Por Alice Maria Salgado Gonçalves para o RH.com.br 
A celeridade da difusão da cultura tecnológica e a circulação instantânea da informação, provocadas pela desregulamentação geral da economia, fazem com que as organizações vivam sob uma pressão concorrencial extraordinária.
Para enfrentar este panorama as estratégias são diversas e expressões como "Capital Intelectual", "Gestão do Conhecimento", "Inovação" e "Inteligência Competitiva" já se tornaram palavras de ordem em muitas empresas. Estes paradigmas caminham em paralelo, mas qual será a relação entre eles?
Nesta economia de competitividade global onde a concorrência utiliza cada vez mais sofismas, para que uma organização se posicione com sucesso no mercado tem de transformar rapidamente a informação em conhecimento, o conhecimento em decisões e as decisões em estratégias. Fazer o mesmo que fazem os concorrentes, mas aumentando-lhe a eficácia operacional, é insuficiente para considerar o processo estratégico. Para termos uma estratégia necessitamos de actuar com audácia e inteligência, para assumir uma posição de comando.
A Inteligência Competitiva objectiva analisar as tendências do mercado, através de processos estratégicos, para descobrir oportunidades de negócio. Para que a informação captada e processada pela organização se transforme em conhecimento útil, deve ser implementado um sistema de gestão do conhecimento com metodologias e tecnologias eficazes e pessoas preparadas para potencializar a melhoria continua do sistema integrado de competitividade organizacional.
Há situações em que a Gestão do Conhecimento não traz qualquer valor acrescentado para a organização, sendo por isso uma má gestão. Pensemos por exemplo, num processo de disseminação do conhecimento: quantas empresas formam os seus colaboradores com o único objectivo de cumprir requisitos legais. Por que não o fazem com o único propósito de capitalizar os seus activos humanos? Cumprem na mesma a lei, formam as pessoas em áreas estratégicas e fazem uma gestão consistente.
É o que fazem as empresas que adoptaram a Educação Corporativa para a sua cultura e já está mais que provado que este sistema aumenta a competitividade organizacional, colocando a empresa num nível de liderança.
É comum ver a definição de Inteligência Competitiva como a recolha de informação no ambiente externo e posterior análise e processamento para se transformar em conhecimento vantajoso para a tomada de decisão. Mas este processo é muito mais complexo. Ser inteligência é usar o conhecimento de forma adequada, mas também gerá-lo e torná-lo em ideias inovadoras à disposição da organização e dos seus stakeholders.
Acima de tudo temos que ser inovadores. Ou como vamos nós correr à frente dos nossos adversários? Temos que primar pela diferença positiva! Inovação gera inovação, por isso uma organização deve tornar a arte de inovar numa prática comum, tal como se diz bom dia todas as manhãs, através sistemas flexíveis de gestão e alimentar o ego do seu capital humano criando equipas de alto desempenho.
Deste conceito faz também parte uma atenção permanente a tudo, não pôr nada de lado, para tentar adivinhar de onde pode vir, o que nos poderá levar à asfixia. O perigo nem sempre está no exterior, muitas vezes está dentro da própria organização, provocado por sistemas rígidos de gestão. Pode até nem estar nos concorrentes actuais, sendo por isso necessário, conhecer os produtos e os métodos do futuro.
Inteligência Competitiva é, ainda, mostrar com ousadia aos outros as nossas habilidades, o quanto somos inteligentes! Que somos os melhores! E sê-lo realmente! A nossa confiança vai aniquilar o atrevimento deles.
Um bom exemplo de inteligência competitiva é a multinacional RE/MAX, uma empresa líder mundial no mercado imobiliário. Se visitarmos os seus sites lemos frases do género "Ninguém no mundo vende mais imóveis que a RE/MAX". A mentalidade deles é tremenda, porque a empresa aposta na formação, na valorização dos seus talentos e eles têm por isso, permanentemente uma atitude vencedora.
Se perguntarmos a um dos seus administradores, qual a sua estratégia a curto e a médio prazo? Que projectos estão a ser desenvolvidos? Na área da inovação, o que está a ser feito? Ele responde com toda a clareza e sem receio de mostrar os seus "segredos". Incrível, não é?
No entanto não é prática comum revelar as acções de Inteligência Competitiva, ou por questões culturais ou pelo seu suposto carácter de sigilo profissional. Diga-se, portanto, que só o fazem os mais inteligentes. Um profissional de inteligência competitiva opta por uma estratégia dinâmica como os mercados e se alguém tenta imitá-lo ele já vai mais adiante. Garantidamente num ponto qualquer do planeta, já alguém está a preparar um produto, um método, um serviço, que destruirá o nosso amanhã.
Palavras-chave: | inovação | gestão da inteligência |
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