Por Hegel Botinha para o RH.com.br 
O caminho para um RH verdadeiramente estratégico, com assento na diretoria e voz na tomada de decisões, é árduo e está apenas nos seus primeiros passos. Os departamentos de Recursos Humanos nas empresas travam um embate diário entre o acúmulo de tarefas operacionais necessárias e o desejo de apresentar contribuições para o sucesso da corporação. Essas ações, ainda que necessárias para a manutenção da rotina produtiva, exigem tempo e pessoal qualificado inestimáveis numa era de competitividade global na qual a diferença do líder de mercado para as organizações intermediárias é decidida nos detalhes.
Para superar esse dilema, primeiro é preciso delegar. Para a gestão de benefícios, a pesquisa de salários, o recrutamento de pessoal operacional ou de cargos de alto nível e tantas outras tarefas intrínsecas à rotina dos setores de Recursos Humanos, terceirizar já não é desafio ou representa risco para o negócio. Há empresas competentes, de longa tradição, com as quais se podem formar parcerias sérias e produtivas. Tomar essa decisão significa a libertação do tempo e das energias essenciais para que os profissionais de Recursos Humanos invistam no seu foco.
Qual seria esse foco? Os próprios executivos respondem: para 76%, o desenvolvimento de lideranças é uma questão crítica para o desenvolvimento da empresa. O gerenciamento de talentos e a criação de uma cultura de alta performance aparecem em segundo lugar, empatados com 71,9% das opiniões.
Ou seja, as lideranças percebem que a melhoria da qualidade está no interior de suas organizações, domínio por excelência do RH. É lá que os executivos sabem estar um poderoso aliado nos desafios da competição crescente, da contínua pressão dos consumidores por melhores produtos e o inexorável avanço das tecnologias. Dos executivos ouvidos, 88,52% buscam talentos para sustentar o processo de expansão por meio de trabalho consistente de desenvolvimento de pessoal dentro dos quadros da própria organização.
Essa é a oportunidade. Ao explorá-la, os departamentos de Recursos Humanos não devem temer usar a linguagem e as práticas dos altos executivos, tomando para si sua parcela de responsabilidade pelos resultados nos negócios, implementando estratégias que adotem como parâmetro os ganhos de vendas e produtividade, com linhas de ação que favoreçam a lucratividade.
É preciso desenvolver uma atitude pró-ativa nas negociações sobre produção, finanças, contabilidade e logística. Enfim, assumir sua relevância real no desenvolvimento da empresa. Todos conhecem exemplos de planos promissores de investimento que naufragaram porque negligenciaram o papel do homem. Com a contribuição dos Recursos Humanos, hoje seriam cases de sucesso nas capas das revistas de negócios.
Um RH estratégico é empreendedor. É um organismo capaz de identificar oportunidades e de criar diferenciais competitivos em uma das áreas mais ricas das corporações: seu pessoal. Prospectar, desenvolver, aprimorar, comunicar e superar resultados são ações-chave para o setor que pretenda atingir um novo nível. Um patamar nos quais os verdadeiros desafios são cultivar talentos, desenvolver novas culturas corporativas e sustentar modelos de gestão sustentável.
Por isso acredito que, quando chegarmos à era do RH estratégico, o board continuará debatendo tecnologia, administração e finanças. E sobre Recursos Humanos? Quanto a isso, não haverá discussão: sua contribuição é essencial.
Palavras-chave: | estratégico | mudança |



