Por Rogerio Martins para o RH.com.br 
Recentemente, visitando algumas comunidades no orkut, pois não participo mais daqueles grupos de discussão pelas razões acima apresentadas, percebi a mesma situação. E pior: desenvolveu-se a síndrome do eu também quero. Não bastasse o bando de chupins pedindo, pedindo, pedindo, agora têm em maior número aqueles que simplesmente vão na cola e escrevem: “eu também quero!”. O que está acontecendo? Será que estamos vivendo em uma era de pura ignorância produtiva? Será que ler em um livro o assunto que necessita ou pesquisar o material é muito para uma cabeça limitada? Talvez seja isso. Porém, o que mais incomoda é que não há troca. Não há debate de idéias, troca de informações. Como meio de disseminação de cultura e informação, a Internet é fantástica, mas seu uso está aquém de suas possibilidades.
Analisando estas comunidades do orkut, vi que os comentários onde alguém abre uma discussão ou debate chega a ter três a seis respostas. Isso com uma análise otimista. Enquanto isso, naqueles onde alguém escreve que está oferecendo um e-book ou vídeo de treinamento, certamente pirateados, há mais de cinqüenta respostas com a famigerada frase: “eu também quero”. Acredito que o velho guerreiro Chacrinha estava certo: “aqui nada se cria, tudo se copia”.
Já tive artigo clonado, copiado, inserido em sites e revistas sem autorização. Tudo isso faz parte do mundo moderno, não que eu ache certo. O fato é que uma grande parcela das pessoas que circula pela Internet tem assumido uma postura passiva de criação. Preferem copiar, clonar, “chupar” e distribuir aleatoriamente, algumas vezes auto-intitulando-se autoras da obra. É um crime!
Muitas universidades e faculdades vêm desenvolvendo em seus quadros de alunos um número maior destes aprendizes de clonagem do conhecimento. A direção e os professores têm sido coniventes na “deformação” destes alunos. Cada vez mais, vemos surgir instituições que valorizam o quanto seus alunos poderão produzir de dinheiro para a própria instituição, ao invés de pesquisa, artigos ou pensamento acadêmico. Óbvio que temos fantásticas instituições de ensino, onde se estimula a produção científica e o pensamento analítico, mas o crescimento destes estabelecimentos focados no retorno financeiro é preocupante.
Com tudo isso, estamos criando uma nova cultura, típica de países subdesenvolvidos, a cultura da cópia. Quantos ganhadores de prêmio Nobel temos na história de nosso país? Agora, quantos “hackers de sucesso” temos em nosso país? Essa conta está semelhante à desigualdade sócio-econômica do Brasil. Se continuarmos nesta toada, seremos eternamente o país do futuro e nunca do presente. Estaremos constantemente “correndo atrás do prejuízo”, ao invés de criarmos o próprio lucro.
Para mudar é preciso começar com uma atitude pessoal. Sair da acomodação natural de quem se acostumou a pedir tudo. É preciso fugir da tentação da “coisa fácil”. Não é das tarefas mais fáceis, pois toda mudança implica perdas e ganhos. Talvez a sensação de perda seja maior no início, mas com o tempo todos ganham. À medida que somos agentes ativos do conhecimento, nos tornamos independentes, fortes e ricos. Vale a pena tentar!
Importante ressaltar que sou a favor da disseminação do conhecimento, mas contra a síndrome do eu também quero. Trocar, debater e compartilhar é fundamental para nosso desenvolvimento pessoal, profissional e cultural. Mas, simplesmente, copiar, clonar e piratear só nos faz estagnar e até regredir como pessoas e sociedade.
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Palavras-chave: | cópia | postura profissional |



