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06/08/2007
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Por um RH estratégico

Por Hegel Botinha para o RH.com.br

No board das empresas discute-se longa e exaustivamente inovação tecnológica, ferramentas de gestão, arquiteturas financeiras de alta complexidade. Por que não Recursos Humanos? Uma pesquisa mundial feita recentemente pela consultoria Deloitte, com 531 executivos de empresas com faturamento de até US$ 10 bilhões, revelou que 80% deles reconhecem o papel fundamental das pessoas na obtenção de performance da companhia, mas somente 16% acreditam que seu departamento de RH é devidamente valorizado. Além disso, mais da metade das organizações pesquisadas não possui um CHRO (Chief Human Resources Officer) ou executivos na área que se reportem diretamente ao CEO.

O caminho para um RH verdadeiramente estratégico, com assento na diretoria e voz na tomada de decisões, é árduo e está apenas nos seus primeiros passos. Os departamentos de Recursos Humanos nas empresas travam um embate diário entre o acúmulo de tarefas operacionais necessárias e o desejo de apresentar contribuições para o sucesso da corporação. Essas ações, ainda que necessárias para a manutenção da rotina produtiva, exigem tempo e pessoal qualificado inestimáveis numa era de competitividade global na qual a diferença do líder de mercado para as organizações intermediárias é decidida nos detalhes.

Para superar esse dilema, primeiro é preciso delegar. Para a gestão de benefícios, a pesquisa de salários, o recrutamento de pessoal operacional ou de cargos de alto nível e tantas outras tarefas intrínsecas à rotina dos setores de Recursos Humanos, terceirizar já não é desafio ou representa risco para o negócio. Há empresas competentes, de longa tradição, com as quais se podem formar parcerias sérias e produtivas. Tomar essa decisão significa a libertação do tempo e das energias essenciais para que os profissionais de Recursos Humanos invistam no seu foco.

Qual seria esse foco? Os próprios executivos respondem: para 76%, o desenvolvimento de lideranças é uma questão crítica para o desenvolvimento da empresa. O gerenciamento de talentos e a criação de uma cultura de alta performance aparecem em segundo lugar, empatados com 71,9% das opiniões.

Ou seja, as lideranças percebem que a melhoria da qualidade está no interior de suas organizações, domínio por excelência do RH. É lá que os executivos sabem estar um poderoso aliado nos desafios da competição crescente, da contínua pressão dos consumidores por melhores produtos e o inexorável avanço das tecnologias. Dos executivos ouvidos, 88,52% buscam talentos para sustentar o processo de expansão por meio de trabalho consistente de desenvolvimento de pessoal dentro dos quadros da própria organização.

Essa é a oportunidade. Ao explorá-la, os departamentos de Recursos Humanos não devem temer usar a linguagem e as práticas dos altos executivos, tomando para si sua parcela de responsabilidade pelos resultados nos negócios, implementando estratégias que adotem como parâmetro os ganhos de vendas e produtividade, com linhas de ação que favoreçam a lucratividade.

É preciso desenvolver uma atitude pró-ativa nas negociações sobre produção, finanças, contabilidade e logística. Enfim, assumir sua relevância real no desenvolvimento da empresa. Todos conhecem exemplos de planos promissores de investimento que naufragaram porque negligenciaram o papel do homem. Com a contribuição dos Recursos Humanos, hoje seriam cases de sucesso nas capas das revistas de negócios.

Um RH estratégico é empreendedor. É um organismo capaz de identificar oportunidades e de criar diferenciais competitivos em uma das áreas mais ricas das corporações: seu pessoal. Prospectar, desenvolver, aprimorar, comunicar e superar resultados são ações-chave para o setor que pretenda atingir um novo nível. Um patamar nos quais os verdadeiros desafios são cultivar talentos, desenvolver novas culturas corporativas e sustentar modelos de gestão sustentável.

Por isso acredito que, quando chegarmos à era do RH estratégico, o board continuará debatendo tecnologia, administração e finanças. E sobre Recursos Humanos? Quanto a isso, não haverá discussão: sua contribuição é essencial.

Palavras-chave: | estratégico | mudança |

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COMENTÁRIOS (1)
Sandra Sueli Couto Guerra em 28/01/2011:
As culturas corporativistas são originárias do comportamento de quem as rege, é um reflexo do caráter, moral, ética de cada gestor, só quando houver uma mudança em toda a dinâmica da educação no Brasil poderemos vislumbrar um Rh estratégico, defendo a tese de que as escolas tenham um departamento de Rh para proporcionar ao corpo docente meios para uma mudança nas estratégias pedagógicas. Nossas crianças precisam exercitar desde o ensino fundamental o cooperativismo, para que não se tornem pessoas egoístas que é o pior dos pecados. O adulto tem um comportamento que foi construído ao longo de sua vida, o que ele é hoje reflete em sua gestão. Consultora em Getão de Pessoas.

 
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