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15/10/2007
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R&S: um novo desafio no reconhecimento de profissionais

Por Marly Baleeiro de Souza para o RH.com.br

Nós, profissionais de RH, que realizamos processo de R&S, nos colocamos à disposição das empresas para ajudar na composição e desenvolvimento das equipes de colaboradores dos diversos níveis hierárquicos (seja dos mais elevados que exigem qualificações quase impossíveis a níveis mais simples que exigem qualificações menos especializadas), em manuais e instruções de trabalho, em cursos de especializações em gestão de pessoas e recrutamento e seleção, aprendemos a achar a pessoa certa para o local certo. Analisamos experiências anteriores, formações e cursos. Observamos recompensas e benefícios, aplicamos dinâmicas de grupo e testes psicológicos. Traçamos perfis e potenciais, adequamos interesse das corporações com os interesses pessoais dos candidatos. Tudo isto, com a melhor intenção de fazer bem à empresa e ao candidato.

Em muitos trabalhos destes, temos obtido sucesso. As empresas cada vez mais estão compostas de bons profissionais, produtivos (highperformance) e realizados com suas carreiras, o que nos dá a certeza de que nosso trabalho é pertinente.

Nas experiências que acumulamos em todos estes processos, nos deparamos com os mais diversos tipos de candidatos. Gostaria aqui de deter a nossa atenção naqueles candidatos que são eliminados por uma razão simples: falta de qualificação formal. Apesar de carregarem consigo anos de valiosas experiências práticas conseguidas com muito esforço, dedicação e, por que não dizermos amor ao trabalho? Simplesmente não conseguem recolocação no mercado por falta de qualificação formal.

Quando descrevemos estas experiências como valiosas não usamos este termo para criar um sentido poético acerca destas, estamos nos referindo às capacidades adquiridas em contextos técnicos operacionais que trazem e podem trazer reduções de custo e produção, de excelentes resultados em produtividade e qualidade.

Todos nós – analistas, gestores e consultores de RH – em algum momento conhecemos nas empresas em que trabalhamos ou que desenvolvemos consultorias, profissionais brilhantes e essenciais à sobrevivência das empresas que tem pouca e, em alguns casos, nenhuma formação acadêmica, são os chamados práticos. No entanto, sua presença é tão importante que alguns setores ou até mesmo unidades de empresas simplesmente entrariam em colapso sem a presença destes profissionais.

Não são raros os casos de líderes de equipes de alta performance que com os anos de prática conseguem motivar, delegar, criar e conseguir o melhor de sua equipe e, ao mesmo tempo, mantê-la apaixonada pelo trabalho que fazem. Também não são raros os profissionais que têm tanta experiência técnica em sua atuação que são alocados como professores de profissionais com conhecimento teórico, mas sem experiência prática.

Não nos será neste momento necessária a reflexão a respeito do real valor do profissional prático? Será que no processo de seleção que realizamos não nos falta a percepção de alguma coisa? Será que não estamos subestimando algo de grande valor?

Todos que um dia passaram pela vida acadêmica sabem da importância da aplicação prática dos conhecimentos formais em estágios e pesquisas de campo, e que somente títulos e estágios não garantem um bom profissional. É preciso aptidão, vontade, ética e paixão para termos um profissional apto. Será que a ausência de um diploma desqualifica alguém que reúne todo este conjunto de características, aptidões e conhecimentos?

Em nenhum momento pensamos em desmerecer os profissionais que dedicam a maior parte de sua vida à construção das ciências e à aplicação dos conhecimentos formais, e muito menos queremos criar uma guerra entre filosofia e empirismo. Reconhecemos que os avanços e melhorias surgem através de conhecimentos científicos. Entretanto, como somos profissionais com a proposta de reconhecer e estimular o desenvolvimento de seres humanos. Temos de refletir sobre a pertinência da rigidez de processos seletivos e das descrições sobre as características que formam os bons profissionais. Será que os profissionais - como humanos que são - só estarão aptos para determinada função se carregarem consigo um diploma?

Os grandes estudos antropológicos e sociológicos nos provam que são pedagogicamente e culturalmente reais e possíveis os aprendizados fora de uma sala de aula, portanto, não são empresas espaços pedagógicos? Então, não seria possível o surgimento de bons profissionais e líderes a partir dos anos de vivências dentro de uma empresa? Pensemos um pouco sobre isto.

Palavras-chave: | mudança | reconhecimento |

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COMENTÁRIOS (2)
ELIEL ALVES DE CARVALHO em 24/04/2009:
Muito ótimo este artigo, inclusive, tenho desfrutado bastante deste trabalho que é feito por profissionais de RH e não é só uma mero admiração, também tenho visto os benificios de uma equipe preparada, pessoas que se identificam melhor com tal setor e isto é observado pelo RH, crescimento profissional, melhor desempenho, menor custo para empresa, etc. São N beneficios. Sucesso.

Sival em 08/02/2009:
Gosto de suas palavras, elas são sinceras e convicentes. Tomara eu um dia poder conhece-la.

 
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