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03/11/2009
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Grupo Pão de Açúcar: exemplo de como superar uma crise

Por Márcio Silva para o RH.com.br

Com o plano Collor de 1990, o Pão de Açúcar enfrentou uma grave crise, ao mesmo tempo em que seu concorrente disparava na liderança, e o pior de tudo, de um segmento que ele mesmo introduzira no Brasil: dos hipermercados. Como muitas organizações da atualidade que não conseguem enxergar e superar seus defeitos, o Pão de Açúcar percebe sua "fraqueza" ao se deparar com um período de recessão com taxas de juros de 40% ao ano e retração da demanda. Tornou-se o momento de despertar do sonho e sono profundo, pois a consequência imediata deste cenário foi uma grave crise de liquidez. Era o momento de renascer das cinzas.

A empresa estava tornando-se um enorme "elefante branco", carregando o peso de sua estrutura e processos de gestão incontroláveis. Dá-se início ao processo de reestruturação, o qual teve como objetivo principal recuperar a eficiência perdida, principalmente nas fases de expansão e que culminaram em um sistema organizacional difícil de gerir. O gigantismo do Grupo Pão de Açúcar, o qual cresceu para áreas de negócios diversas da atividade principal, contribuiu para o acúmulo de problemas e a perda do foco do negócio, o que acabavam por gerar conflitos de posicionamento.

O distanciamento do cliente também foi consequência de sua perda de foco e gigantismo. Parecia não haver preocupação em fornecer ao cliente produtos e serviços diferenciados da concorrência, visto que a variedade de itens era reduzida. Com as dificuldades internas, colaboradores desmotivados, instalações descuidadas e distanciamento dos clientes, o Grupo acabou passando uma imagem de supermercado desorganizado, preços altos e mau atendimento.

Nos anos de 1991 e 1992 o Grupo Pão de Açúcar inicia seu processo de reestruturação, focalizando-se em sua atividade principal e vendendo agências de automóveis, banco e tudo que não estivessem vinculados ao seu foco. No nível interno foi quebrada a estrutura antiga de poder e dominação, substituindo lideranças através de promoções internas de executivos ou recrutamento e seleção de profissionais no mercado que tivessem o perfil de competência desejado. Com isso, o clima organizacional começou a mudar com líderes sem vício e focados no negócio.

Para captar recursos, o Grupo inicia a abertura de capital com ações no mercado brasileiro e outras estratégias que resultaram num montante de mais de 100 milhões de dólares em 1995, dando condições para implementar sua estratégia mercadológica partindo-se de um novo posicionamento: O Pão de Açúcar é um supermercado de vizinhança que oferece a melhor variedade de produtos de qualidade, particularmente forte em perecíveis. Facilita as compras em um ambiente agradável e inovador com preços competitivos, justos e atendimento personalizado.

Dentro de seu planejamento mercadológico focalizou-se quatro grandes objetivos:

1. Recuperação da imagem e estabelecimento de nova identidade: buscou-se dar maior visibilidade às mudanças que estavam ocorrendo na empresa, veiculando campanhas através dos meios de comunicação de massa, ampliando as opções de compra ao cliente e estabelecendo uma imagem de qualidade.

2. Reaproximar o cliente antigo e conquistar novos clientes: a ideia era manter os clientes antigos e conquistar nova freguesia ao negócio, segundo princípios de Peter Drucker. Preços baixos, facilidade de pagamento, serviços de valor agregado e valorizar o consumidor foram as estratégias adotadas para a grande mudança.

3. Conservar o cliente: ampliar o número de itens oferecidos, inovar nos itens, valorizar o colaborador, oferecer um ambiente agradável e qualidade e rapidez no atendimento foram os alvos deste objetivo, que teve como foco a fidelidade do cliente e ganhos de produtividade. Neste aspecto ações como fornecimento de mais produtos, criação de marcas próprias, limpeza e reforma das lojas e informatização e modernização foram fundamentais para o alcance dos objetivos.

4. Aumento do faturamento: a concentração da comunicação em períodos favoráveis à compra fez parte da estratégia, onde a comunicação de produtos era reforçada no início do mês, proporcionando ao cliente mais ofertas e maior volume de vendas ao Pão de Açúcar.

O Grupo melhorou sua imagem perante o mercado, restabeleceu seu foco de negócio, reduziu custos operacionais, incentivou a fidelização do cliente, enfim, ressurgiu como uma empresa melhor, mais organizada e competitiva. Lições como esta nos mostra que não devemos ficar apenas olhando para crise e seus efeitos, mas sim enxergar nela oportunidade de se reinventar e tirar vantagem da mudança tornando-se mais competitivos.

Para superar a crise todos nós - colaboradores, diretores e presidentes - precisamos enxergar esta como uma oportunidade e em um verdadeiro "time" nos ajudarmos mutuamente, sabendo que o foco no negócio e cliente, comprometimento e motivação de todos, é fundamental para o sucesso.

Há mais de oito anos em minhas palestras e meus treinamentos realizados em todo o Brasil sempre falo que "parar de crescer é prenúncio de morte e não mudar tem mais probabilidade de dar errado do que mudar". Saiamos da zona de conforto e medo, arregacemos as mangas e façamos a diferença em tempos de crise.

Aqueles que sobreviverem e criarem diferencial competitivo serão lembrados como case de sucesso, mas os que se deixarem ser derrotados serão logo esquecidos. Tire vantagens da crise e estabeleça-se no mercado.

Palavras-chave: | adversidade | estratégia |

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COMENTÁRIOS (2)
Cássia em 06/11/2009:
Prezado Márcio Textos assim nos fazem refletir sobre os momentos de crise, sejam eles nas organizações ou nas nossas vidas. É como se diz em sânscrito: Crise quer dizer cria, que significa purificação, depuração. Momento de revermos as situações, modelos de gestão, etc.

Glaucia Rolemberg em 04/11/2009:
É muito edificante quando temos acesso a informações como estas. Esse é o mundo corporativo, onde reinventar soluções pode nos fazer deslanchar ao sucesso! Falamos muito em comprometimento da equipe, foco do negócio, planejamento estratégico ... Mas, com toda certeza, para que tudo isso seja funcional, precisamos estar atentos as mudanças e, "em tempo de mudanças, os que aprendem herdam a terra, enquanto os que já aprenderam encontram-se equipados para lidar com um mundo que não mais existe". Eric Hoffer Sucesso a todos nós!

 
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