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26/10/2009
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Gestão de Recursos Humanos na Gestão de Projetos de Obras Industriais

Valdair Sarmento

Nunca se falou tanto em pessoas, motivação, competências e aprendizagem. Isso tudo é um fato. Mas até que ponto estamos colocando efetivamente em prática todos os estudos, aprendizados e conceitos concebidos sobre o tema? Temos líderes e dirigentes para por em prática esses conceitos?

Teorias existem às pencas. Não faltam discursos, teses e inúmeras palestras com propostas extraordinárias para o melhor aproveitamento do potencial das equipes de trabalho. Mas quais empresas colocam ou, ainda, deixam seus gestores colocarem em prática o que já foi consagrado como o maior motivo para o sucesso de um projeto, as pessoas? Quantos paradigmas terão de ser quebrados? Quantos grandes profissionais nas suas áreas, principalmente técnica, permitem a quebra desses paradigmas? Será que os superintendentes, CEOs, entre outras lideranças, percebem isso nas suas empresas?

Concordo com o texto da UEA 04 - Curso de Especialização de Gestão de Projetos da Universidade Católica de Brasília (UCB) www.catolicavirtual.br -, que cita que o "potencial não é expresso apenas pela capacidade produtiva ou competência técnica. Outros elementos, até menos tangíveis, como motivação, comprometimento e ética, são capazes de influenciar consideravelmente o desempenho dos projetos, podendo ser essa influência tanto positiva quanto negativa". Acrescento ainda que relacionamentos entre os participantes da equipe e a autoestima dos seus membros são tão importantes quanto qualquer outro motivo para o sucesso ou fracasso de um projeto.

Como administrar tudo isso para alcançar o sucesso técnico, de qualidade, financeiro e de prazo dos projetos? A resposta passa necessariamente pelo gestor do projeto que precisa ser efetivamente um grande administrador de conflitos, um excelente motivador e um ótimo agregador, enfim, um grande líder; afinal, ele também terá que administrar seus superiores. Talvez o maior paradigma seja dobrar a vaidade dos profissionais antigos nas empresas que não suportam conviverem com a evolução na gestão dos empreendimentos industriais, impostas principalmente pelas exigências do mercado globalizado.

Sem dúvida caberá ao gestor encontrar a equipe técnica e emocional adequada para o projeto. É dele a responsabilidade de gerenciar as expectativas e os problemas do empreendimento, medir e acompanhar o desempenho e promover a sua integração e desenvolvimento.

Para que o gestor de projetos consiga realizar seu trabalho de forma completa, com sucesso técnico, financeiro, de qualidade e de prazo, precisará estar preparado e saber utilizar os conceitos e processos do Project Management Institute (PMI), pois só assim conseguirá gerenciar tanto os seus profissionais quanto os seus superiores. Para ter bom êxito nesta empreitada, o gestor deverá aplicar os conceitos do PMI para o gerenciamento dos recursos humanos. Segundo o PMI, a gestão deve ser dividida em quatro processos básicos:

- Planejamento de recursos humanos: identificar, dimensionar e relacionar as necessidades de mão-de-obra para o empreendimento. O gestor deverá gerar um organograma hierárquico e o histograma funcional, sendo que este último deverá indicar a necessidade de mão-de-obra, dentro do espaço de tempo de execução do projeto.

- Contratar ou mobilizar a equipe do projeto: selecionar e alocar a mão-de-obra necessária para execução do projeto. Essa etapa é de significada importância, pois a qualidade da mão-de-obra contratada dependerá da avaliação técnica e psicológica dos candidatos. Todos os recursos desenvolvidos pelos especialistas de RH deverão ser aplicados neste processo seletivo.

- Desenvolver a equipe do projeto: realizar treinamento onde as normas e os procedimentos deverão ser colocados para a equipe de trabalho, a fim de que a mesma execute as atividades com produtividade, qualidade, segurança
e dentro dos prazos contratados.

- Gerenciar a equipe do projeto: controlar a produtividade, a qualidade dos serviços, a segurança e a realização dentro dos prazos contratados. Também faz parte observar o comportamento da equipe, administrar conflitos, resolver problemas e coordenar eventuais mudanças do empreendimento.

Realizar a gestão de Recursos Humanos nos empreendimentos traz a necessidade de ser utilizados instrumentos, ferramentas e técnicas, para que o sucesso seja o resultado mais provável do projeto. Segundo o texto do curso de Gestão Projetos da UCB, são elas:

Emissão do organograma e descrições de cargos (planejamento de RH).
Elaborar gráficos de hierarquia.
Elaborar matriz de responsabilidades.
Formatos orientados a texto.
Teoria organizacional (planejamento de RH).
Pré-designação (contratar e/ou mobilizar a equipe do projeto).
Contratação ou mobilização (contratar e/ou mobilizar a equipe do projeto).
Equipes virtuais (contratar e/ou mobilizar a equipe do projeto).
Habilidades de gerenciamento geral (desenvolver a equipe do projeto).
Treinamento (desenvolver a equipe do projeto).
Atividades de formação da equipe (desenvolver a equipe do projeto).
Regras básicas (desenvolver a equipe do projeto).
Reconhecimento e premiações (desenvolver a equipe do projeto).
Observação e conversas (gerenciar a equipe do projeto).
Avaliações de desempenho do projeto (gerenciar a equipe do projeto).
Gerenciamento de conflitos (gerenciar a equipe do projeto).
Registro de problemas (gerenciar a equipe do projeto).

Concluo afirmando que o sucesso de qualquer projeto passa necessariamente por uma boa e qualificada gestão de pessoas. Não tenho receio de afirmar que muitas organizações têm seus resultados comprometidos, por não observarem como anda a gestão de pessoas dentro de seus empreendimentos. O gestor tem que ter apoio da alta direção, ter autonomia, ter habilidades técnicas e pessoais, ser carismático e, principalmente, ser um líder. Não tenho dúvidas de que o projeto sofrerá revezes durante todo o período de sua execução se essas características do gestor e da gestão não forem observadas.

Palavras-chave: | inovação |

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COMENTÁRIOS (1)
Jose Ramos de Melo em 30/10/2009:
Um ponto crítico na gestão de pessoas e a nossa herança cultural de que pessoas podem ser tratadas como recursos, objetos, números, coisas e a realidade mostra exatamente o contrário dessa visão, daí os grande abismos gerenciais e as dificuldades de se alcançar os resultados em determinados momentos. Penso que só após várias gerações no futuro é que teremos uma nova cultura consolidada, onde se priorize as pessoas e se tenha a visão de sua importância histórica e para o negócio. Porque uma coisa é o discurso de que as pessoas são o mais importante capital de nossa empresa e a outra e a realidade desse discurso. Parabéns Valdair pela sensibilidade e contribuição!

 
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