estariam juntos pedindo para que sua espiritualidade esteja acima de qualquer outra situação tentadora que porventura possa acontecer no dia-a-dia. Afinal de contas, haveria de certa forma, uma cobrança de uns para com os outros, uma vez que todos, ao rezarem juntos, estão de algum modo comprometendo-se em serem melhores, mais justos, mais honestos consigo mesmos, entre todos e com a empresa.
Não falo de algo novo. Conheço algumas empresas (poucas) que incentivam a espiritualidade, onde os diretores e os gerentes juntam-se aos seus colaboradores para pedirem pela empresa, pelos seus trabalhos e pelo crescimento de todos. No dia de Ação de Graças, Natal, Ano Novo, Páscoa fazem orações especiais levando algum pregador/palestrante para falar algo sobre o tema. Aqueles que, no início, achavam uma perda de tempo os 5 minutos dessa oração ou os 15 minutos das pregações em datas especiais, hoje são os primeiros a chegar e a pedir mais. Por quê? Porque suas vidas foram tocadas, foram mudadas, suas atitudes foram transformadas, seus trabalhos ganharam outra dimensão, sua vida familiar acompanhou esse desenvolvimento que, a principio, parecia profissional e particular. Enfim, tudo isso trouxe paz de espírito e quando temos paz de espírito, tudo fica mais fácil, mais prazeroso, mais real.
De uma coisa tenho certeza: não há desperdício de tempo, nem tão pouco inutilidade nessas atitudes espirituais, há somente a ganhar, para todos os envolvidos, certos de que seremos sempre ouvidos, como nos escreveu Davi: "Quanto a mim, a Ti dirijo minha prece! No tempo favorável ouvi-me, por teu grande amor" (Sl 69,14).
Palavras-chave: | espiritualidade | espírito | alma |
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