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22/02/2011
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O que blog tem a ver com clima organizacional?

Por Jurema Luzia Cannataro para o RH.com.br

Já dizia a sabedoria popular: se não pode com eles, una-se a eles. Há algum tempo (não tanto tempo assim), as organizações deixaram de discutir tão acirradamente se o acesso dos funcionários à internet, principalmente no que se refere às redes sociais, deve ser "permitido" ou "proibido".

As empresas que têm maior agilidade no processo de decisão e incorporação de mudanças perceberam que, ultrapassando essa discussão primária, está a oportunidade de aproveitar o melhor possível as novas tecnologias, pois creio que ninguém tem dúvida de que elas vieram para ficar. É um processo irreversível. E aquelas que contam com uma parcela expressiva de colaboradores pertencentes à geração Y (e daqui a uns cinco anos, à geração Z) estão sentindo isso ainda mais intensamente.

Fonte permanente de pesquisa - Atualmente, é possível encontrar na internet blogs, redes sociais e fóruns de discussão dedicados aos mais variados assuntos e em termos mundiais. E não só para lazer, passatempo ou relacionamento social. Já é de senso comum que essas mídias podem converter-se também em importantes instrumentos de trabalho, principalmente no que se refere a pesquisas, troca de informações e resolução de problemas.

É claro que é sempre necessária uma filtragem nos dados acessados, pois se encontram na internet informações de valor e também muita coisa sem sentido, confiabilidade ou serventia.

Mas a proposta que quero analisar não se refere à participação em blogs com acesso livre na internet. A ideia é a empresa formar também um blog interno ou mesmo redes sociais e fóruns de discussão internos, ou seja, com acesso restrito aos funcionários da organização. E é aqui que entra a pergunta do título: o que blog tem a ver com clima organizacional?

Além de ter a função já descrita acima, de atuar como instrumento para resolver problemas em conjunto, compartilhar conhecimentos e expertise e fortalecer relacionamentos, um blog interno (ou as demais mídias sociais internas) pode servir aos profissionais de Recursos Humanos da empresa e às lideranças como uma fonte permanente de "pesquisa de clima organizacional".

Nas linhas e entrelinhas - O que se faz tradicionalmente em termos de clima organizacional é realizar, a cada um ou dois anos, uma pesquisa formal para detectar os pontos de satisfação e insatisfação dos colaboradores. Para funcionar, essa pesquisa precisa ser abrangente e profunda. Pode-se dizer que ela analisa o clima da empresa do ponto de vista estrutural, ou seja, problemas consistentes e persistentes, que vão requerer ações mais aprofundadas para correção ou melhoria. E, nesse sentido, tem um papel fundamental no aperfeiçoamento das condições de trabalho.
Mas, e no espaço entre uma pesquisa e outra, o que se faz para detectar o clima organizacional?

Além das questões estruturais, existem as conjunturais. As empresas passam por situações dinâmicas todos os dias, que podem ser tanto positivas quanto negativas: conquista de novos clientes ou mercados; lançamento de novos produtos; recebimento de prêmios de qualidade; perda de market share; incidentes de qualidade; acidentes de trabalho etc.

Como os colaboradores estão reagindo a uma determinada situação naquele momento? Somente a intuição, as conversas informais ou, o que é pior, os boatos, podem não ser suficientes para se ter uma perspectiva mais abrangente da reação e do sentimento das pessoas na empresa, de forma a permitir uma análise, tomada de decisão e ação para reforçar os aspectos positivos ou tentar reverter ou amenizar os negativos, na ocasião em que os acontecimentos ainda estão processando-se, em vez de daqui a um mês ou um ano.

Tomemos como exemplo a introdução de uma nova tecnologia na empresa. Isso está sendo visto (e sentido) pelos funcionários como fato favorável ou desfavorável? E qual a "extensão" da adesão ou resistência à mudança? O blog ou fórum de discussão interno pode fornecer pistas valiosas a respeito do "clima que está pairando" na empresa.

É claro que o grau de qualidade e confiabilidade das informações e impressões colhidas através dessas mídias vai depender do estilo de liderança e de gestão que é preponderante na empresa. Os funcionários só serão sinceros e estarão predispostos a opinar e sugerir se houver na organização um clima de abertura que estimule esse comportamento. E desde que esses recursos jamais sejam usados como "caça às bruxas" frente àqueles que se dispuserem a se expor.

As questões conjunturais, tanto quanto as estruturais, também se refletem no desempenho, no comprometimento, na motivação e no bem-estar dos colaboradores e, consequentemente, nos resultados gerais da empresa.

Nesse sentido, o uso atencioso e sensível das impressões e opiniões colhidas nas linhas e entrelinhas das mídias sociais internas pode ser um reforço valioso na tarefa de criar um clima organizacional favorável ao pleno desenvolvimento das competências, das habilidades e das atitudes positivas das pessoas na empresa.

 

Palavras-chave: | tecnologia | clima organizacional |

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COMENTÁRIOS (3)
Flávio Rosa em 07/11/2011:
Olá. Com toda a sinceridade que posso dispor nesse momento, acho que ainda não chegou o momento para a implantação de um blog corporativo que irá render os resultados esperados. Ainda não é o momento, pois esse tipo de mídia não possibilita a forma de retorno esperado pela gestão.

Tatiane em 21/06/2011:
Olá. Meu comentário é sobre a seguinte colocação no texto: "[...]colaboradores pertencentes à geração Y (e daqui a uns cinco anos, à geração Z)[...]". Desta forma dá a entender que a geração Y transformar-se-á em geração Z daqui a cinco anos, o que é uma inverdade, pois o marco entre as gerações se dá através do espaço de tempo em que os pertencentes à determinada geração nasceram. Portanto, uma vez nascido na geração Y, pertencerá sempre à geração Y, independente de quantos anos se passarem.

Thelema Coaching em 13/06/2011:
Boa noite. Sou coach e trabalho com executivos. Acho que um grande problema que vejo nas empresas é do líder microgerenciando os funcionários. Joga-se fora o tempo, inspecionando se ele está em blogs, facebook, twitter, etc. Muito menos tempo seria perdido, como também haveria menor desgaste entre as partes, se o foco da questão fossem os resultados trazidos para a empresa: prazos cumpridos, tarefas realizadas com qualidade e metas alcançadas. Outro detalhe que você aborda no texto é sobre a criação de uma rede interna. Acho que isso depende muito do estilo de liderança que se tem na empresa. Se o líder incentiva uma boa comunicação na empresa, ouve os seus funcionários e tem um perfil bem modulado para não gerar intimidação e medo nos seus liderados, isso seria apenas mais um canal de comunicação, mas não absolutamente necessário, já que os funcionário seriam incentivados a se sentiriam confortáveis para expor suas opiniões. Caso contrário, seria mais uma ferramenta implementada a ermo, que não traria resultados, visto que os funcionários teriam receio de se expor e terminarem perdendo o seu emprego. Também tenho um blog: thelemacoaching.blospot.com.br Sinta-se à vontade para visitá-lo e comentar os temas. Um grande abraço, Maria Olívia Machado

 
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