Podemos realizar uma analogia da ilha da série Lost com as corporações atuais, onde a vida profissional das pessoas é influenciada pelo lado emocional e espiritual. Digamos que a ilha é a empresa e os personagens são os profissionais que a compõem, pois nunca devemos dissociar as pessoas das organizações. Infelizmente, algumas empresas estão bem preocupadas na execução das tarefas e dos resultados e esquecem das pessoas que as executam, preocupando-se mais com os métodos do que com as metas. Estamos vivenciando grandes líderes preocupados com a redução de custos e eliminação de gastos, acreditando que isso é estratégia de negócios, quando, na realidade, isso nada mais é do que obrigações de qualquer empresa que se preze.
O que precisamos não é somente de um RH estratégico que valorize as pessoas através da aprendizagem corporativa, retenção de talentos, plano de carreira, avaliação de desempenho, valorização dos trabalhos, treinamentos e desenvolvimentos de líderes e estímulos motivacionais, mas que mostre que o mais importante é a prática de sermos seres humanos conscientes ao ajudar o nosso próximo e perceber o outro como sujeito ético igual.
Fela Moscovici diz, em seu livro – “Organização por Trás do Espelho” –, que “Antes de produzir organizações inteligentes, organizações que aprendem, temos que produzir seres humanos holisticamente educados. Educados em espíritos, em corpos, em corações e mentes, capazes de respeitar a natureza e a continuidade da vida antes de pensar em produzir, consumir e desperdiçar. Quem fará isso? Todos nós. As organizações, inclusive”. Desta forma, vemos que o cuidado com o “tripé” – Corpo, Mente e Espírito – é necessário para resgatarmos o respeito ao próximo, praticando a solidariedade, os valores, a fim de sermos mais espirituais ao revermos nossos princípios e aceitarmos as diferenças.
Os colaboradores precisam estar cientes da importância de sua contribuição para o esforço produtivo da organização, ou seja, ter uma visão geral dos processos e suas conseqüências, pois vivenciamos, com a globalização, a competição acirrada das corporações, já que os clientes querem tratamentos de reis. Precisamos ser diferentes e melhores a cada momento, pois as empresas também são responsáveis pela deterioração do meio ambiente e pelo desemprego gerado pela falta de oportunidades para as pessoas pobres.
Vivemos numa sociedade de espetáculos, onde o homem só precisa aparecer; numa sociedade que enfatiza as aparências; o supérfluo substitui o lugar do indispensável; crível é que o homem está perdendo a sua essência e tem que viver da aparência. Estamos correndo para consertar, ou, pelo menos, amenizar os estragos com a responsabilidade social e a sustentabilidade. O nosso eterno poeta, compositor e músico Renato Russo, em sua música “A Via Láctea”, diz que sempre existe um caminho. Seguem as estrofes:
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
...
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou
Qual será a saída? Haverá realmente uma saída? Ficaremos perdidos esperando a vinda do “resgate” ou vamos construir trilhas e formas de encontrar a saída? Ou, quem sabe, o caminho a percorrer das corporações esteja nos seus colaboradores, participantes, funcionários (seja lá como são chamados) começarem a olhar para dentro de si com o objetivo de descobrir seus conhecimentos, habilidades e atitudes, associados aos seus valores, crenças, respeito, confiança, solidariedade e comprometimento?
E, para que tudo isso aconteça, vamos precisar da ajuda indispensável dos diretores, gerentes, acionistas e líderes de equipes das organizações que enfatizam os treinamentos e desenvolvimentos de pessoas e a educação continuada, atrelado à ética e aos valores morais, para talvez encontrarmos um caminho que nos leve à luz da “Salvação Corporativa”.
Palavras-chave: | mudança | Lost |
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