Por Valdemir José Francisco para o RH.com.br 
Para muitos profissionais e organizações, o planejamento é essencial, devendo ser elaborado, detalhado, difundido, seguido na íntegra e conseqüentemente seu resultado deve ser o esperado. Para outros profissionais e organizações, o lema é mais ou menos assim: o futuro a Deus pertence ou deixa a vida me levar. São indivíduos e organizações levados pelas ondas do momento, por eles denominadas de “surpresas do mercado”.
É comumente aceito que as pessoas são diferentes biologicamente e conceitualmente. O administrador tem conceitos diferentes do engenheiro, que pensa diferente do advogado, que discorda do técnico, que não aceita a visão do médico e assim por diante, de maneira que ninguém vê o mundo da mesma forma. Cada pessoa tem sua cosmovisão. E sendo as organizações constituídas por pessoas, o reflexo dessa diversidade é inevitável.
Penso que já é um grande avanço não ser radical, extremista e condenar a tudo e a todos que pensam diferente de nós. Mas, independente de nossa posição, é importante fazer algumas considerações que podem ser úteis para nossa vida pessoal e profissional, como também, para a organização como um todo, quando abordamos essa questão do futuro.
Mesmo compreendendo que a única certeza que temos em relação ao futuro são suas incertezas, como disse Oscar Wilde: “o futuro é não apenas inevitável, mas também incerto”, não podemos deixar de considerar as preciosas lições empíricas, vivenciadas por todos nós, nos mais simples atos da vida. Um exemplo comum para todos, é o ato de viajar. Quando vamos viajar, não saímos de qualquer maneira, desesperadamente, sem nenhuma preparação.
Primeiro, nós definimos ou alguém define para nós o destino (temos que saber para onde estamos indo). Em seguida, providenciamos os meios de locomoção, que nos conduzirão ao destino definido. Escolhemos as roupas necessárias e adequadas para usarmos. Disponibilizamos os recursos financeiros para as despesas de viagem e estada, isso, em concordância com o tempo e destino de nossa viagem. Também delegamos responsabilidades no cuidado de pessoas ou bens que ficam. Checamos diversas informações e tomamos outras providências necessárias. Enfim, nos preparamos para a viagem.
Em uma definição extremamente singela, podemos então dizer que planejamento é preparação. Para tudo na vida necessitamos nos preparar. Quando não o fazemos, enfrentamos sérios problemas. Que o diga o motorista que não checou o estepe, o viajante que não verificou as condições climáticas, a dona de casa que não conferiu os ingredientes antes de iniciar o bolo, e por aí afora.
O planejamento é de suma importância para a vida profissional, e de vital importância para as organizações. O planejamento nos seus diversos aspectos visa:
* Determinar objetivos ou resultados a serem alcançados. Os objetivos direcionam o pensamento, as ações. Os resultados revelam nosso real desempenho. Um indicador importante para definir objetivos e resultados a serem alcançados é o dimensionamento da lacuna existente entre o que sou, ou o que tenho hoje, do que gostaria de ser, ou ter amanhã. Sendo que este amanhã também deve ser definido. Não pode ser o amanhã que quando chega se transforma em hoje e nunca pode ser alcançado.
* Definir meios para possibilitar a realização dos objetivos. Como chegarei lá? Este é o principal questionamento nessa fase. Aqui também inicia a definição das metas (caminhos a serem percorridos). Deve-se tomar muito cuidado com os atalhos. Aquelas ofertas e conquistas fáceis e rápidas, oferecidas pelo caminho, são atraentes no presente, mas podem ser armadilhas no futuro. São ações também necessárias: contabilizar os recursos, buscar parcerias e simular alternativas (poderemos precisar mudar de rota).
* Interferir na realidade conhecida para alcançar uma situação desejável dentro de um intervalo definido de tempo. A interferência na realidade conhecida começa com um diagnóstico para detectar as situações alvo de mudanças, seguida de tomada de ação imediata em relação à mudança desejada. Lembrar-se do antigo provérbio faz bem: “quem olha para o vento nunca semeará, e quem olha para as nuvens jamais ceifará”. Planejamento sem práxis é como trovoada sem chuva, é discurso vazio, inoperante. Não espere muito para começar a ação, interfira. Comece e recomece quantas vezes precisar.
* Tomar decisões para reduzir as incertezas do futuro. Nem todo futuro é tão desconhecido, nem tão incerto, visto que existem determinados indicadores que mostram as tendências do mundo moderno, assim como existem nas mudanças da natureza. Certamente você já viu alguém comum, do povão (sem ser meteorologista), olhando para o céu expressar-se assim: hoje vai chover. Não há necessidade de graduação para reconhecer os sinais do tempo.
Muitas organizações, observando os sinais do tempo, isto é, as mudanças sociais, econômicas, de comportamentos, expandiram seus negócios, conquistaram novos clientes, enriqueceram. Muitos profissionais tornaram-se requisitados e bem sucedidos, porque andaram segundo as tendências do mundo, isto é, seguiram a direção apontada por essas mudanças.
Observe a direção do vento, dos negócios, das atividades que estão surgindo. Não seja um daqueles que andam na contramão da história. Não insista em aprender a datilografar em uma máquina Olivetti. Aprenda coisas novas.
Nossa atitude em relação ao futuro pode ser pró-ativa ou reativa. A atitude pró-ativa é predominantemente caracterizada pela antecipação de novas situações, enquanto a reativa é justamente o contrário, é a incapacidade de adaptação a novas situações. É claro que não temos controle sobre tudo que ainda virá, mas podemos planejar nossa vida e o que estiver dentro da nossa alçada, de tal forma, que o “novo” não nos desestabilize, não nos coloque à margem da sociedade, não nos tire do “jogo da vida”.
Os filósofos gregos já diziam que o mundo está em constante “DEVIR”, isto é, em constante mudança. Portanto, no mundo moderno não há mais espaço para o “saudosismo”, ou seja, o caminho é para frente. Há muitas verdades para se conhecer, muitas experiências para se viver e muitos desafios para se vencer. Então, vamos lá?
Palavras-chave: | planejamento | futuro | projeto |
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