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14/06/2010
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Educação empreendedora – Um novo olhar para o mundo do trabalho

Por Orlando Barbosa Rodrigues para o RH.com.br

Certa vez, participei de um evento em Brasília denominado "Feira do Candidato". Posso explicar: Não se trata de candidatos a cargos políticos do Congresso Nacional. A feira que aconteceu na área de eventos do Shopping Pátio Brasil, é também conhecida como Feira do Concurseiro. Uma feira destinada às pessoas que desejam aprovação em um concurso público. Na ocasião, fui convidado a ministrar uma palestra cujo tema é homônimo deste artigo.

Pode parecer estranho para alguns falar de educação empreendedora ou, propriamente, empreendedorismo, para uma plateia que investe muito dinheiro em cursinhos preparatórios, livros e apostilas, tentando tornar possível o sonho de ser um servidor público.

Entretanto, a proposta de educação empreendedora, hoje difundida em muitas escolas e também em empresas, tem por objetivo a criação de um ambiente "cultural" favorável ao desenvolvimento do espírito empreendedor; ou melhor, proporcionar atitudes ou ações desenvolvedoras do autoconhecimento.

Esse ambiente cultural não está, necessariamente, restrito a escolas de formação técnica ou profissionalizante e, muito menos, restrito ao ensino superior. A educação empreendedora deve estar presente na sociedade como um todo, a partir de modos de pensar que contribuam para o empreendedorismo.

Não se trata de ensinar as pessoas a serem empreendedoras no sentido de abrir seu próprio negócio, ser seu próprio patrão. O empreendedorismo não se limita a sair aventurando por aí em negócios fadados a morrerem antes do quinto ano de existência, como apresentam as várias pesquisas sobre o assunto.

Empreendedorismo é um processo de criação de algo com valor, mediante dedicação de tempo e esforço; assumindo riscos, na expectativa de ser recompensado no futuro. E isso pode e deve ser feito em qualquer área da atividade humana.

O empreendedor é aquele indivíduo que sabe aproveitar as oportunidades que lhe surgem para promover mudanças em seu futuro e no futuro das pessoas que o cercam.

A educação empreendedora facilita o desenvolvimento dessa mentalidade, embora ainda tenhamos um modelo de educação praticado nas escolas, que preserva padrões antiquados, onde o aluno é mero sujeito passivo de seu processo de aprendizagem.

Quando são lançados ao mercado de trabalho, os jovens, em sua maioria não têm preparo para empreender e, acomodados, esperam uma oportunidade de se tornarem assalariados em um bom emprego.

Mas o emprego está acabando em todo o planeta, agora agravado pela crise mundial. É necessário então, num mundo sem emprego, estar empregável. A empregabilidade, entretanto, não se limita a ter uma carteira assinada e exige das pessoas estarem preparadas para as oportunidades de trabalho que surgem.

De acordo com GEM (Global Entrepreneuership Monitor), o jovem brasileiro é o terceiro mais empreendedor do mundo, atrás apenas dos iranianos e dos jamaicanos, porém, o espírito empreendedor de nosso povo aflora em momentos de crise financeira, desemprego e atividade informal.

Proporcionar nas pessoas uma mudança de cultura, desde os primeiros anos da idade escolar, modificando espíritos acomodados, insuflados pela síndrome de Zeca pagodinho (Deixa a vida me levar, vida leva eu...) é a desafiante tarefa da educação empreendedora.

Faz-se necessário então que as instituições (escolas, governo, empresas, comunidade em geral) contribuam para o desenvolvimento de uma mentalidade baseada no modelo de educação empreendedora. As empresas de modo geral, têm uma parcela importante de responsabilidade quanto a desenvolver essa mentalidade em seus colaboradores, através de seus programas, projetos e ações voltadas para seu público interno e externo, seus produtos e serviços. Que este seja mais um desafio, a ser vencido por cada cidadão desse nosso país.

 

Palavras-chave: | aprendizagem | empreendedorismo |

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COMENTÁRIOS (1)
Sandra Sueli Couto Guerra em 19/06/2010:
Muito bem colocada sua observação quando diz que nossas escolas mantém padrões antiquados e que o aluno é mero sujeito passivo de uma aprendizagem que não colabora para o desenvolvimento e amadurecimento de um cidadão participativo. Precisamos de uma formação consistente voltada para nossa realidade, fora do âmbito escolar, com padrôes de moral e ética, que não seja esta imposta pela mídia. Nossas escolas estão pedindo socorro para que nossos professores sejam capacitados, valorizados e que possam ter um apoio de profissionais de gestão de pessoas, desenvolvendo assim estratégias de melhorias nas relações interpessoais, defendo a crição de RH nas escolas.

 
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