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28/05/2007
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Tecnologia pode afastar talentos?

Por Angela Salgado de Chermont para o RH.com.br

Tenho deparado-me com relatos de bons profissionais que se desligam de empresas por iniciativa própria devido à falta de ferramentas de trabalho que possibilitem a realização de seus desafios.

Quando falamos em retenção de talentos, normalmente nos remetemos a discussões em torno de remuneração, reconhecimento, motivação, auto-realização e encarreiramento, mas raramente pensamos no aspecto tecnológico sendo fator responsável pela insatisfação profissional.

Sabemos o quanto é importante o sentimento de empregabilidade para a manutenção da auto-estima elevada. Se os recursos tecnológicos de trabalho (como sistemas informatizados, maquinários etc.) não são adequados ou competitivos em um mundo cada vez mais globalizado e em permanente evolução, por mais que o profissional seja detentor de excelente conhecimento técnico, adquirido em cursos de especialização e MBA’s, ele não conseguirá desenvolver-se profissionalmente se tiver que operar ferramentas limitadas ou obsoletas que não acompanhem ou não estejam ao nível de sua capacitação.

Você, leitor, deve estar se perguntando: mas isto quer dizer que cada vez que uma ferramenta nova e mais interessante for lançada, devemos fazer um “upgrade”? Não necessariamente, mas não permita que a tecnologia avance tanto a ponto de quando você decidir atualizá-la ou trocá-la, já seja tarde demais.

O que ocorre é que somos o tempo todo bombardeados por exigências de mercado cada vez maiores. É aquela estória: “Se você fica parado, é atropelado. Se você anda devagar, é ultrapassado”. Temos, portanto, que estar sempre à frente para nunca sermos alcançados.

Desta forma, os talentos percebem que não podem acomodar-se. Vislumbram incansavelmente melhores oportunidades e avanços, e estas necessidades precisam ser percebidas pelos gestores de Recursos Humanos. Muitas queixas não são pertinentes apenas a questões relacionadas à remuneração e à ascensão profissional, mas a algo mais profundo como: “Quero melhores ferramentas para mostrar todo o meu potencial. Posso ir muito mais além, mas me dêem condições favoráveis para que o meu talento possa se sobressair ainda mais”.

É preciso, então, que as organizações estejam atentas a esta questão sob pena de serem surpreendidas com pedidos de demissão de ótimos técnicos por propostas mais atrativas (muitas vezes da concorrência) atreladas ao uso de sistemas mais modernos e facilitadores da concretização de seus desafios e aspirações profissionais.

As avaliações de desempenho e os “feedbacks” das pesquisas de clima organizacional, quando bem conduzidos e profundamente analisados, podem ser excelentes indicadores dos possíveis “gaps” tecnológicos existentes entre a realidade vivida e a expectativa profissional vislumbrada por indivíduos e/ou equipes.

Especialmente nos segmentos de Indústria e TI, hoje em dia os melhores talentos estão escolhendo as empresas onde querem trabalhar, e a ausência de tecnologia competitiva com o mercado pode ser determinante para a recusa de uma oferta de trabalho que teria tudo para ser irrecusável aos olhos do empregador.

Atualmente a responsabilidade pelo desenvolvimento profissional é compartilhada: o funcionário investe em sua formação técnica, mas a empresa deve oportunizar no ambiente de trabalho a aplicação daquilo que foi aprendido. Quando este espaço para a prática não existe, o desafio fica comprometido, gerando frustração e sentimento do tipo “quero mais, mas não tenho os recursos requeridos que me permitam avançar até chegar naquilo que quero alcançar”.

É importante também ressaltar que a tecnologia pode ser igualmente fator de retenção para os talentos em desenvolvimento e crescimento na organização, considerando situação inversa em que a empresa possui a ferramenta moderna e o funcionário, ainda sem domínio da mesma, se sente atraído por conhecê-la, encontrando em seu próprio ambiente de trabalho a oportunidade para que esta aprendizagem aconteça sem que ele tenha que recorrer a um curso externo para adquirir este conhecimento e prática por conta própria. Neste caso em que a empresa oferece a capacitação o benefício é mútuo e a relação entre funcionário e empresa é de ganha-ganha, com perfeito alinhamento do que ele gosta de fazer com o que a empresa precisa que ele faça.

Portanto, segue dica para os empresários: invistam na formação de seus talentos humanos, mas sempre acompanhada do investimento nos recursos tecnológicos em paralelo para viabilizar a aplicação da teoria na prática.

Não estou afirmando que toda tecnologia moderna retém talentos, mas o oposto parece ser verdadeiro: Tecnologia ultrapassada afasta talentos. Vale o aprofundamento nesta questão: eis um bom tema para estudo de caso em MBA’s.

Palavras-chave: | tecnologia | talento | mudança |

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