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19/11/2007
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A síndrome do eu também quero

Por Rogerio Martins para o RH.com.br

Anos atrás, conversava com uma consultora amiga sobre a mania que algumas pessoas tinham de pedir as coisas nos grupos de discussão pela Internet. Na época, participávamos de alguns desses e eram comuns mensagens do tipo: “Alguém tem um formulário para entrevista?”, ou “Amanhã vou dar um treinamento e preciso urgente de uma dinâmica para desenvolver aspectos de liderança”, ou ainda “Preciso de um texto que trate de comportamento no trabalho, mas nada muito teórico...”. De certo que estas pessoas não cresceram em suas carreiras profissionais. Afinal, aqueles que só copiam, sugam ou simplesmente imitam o trabalho dos outros não têm futuro em um mercado cada vez mais competitivo e que busca diferenciais.

Recentemente, visitando algumas comunidades no orkut, pois não participo mais daqueles grupos de discussão pelas razões acima apresentadas, percebi a mesma situação. E pior: desenvolveu-se a síndrome do eu também quero. Não bastasse o bando de chupins pedindo, pedindo, pedindo, agora têm em maior número aqueles que simplesmente vão na cola e escrevem: “eu também quero!”. O que está acontecendo? Será que estamos vivendo em uma era de pura ignorância produtiva? Será que ler em um livro o assunto que necessita ou pesquisar o material é muito para uma cabeça limitada? Talvez seja isso. Porém, o que mais incomoda é que não há troca. Não há debate de idéias, troca de informações. Como meio de disseminação de cultura e informação, a Internet é fantástica, mas seu uso está aquém de suas possibilidades.

Analisando estas comunidades do orkut, vi que os comentários onde alguém abre uma discussão ou debate chega a ter três a seis respostas. Isso com uma análise otimista. Enquanto isso, naqueles onde alguém escreve que está oferecendo um e-book ou vídeo de treinamento, certamente pirateados, há mais de cinqüenta respostas com a famigerada frase: “eu também quero”. Acredito que o velho guerreiro Chacrinha estava certo: “aqui nada se cria, tudo se copia”.

Já tive artigo clonado, copiado, inserido em sites e revistas sem autorização. Tudo isso faz parte do mundo moderno, não que eu ache certo. O fato é que uma grande parcela das pessoas que circula pela Internet tem assumido uma postura passiva de criação. Preferem copiar, clonar, “chupar” e distribuir aleatoriamente, algumas vezes auto-intitulando-se autoras da obra. É um crime!

Muitas universidades e faculdades vêm desenvolvendo em seus quadros de alunos um número maior destes aprendizes de clonagem do conhecimento. A direção e os professores têm sido coniventes na “deformação” destes alunos. Cada vez mais, vemos surgir instituições que valorizam o quanto seus alunos poderão produzir de dinheiro para a própria instituição, ao invés de pesquisa, artigos ou pensamento acadêmico. Óbvio que temos fantásticas instituições de ensino, onde se estimula a produção científica e o pensamento analítico, mas o crescimento destes estabelecimentos focados no retorno financeiro é preocupante.

Com tudo isso, estamos criando uma nova cultura, típica de países subdesenvolvidos, a cultura da cópia. Quantos ganhadores de prêmio Nobel temos na história de nosso país? Agora, quantos “hackers de sucesso” temos em nosso país? Essa conta está semelhante à desigualdade sócio-econômica do Brasil. Se continuarmos nesta toada, seremos eternamente o país do futuro e nunca do presente. Estaremos constantemente “correndo atrás do prejuízo”, ao invés de criarmos o próprio lucro.

Para mudar é preciso começar com uma atitude pessoal. Sair da acomodação natural de quem se acostumou a pedir tudo. É preciso fugir da tentação da “coisa fácil”. Não é das tarefas mais fáceis, pois toda mudança implica perdas e ganhos. Talvez a sensação de perda seja maior no início, mas com o tempo todos ganham. À medida que somos agentes ativos do conhecimento, nos tornamos independentes, fortes e ricos. Vale a pena tentar!

Importante ressaltar que sou a favor da disseminação do conhecimento, mas contra a síndrome do eu também quero. Trocar, debater e compartilhar é fundamental para nosso desenvolvimento pessoal, profissional e cultural. Mas, simplesmente, copiar, clonar e piratear só nos faz estagnar e até regredir como pessoas e sociedade.

Ah! Se for utilizar este artigo, informe a fonte e repasse essa idéia.

Palavras-chave: | cópia | postura profissional |

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COMENTÁRIOS (1)
maria girlane nobre de souza em 04/02/2009:
Corroboro com você Rogério, também já passei por situações um tanto vexatória que por ser especialista em relaçoes humanas e dinamicas grupais, as pessoas tem mesmo essa sindrome do eu quero, e realmente acha, que copiar sem atentar para os detalhes do grupo a qual vai trabalhar, e cadé a criatividade . parabéns excelente artigo de reflexão

 
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