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18/01/2010
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Inteligência Competitiva

Kelly Guarnier

Sabemos, mediante estudos realizados por Howard Gardner (1985), que os seres humanos possuem inteligências múltiplas (verbal, lógica, musical, cinestésica, intrapessoal, interpessoal e espacial) que coexistem em maior ou menor grau e que podem ser desenvolvidas ou "atrofiadas". Podemos fazer menção à Lei do "Uso e Desuso", de Lamarck, na qual "o uso de um dado órgão leva ao seu desenvolvimento. Isto é, se um órgão é muito utilizado desenvolve-se, tornando-se mais forte, vigoroso ou de maior tamanho devido a mais fluídos que se concentram neles e o desuso de outro órgão o conduz à sua atrofia e, eventual, desaparecimento". O mesmo pode acontecer com a "provocação" e o estímulo a uma determinada inteligência.

Desta maneira, podemos pensar que, se estimulados, e tivermos o anseio, podemos desenvolver algumas aptidões que, em um primeiro momento, não demonstramos e até acreditamos que não somos capazes de realizar. Quem nunca ouviu história de artistas que só se descobriram como tal na idade adulta?

E ainda, existe outra inteligência muito falada que é a Inteligência Emocional e está diretamente ligada à capacidade de interagir e se relacionar assertivamente nas diversas situações. Ao conhecer a si mesmo, seus limites e ter a sensibilidade para perceber o limite do outro é possível contribuir para a harmonia do ambiente e para que haja sempre uma troca positiva para todos.

Assim, se pensarmos em uma realidade corporativa, onde estas inteligências são requeridas pelos profissionais e, principalmente, é corriqueira a discussão de como estas inteligências estão alinhadas aos resultados que precisam entregar, podemos fazer algumas reflexões sobre o assunto. Sempre ouvimos falar, que o mundo globalizado está cada vez mais competitivo e que as empresas precisam se diferenciar; seja pela qualidade do seu produto, seja pela qualidade do seu atendimento ao cliente ou ainda, pelos dois fatores somados. Para tanto, se o target das empresas é a diferenciação, os profissionais também devem possuir características especiais que os diferencie uns dos outros e que os permita fazer a diferença em sua entrega.

E muitas vezes, as pessoas se esquecem de olhar para si, de considerar suas forças e características as quais precisam desenvolver-se e preferem ater-se ao brilhantismo do outro e se incomodar com o sucesso alheio. Neste momento, proponho pensarmos em uma nova inteligência, que podemos chamar de Inteligência Competitiva - definida como a capacidade de através do autoconhecimento, buscar o desenvolvimento, ou seja, quanto mais nos conhecemos e temos consciência de onde estamos e para onde queremos ir, podemos traçar um plano de desenvolvimento individual, balanceando o tipo de pessoa e que tipo profissional que queremos ser. A partir de então, a competição começa a ser feita com nós mesmos e a corrida contra o tempo passa a ser realizada com o propósito fazermos o gol na trave das nossas próprias metas.

Muitas vezes, ao olhar para o sucesso do outro e tentar qualquer tipo de sabotagem, o gol pode ser na trave da "autoexposição" desnecessária e as consequências podem recair sobre nós mesmos. E nossa imagem pode ficar marcada por uma ignorância competitiva. Ao contrário, o exercício é praticarmos nossa inteligência e lutarmos por aquilo que nos faz melhores e aproveitar do outro o que pode nos acrescentar e também compartilhar nossa sabedoria. Esta troca só tem a somar e trazer ganhos para todos. E existe uma grande probabilidade de, a pessoa pela qual você comemorou a vitória, ser um grande impulsionador para a sua também!

 

Palavras-chave: | inovação | gestão da inteligência |

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COMENTÁRIOS (6)
Kelly Guarnier em 30/01/2010:
Agradeço todas as contribuições sobre o texto, uma vez que acredito ser o objetivo do site provocar reflexões e debates sobre temas contemporâneos que observamos no mundo corporativo. A meu ver, a palavra que pode traduzir o texto de forma mais significativa é mudança, pois, no cenário atual, os profissionais precisam estar dispostos às "enfrentar as mudanças" ou, ao menos, estarem sensíveis a entendê-las... Para isso podemos refletir no conceito das inteligências múltiplas que, de acordo com estudos feitos sobre Gardner diz "A Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner (1985) é uma alternativa para o conceito de inteligência como uma capacidade inata, geral e única, que permite aos indivíduos uma performance, maior ou menor, em qualquer área de atuação". Esta frase fecha a discussão do texto com a seguinte mensagem: só depende de nós a qualidade da nossa performance e resposta aos estímulos externos, sejam eles provenientes do trabalho ou convívio social. Para leitura complementar: Gardner, H. The mind's new science. New York, Basic Books Inc., 1987 / Blythe, T.; Gardner, H. A school for all intelligences. Educational Leadership, v.47, n.7, p.33-7, 1990

Leandro em 26/01/2010:
Esta ótimo o artigo ! Este assunto concerteza tem que ser triplicado nas organizações, porque ainda há muitas pessoas desmotivadas, pelo fato de pensar o que a outras pessoas conseguem e por que ela não conseguem, estão levando discussões sobre auto inteligência competitiva, vai ter mais produtiva e o trabalho em equipe.

Maria Celia Ladain em 23/01/2010:
Excelente! Um assunto que deveria ser mais discutido no ambiente corporativo a fim de minimizar os efeitos da cruel competitividade atual. Quando há o conhecimento de suas potencialidades individuais o ser humano passa a recorrer mais aos próprios créditos do que na destruição do crédito alheio para alcançar seus objetivos. Muito reflexivo e bem escrito este artigo. Parabéns pela postagem!

Alba Vieira de Souza em 22/01/2010:
Parabéns! O assunto é realmente muito interessante, e não tem coisa melhor do que investir em si mesmo, sempre buscando ter a mente ativada e para isso devemos nos exercitarmos lendo, se atualizando, se relacionando e mostrando o que temos de bom em prol do bem comum. Parabéns!

Neide Dantas em 21/01/2010:
Ótima reflexão proposta pelo artigo! Investir em autoconhecimento é fundamental para o desenvolvimento pessoal e profissional. Para esta empreitada de autoconhecimento, recomendo o livro Descubra seus Pontos Fortes de Marcus Buckingham & Donald O. Clifton. Parabéns pelo artigo, Kelly!

Bárbara Borges em 18/01/2010:
Mais uma vez falamos da necessidade de nos conhecermos cada vez mais, para que possamos buscar uma maior amadurecimento e, dessa forma, obtermos melhores resultados sobre aquilo que queremos para nossas vidas. No ambiente corporativo, vemos, e muitas vemos dizemos a nós mesmos, que tudo é muito dinâmico e nem sempre temos essa chance, e que não há tempo. O texto da Kelly mostra claramente que essa chance está presente todos os dias. É uma questão de querer e de lembrar que há outros a nossa volta que podem ter esse mesmo desejo, e podem ser nossos parceiros na empreitada. Com o outro, posso aprender mais sobre mim e isso pode ser uma via de mão-dupla. E assim, crescemos juntos. Parabéns pelo texto e por nos fazer pensar sobre o conceito de inteligência competitiva, que deve ser, acima de tudo, construtiva.

 
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