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30/03/2010
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Há pequenos príncipes na sua empresa?

Por Floriano Serra para o RH.com.br

Desde que foi lançado em 1943, o livro "O Pequeno Príncipe", do jornalista e piloto francês Antoine de Saint-Exupéry já vendeu mais de 80 milhões de exemplares e foi traduzido para, pelo menos, 160 idiomas, atravessando gerações. Apesar desse sucesso fenomenal, ainda hoje encontramos pessoas pedantes e insensíveis que desqualificam essa extraordinária obra - que, aliás, é um dos meus livros de cabeceira - há décadas. Essas pessoas: não sabem o que dizem e nem o que estão perdendo. Aliás, a explicação para essa atitude está no próprio livro: "só se vê (ou se lê) bem com o coração". Lóóógo...

Há algum tempo visitei a exposição do Pequeno Príncipe na OCA, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Uma festa para os olhos e para a alma. Havia magia e emoção no ar. Havia ternura e empatia entre os presentes - quase uma cumplicidade. E eu não pude deixar de pensar que tudo aquilo era exatamente o que está faltando à maioria dos dirigentes e gestores das organizações. Como o leitor deve saber, o atual ambiente hostil e cruel de muitas empresas está preocupando estudiosos, profissionais da saúde, entidades ligadas aos direitos humanos e à qualidade vida - e até autoridades governamentais. A disseminação das mensagens humanas, pacíficas e sensíveis do Pequeno Príncipe certamente ajudariam muito a transformar o local de trabalho em centro de lucros e realizações e não de ameaças e sofrimentos.

Mas se nem os suicídios anunciados, nem o mortal estresse que assola as empresas, na forma do terrível burnout, nem o aumento dos processos trabalhistas por assédio moral - se nem esses dramas, prejuízos e ameaças estão sensibilizando aquelas organizações para a necessidade de uma urgente revisão da qualidade das relações no trabalho e das formas de pressão para aumento de produtividade, é difícil imaginar o que poderá ser feito para mudar o quadro. Pela mesma razão é fácil imaginar porque o Pequeno Príncipe não tem acesso a essas empresas. E, no entanto, há tantas boas lições de liderança descritas pelo principezinho...

- "Cativar é criar laços. Se tu me cativas, teremos necessidade um do outro".
Haverá melhor maneira de se obter o espírito de equipe, a lealdade, a parceria e o comprometimento? Bastará ao gestor cativar seus colaboradores. Simples assim.

- "O essencial é invisível para os olhos".
Não seria esta a melhor forma de conduzir os processos de seleção de pessoal? Buscando descobrir a essência dos candidatos ao invés dos seus títulos acadêmicos?

No livro, quando um desenho é mostrado às pessoas com a pergunta: "este desenho te dá medo?", a resposta dos adultos sempre é: "por que o desenho de um chapéu me daria medo?" O pessoal que anda tão interessado em criatividade e inovação deveria ler pelo menos esse trecho para descobrir que não se trata de um chapéu. Como se pode falar de inovação e criatividade quando se vê teimosamente um chapéu num desenho que mostra, no seu significado, toda a capacidade da fantasia e da imaginação?

A maioria das empresas hoje parece povoada por "cogumelos" - que, na sua indignação, é como o Pequeno Príncipe chama as pessoas que só pensam em coisas "sérias", como números, contas e resultados... - pessoas que "nunca cheiraram flores, olharam estrelas e nunca amaram ninguém".

Enfim, certamente não será este artigo que fará as empresas darem crachá ao Pequeno Príncipe. Nem será por causa dele que alguma empresa designará um dia e hora para que todos os seus funcionários visitem a exposição. Ou, quem sabe, aproveitando o Natal, distribuam o livro para suas equipes. Não creio. Se isso acontecer (e eu gostaria de ser informado), prefiro acreditar que será um milagre de Natal. De qualquer maneira, fica aqui a sugestão.

Enquanto isso, O Pequeno Príncipe continuará sua jornada de encantar pessoas de 8 a 80 anos. Diante desse continuo sucesso do livro, só resta aos resistentes e críticos torcerem os próprios narizes. Ou tentarem a experiência de cativar alguém. Penso que não há muito que hesitar entre ficar de nariz torto ou ganhar uma legião de amigos e de colaboradores felizes.

 

Palavras-chave: | programa motivacional | inovação |

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COMENTÁRIOS (4)
JUNIOR MESQUITA em 28/05/2010:
PARABÉNS PELO ARTIGO. JÁ LÍ VÁRIAS VEZES O LIVRO DE EXUPERRY E REALMENTE É MARAVILHOSO. PENSO QUE A MAIORIA DAS EMPRESAS DEVERIAM REALMENTE CATIVAR ,ENCANTAR E FIDELIZAR NÃO APENAS SEUS CLIENTES, MAS TAMBÉM SEUS COLABORADORES. INFELIZMENTE A PRINCIPAL MOTIVAÇÃO QUE OFERECEM A SEUS TRABALHADORES SAO CHANTAGENS DE DEMISSÃO QUANDO AS METAS NÃO SÃO ATINGIDAS,LAMENTÁVEL.

jocimar bertelli em 20/04/2010:
Bellíssimo artigo parabéns. O "pequeno príncipe..." sempre foi o meu livro preferido e quando fui a Paris a minha maior preocupação era ter que comprar o livro na lingua original, somente depois de tê-lo em mãos fui em busca das tradicionais lembrancinhas. Após 10 anos fora do Brasil retorno para o setor de RH e a única coisa que estou aprendendo é a ler nos olhos dos candidados se o que eles estão buscando é um emprego que lhes ajudem a serem pessoas melhores e mais felizes... o resto virá com o tempo. Obrigada!

Luana em 20/04/2010:
Excelente! Realmente sinto que hoje as empresas não pensam em seus funcionários como seres humanos, que necessitam de um ambiente favorável para desempenharem seus talentos de forma satisfatória. Apenas os enxergam como números, que produzem mais números e são cobrados numericamente... enfim, vivemos em um mundo onde não há mais espaço para a crueldade e falta de humanismo e se não inciarmos o processo de desconstrução de dentro de nossas casas e empresas, de nada adianta esperarmos por um mundo melhor. E se as empresas acreditam que não serão influenciadas por nada disso é só pensarem um pouco, pois ser humano e ambiente são totalmente inseparáveis e quando um vai mal o outro certamente irá também. Fica então a lição do memorável Pequeno Princípe, simples, sábio e o mais cativante de todos os tempos! Parabéns pelo artigo!

Fatima Oliveira em 02/04/2010:
Achei muito interessante o seu texto, seria muito bom mesmo se todas as empresas voltassem seus focos para o desenvolvimento de talentos internos, algumas vezes elas buscam capital intelectual novo, e acabam perdendo as pessoas que já tem na casa. É claro que te tornas eternamente responsável por aquilo que te cativou, ou que cativastes. Para o profissional é muito importante ser reconhecido pela empresa, ele acaba vestindo e suando a camiseta quando cativado por ela. Parabéns !

 
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