Por Jorge Alberto Nobre para o RH.com.br 
Evidentemente pessoas avessas a regras são contrárias às certificações, porque as consideram um engessamento para as organizações. Lembro-me que há bastante tempo fui visitado por um profissional que me oferecia a prestação de seus serviços na empresa onde eu atuava na área de RH. Logo após apresentar-se, saiu-se dizendo o seguinte: “Pois é. Eu trabalhava há três anos na empresa ‘x’ e com a implantação da ISO 9000 ‘eles’ encheram de regras e começaram a pressionar-me para chegar no horário. Ora, eu sou um engenheiro e não admito esse tipo de cobrança!”.
Confesso que fiquei um tanto quanto admirado com as palavras dele. Naquela época pouco sabia a respeito das Normas e jamais imaginaria que iria estudá-las, compreender e passar a ser um auditor líder. Os Sistemas de Gestão, quando bem empregados, trazem inúmeras vantagens para os clientes, para as organizações e seus proprietários e acionistas, para os colaboradores, para os fornecedores, para o governo e, por fim, para a própria comunidade. É claro que a forma como é entendido vai depender essencialmente do processo de implantação do sistema.
Muitas empresas adotam um determinado sistema, porque ele foi exigido por seu cliente, ou ainda, porque “disseram” que é uma forma de Marketing e que conseqüentemente as vendas irão aumentar. Implantações baseadas nas premissas anteriores certamente estão condenadas ao fracasso, pois dificilmente os benefícios serão percebidos. A Norma passa a ser um instrumento de pressão e tortura. As Certificadoras e seus auditores são odiados e temidos. Os dias nos quais ocorrem as auditorias são um suplício, quando na realidade deveriam ser dias de aprendizado e crescimento para todos, pois como costumo dizer: “A empresa deve estar permanentemente ‘pronta’ para ser auditada!”
São inúmeros os benefícios obtidos através das Certificações, no entanto, a implantação do(s) sistema(s) deve ser realizada corretamente. Primeiramente, é essencial que os integrantes da organização, de todos os níveis, sejam sensibilizados, que percebam os reais benefícios que irão ter; que não se sintam objetos da mudança e sim, seus autores ou co-autores.
Outro fator a ser considerado é que ao ser elaborado o cronograma para a implantação do Sistema haja uma concordância entre os colaboradores quanto a cada etapa e, por conseguinte, quanto aos prazos, Certa vez, o diretor de uma empresa perguntou-me quanto tempo ele necessitaria dedicar para a ISO e lhe respondi: “Inicialmente, deves dedicar uns 20% do teu tempo e quando entenderes melhor não tenhas dúvida de que irás dispensar 100% do tempo, porque o sistema deve absorver toda a empresa; e o melhor, é que ficarás feliz ao ver a tua empresa funcionando redondinha”.
À medida que cada etapa vai sendo implantada todos percebem as melhorias. Por exemplo, ao serem implantados os procedimentos, as instruções de trabalho e os registros, as atividades realizadas na organização são discutidas e revistas e não raramente, são alteradas para melhor, tornando-as mais práticas e racionais. Ao discutir e elaborar a documentação as pessoas crescem, pois conseguem visualizar com maior profundidade o que fazem, porque fazem, quanto fazem, para quem fazem, quando fazem e onde fazem.
Atividades complexas passam a ter um melhor entendimento. Novos colaboradores passam a ter maior facilidade para aprender e segurança quanto ao que estão realizando/produzindo. Em outro momento, um empresário da área de refeições coletivas abordou-me com um largo sorriso e disse-me: “Nobre, hoje mais do que nunca eu acredito na ISO. Levávamos cerca de vinte dias a um mês para fazer funcionar razoavelmente cada nova unidade. Depois da implantação dos procedimentos, em três dias a unidade está rodando perfeitamente e os novos colaboradores até parecem veteranos”.
O treinamento e a formação dos Auditores Internos é outro fantástico benefício. Profissionais, com diferentes formações, conhecimentos e áreas de atuação que, como uma “pedra bruta”, chegam para ser treinados e, em um curto espaço de tempo, passam a discutir e compreender cada item da Norma. Inicialmente, essas pessoas ficam apreensivas com o impressionante volume de conhecimentos que necessitam adquirir, mas que a cada auditoria que participam os vêem ampliados e passam a contribuir com o setor e as pessoas auditadas.
Tenho um carinho especial por cada aluno, e são muitos os que me demonstram apreço. No entanto, a maioria com os quais continuo a me relacionar são aqueles que participaram do “Curso de Formação de Auditores Internos para Sistema de Gestão da Qualidade e/ou Ambiental” e ainda, “Saúde e Segurança”.
Analisando o porquê, em princípio, os contatos são estabelecidos para a discussão de dúvidas e muitas vezes, é porque através dos conhecimentos que adquiriram conseguiram melhor se projetarem nas empresas em que atuam, ou até, por terem conquistado melhores empregos com seus currículos enriquecidos com o curso de Auditor. Esse texto pode ser prolongado e muito, até porque não abordei os benefícios para Administração, Vendas, Compras, TI, Produção, Laboratório e tantas outras áreas que compõem ou podem estar presentes em uma organização.
Não tenho dúvidas que profissionais que não primam pela organização, pela transparência das ações e pela disseminação de conhecimentos vão continuar achando que as Normas engessam e continuarão não acreditando nos seus benefícios. O sucesso sempre esteve e estará ao alcance de todos. É uma questão de escolha! Qual é a sua opção?
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