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01/06/2009
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A crise e a Gestão de Pessoas

Por Thiago Gomes para o RH.com.br

Todos nós sabemos que a globalização conecta o mundo. Podemos conhecer uma cultura distante e distinta da nossa em poucos minutos. Mas, também, podemos sofrer consequências graves causadas por irresponsabilidade de outros países. E são sobre essas sequelas e suas possíveis soluções que quero abordar.

Os impactos da crise mundial em nosso país, apesar de mais leves, face à atual conjuntura econômica, estão gerando mudanças práticas e reais na vida das empresas e das pessoas. E para gerir pessoas em tempos de crise, acredito que alguns fatores devem ser observados e analisados. Vamos falar dos fatores e um pouco sobre as sugestões de solução.

Insegurança
A insegurança foi instalada. Pessoas com medo de perder seus empregos, gestores inseguros para tomar decisões, investidores param de arriscar, compradores deixam de comprar. Iniciativas são escassas - ao mesmo tempo que se cobra criatividade, que é limitada, pois pode gerar custos e inovar agora pode não ser a melhor aposta. Não se quer mais novidades, já existe medo demais no que está por vir.

Percebo que a insegurança alimenta a crise. Algumas organizações estão deixando de investir em pessoas, como se isso fosse supérfluo, e estão cometendo um grande erro. Deixar de investir nas pessoas é a última coisa a ser feita em tempos de crise, pois são elas que terão que efetivar as mudanças necessárias, "vestindo a camisa" da empresa para superar essa fase. E assim, suportar os momentos críticos que podem vir com coragem e garra para enfrentar o que for, defendendo seu time a qualquer custo.

Nesse momento, o lado emocional tem que estar fortalecido, saudável e equilibrado. Não investir nas pessoas é gerar desequilíbrio, o que acarretará consequências graves mesmo após o final dessa batalha.

Comunicação
Se adicionarmos à insegurança a falta de comunicação, teremos como resultado um aumento da ansiedade, o que pode gerar medo. Pessoas com medo podem fantasiar situações futuras negativas, podem ter sérios impactos em sua motivação e comprometimento. Afinal, perspectiva de futuro é uma das bases para a motivação. Portanto, comunicar de forma transparente o que está acontecendo é essencial para manter a clareza e assegurar pessoas comprometidas, principalmente em um momento que se necessita tanto de colaboradores envolvidos com os resultados globais da empresa.

Participação
Momentos de crise exigem união. Mas para isso, não basta reunir as pessoas e ditar as regras do jogo. É preciso a participação delas nas decisões, estimulando-as a pensar, a criar soluções, ter novas ideias e colocar em prática tudo o que for aproveitável, sejam ações corretivas ou preventivas. Além disso, ouvir as pessoas pode ser um importante movimento para conter os ânimos, entender o que elas pensam, alinhar expectativas e mostrar os melhores caminhos.

Valorizar e reconhecer
Todos nós sabemos da importância do reconhecimento para manter o compromisso e o engajamento. Reconhecer cada atitude positiva, cada iniciativa e cada ideia só poderão ajudar no aumento da autoestima, da segurança e do compromisso com o trabalho e com os resultados. Elogios sinceros, treinamento e atenção da liderança são as formas de reconhecimento mais solicitadas pelos colaboradores nas entrevistas feitas em diagnósticos organizacionais. Devemos ficar atentos a isso e colocar essa ideia que é "tão óbvia" em prática.

Integrar
Integrar as áreas e as pessoas dentro delas. Unir as pessoas às políticas e à visão da empresa, aumentar a coesão da liderança. São ações essenciais para a Gestão de Pessoas na crise mundial. Um grupo lutando junto se sai muito melhor em uma batalha do que pessoas atacando alvos isolados. É hora de difundir claramente as estratégias da organização, para que todos possam se unir em um esforço conjunto, focados em um único objetivo.

Integrar as pessoas aos seus papéis também auxilia muito no momento de assumir a responsabilidade e "chamar o jogo pra si". Pessoas só assumem seu papel se tiverem clareza dele, mas para isso, devem saber o que fazer, o porquê fazer e onde juntas deverão chegar.

Motivação
Estimular a motivação; aumentar o moral; esse é o momento. Criticar agora não resulta consequências saudáveis, simplesmente não agrega. Está na hora de parar de se promover e olhar para as necessidades do outro. Valorizar o que é forte nas pessoas e na empresa. Colocar os valores que estão naquela placa na recepção em prática.

O estímulo à motivação é prática prioritária em tempos como esse. As pessoas têm se sentido cada vez piores, menos valorizadas, desmotivadas. E onde vai desembocar tudo isso? Na falta de comprometimento, de iniciativas e proatividade, que são armas poderosas contra a crise.

Nosso papel
O papel dos gestores e da área de Recursos Humanos agora é lutar contra os cortes, sejam de verba, de pessoas e de investimentos importantes. É estimular a motivação integrando as pessoas e as áreas. É comunicar de forma clara e assertiva, reduzindo as inseguranças e as fantasias. É valorizar o que é mais importante nas organizações, ou seja, aqueles que terão que superar os obstáculos desse novo caminho, cheio de incertezas. No entanto, nós brasileiros, acostumados com crises, já temos "anticorpos" e "calos" suficientes que nos ajudarão a vencer mais essa com louvor, para mostrar ao mundo a que viemos.

Palavras-chave: | atitude | ideia |

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COMENTÁRIOS (1)
Cassia Feles em 17/07/2009:
Muito boa a reportagem. Mas infelizmente a realidade nas empresas brasileiras, e não somente, em muitas das empresas do mundo, não é essa. Em um momento de crise a primeira ordem dos presidentes é o corte de despesas/custos. Pode ser desde substituir matéria prima à reduzir a quantidade de folhas do jornal interno, eliminar comemorações internas e muitas outras. O que ocorre é que o foco passa a ser os números: menores despesas/custos e maiores vendas, mas acaba-se esquecendo que são as pessoas que contribuem para que esses números sejam alcançados, e se elas não tiverem um meio no qual as estimulem a buscá-los todas as tentativas de redução podem vir a falhar.

 
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