O site de referência sobre Gestão de Pessoas.
O 6º ConviRH termina nesta
sexta-feira às 12h
Pesquisar
« Pesquisa Avançada »
02/04/2004
RH » Mudança » Entrevista Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Espiritualidade, empresas e pessoas

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Quando o assunto espiritualidade surge no mundo organizacional, muitos gestores ainda acrediram que esse tema esteja relacionado diretamente a práticas religiosas e que, caso o estimulem, poderão surgir sérios conflitos no ambiente de trabalho. No entanto, a prática da espiritualidade nas empresas assume um papel diferenciado: estimular a harmonia entre as pessoas. Para falar sobre o assunto, o RH.com.br conversou com o consultor e escritor Cesar Romão, que tem se destacado por desenvolver um trabalho voltado para o desenvolvimento humano, onde defende que as empresas e as pessoas não devem ser vistas apenas como fonte de lucro. Em uma de suas obras "Sonhando e Realizando", ele apresenta uma visão futurista de conceitos empresariais. Confira!

RH - Existe um conceito para espiritualidade no ambiente de trabalho?
Cesar Romão - Espiritualidade no ambiente de trabalho consiste num processo de aprendizado constante mediante as adversidades e as diferenças entre as pessoas, assim como sempre visa o benefício de todos os envolvidos no processo organizacional. Não é a lei do ganha, é a lei do dividir para somar.

RH - A espiritualidade no trabalho está relacionada à religião?
Romão - Esta é uma confusão e tanto que se faz no mercado. Muitas empresas não executam processos de espiritualidade pelo fato de acharem que estarão cultuando uma religião na organização e isso poderá criar desavenças. Religião é nossa a escolha, é a aproximação com o Deus que escolhemos dentro de nossa formação e crença. A espiritualidade é nossa conduta no caminho do bem e da prosperidade com ética, auxiliando-se uns aos outros independente de sua crença. A causa é mais valiosa, o relacionamento harmônico é o caminho.

RH - Quem poderia ser considerada uma pessoa espiritualista?
Romão - Seria aquela pessoa que não toma decisões por impulso, mas que confia em sua equipe. Não faz julgamentos, não procura quem cometeu o erro, trata de consertar logo a situação, torce pelo sucesso das pessoas, é uma barreira dizimadora de notícias ruins, confia em seus instintos e na sua própria intuição.

RH - Que contibuições as pessoas espiritualistas trazem para o ambiente organizacional?
Romão - Elas trazem principalmente a harmonia. Hoje o ambiente organizacional é repleto de disputas, de corridas pela vaidade e pelo reconhecimento. Basta apenas se entrar num conjunto de "baias" dos executivos de uma empresa e logo se pode sentir o nervosismo do andamento de trabalho. O medo parece tomar conta das pessoas. A harmonia é o principal benefício que essas pessoas trazem, pois com harmonia consegue-se transformar esforço em resultado positivo.

RH - De que forma as empresas podem estimular a espiritualidade entre os colaboradores?
Romão - Infelizmente, ainda existe uma resistência grande em relação à espiritualidade no ambiente organizacional. No entanto, quando as empresas vivenciam uma experiência como essa, não mais desistem dela. A espiritualidade torna-se parte dos planos estratégicos. Dar liberdade de expressão para idéias e pensamentos, ou mesmo ter muito respeito até pelos erros, é uma boa forma de estimular a espiritualidade. O Exército Brasileiro tem um processo muito interessante com seus oficiais. Ali não há discriminação de qualquer religião, todos estão lá em função de uma causa, nossa bandeira e nossa pátria. Assim deve ser nas organizações, a causa tem de ser maior do que as diferenças.

RH - Esses processos são difíceis de serem implantados?
Romão - A visão tem que partir do alto da pirâmide organizacional e fincar alicerces nas bases envolvidas. É uma questão da aceitação da cultura, como toda organização é movida por resultados, quando esse processo resultar em benefícios, tudo tem mais chance de obter uma boa aceitação.

RH - Qual seria o papel do profissional de RH nesse contexto?
Romão - O profissional de RH tem que estar preparado com o máximo de informações possíveis sobre espiritualidade no trabalho, assim como acreditar no projeto e não apenas implantá-lo como uma nova maneira de tentar justificar verbas de treinamento ou de oferecer lucro aos acionistas. O principal é: o RH tem de dar o exemplo. A palavra convence, mas somente o exemplo arrasta e, assim, pessoas são tocadas pelos exemplos e adquirem mais respeito por ações que são justificadas.

RH - Existe alguma relação entre espiritualidade e motivação?
Romão - A espiritualidade é um processo de transformação íntima em nossas emoções, em nossa maneira de ser, de pensar e de agir dentro da ética e do bem, pois só o bem sempre encontra um caminho. Motivação é um sentimento confiante que podemos criar nas pessoas por um determinado tempo com a finalidade de conduzi-las a realizar objetivos e metas. Ninguém consegue ficar motivado durante muito tempo, pois motivação precisa de manutenção. Porém, a espiritualidade pode ser um processo para ser aplicado na sua existência em horas boas e nas adversidades.

RH - As empresas estão sabendo valorizar a espiritualidade?
Romão - Ainda não, pois muitos paradoxos ainda precisam ser vencidos. Imagine que quando faço palestra sobre espiritualidade nas empresas, antes da palestra começar, muitas pessoas vêm ao pé do palco perguntar se sou um pastor. É importante iniciar um movimento de informação sobre o assunto, pautas de discusão, divulgação de exemplos em ação sobre o assunto. É necessário despertar a consciência das pessoas sobre a possibilidade de se vencer sem uma disputa interna, alertar que para no pódio somente existe o primeiro lugar, mas um pódio onde todos cabem no primeiro lugar. Veja, por exemplo, as empresas que valorizam o funcionario do mês. Pergunto: será que só ele foi legal no mês? E os outros? Não pode haver um funcionário do mês, tem de haver uma equipe ou um time do mês, mas um time onde todos possam jogar e ganhar.

Palavras-chave: | Cesar Romão | espiritualidade |

  • O que você achou? Avalie:
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Enviar Comentar Compartilhar Imprimir
CONTEÚDO RELACIONADO
COMENTÁRIOS (1)
ROBERTO KERBER em 20/05/2009:
Fico pasmo e de certa forma frustrado, quando vou em busca de palestrantes ou articulistas, que falem sobre espiritualidade nas empresas, porquê de modo geral, embora todos falem que há certa confusão entre espiritualidade e outras coisas como religião, Deus, ritualística, etc, no que concordo plenamente. Entretanto, nem estes sabem na realidade do que se trata: Espiritualidade nas empresas ou no trabalho. Iniciei uma linha de pesquisa acadêmica (PUC-RS) em 2006 - “Espiritualidade nas Empresas como Perspectiva de Crescimento Humano”, e de lá para cá, venho caminhando nesta direção e comecei a perceber o quanto falta do conhecer específico sobre a espiritualidade em si, quanto mais da sua aplicabilidade no meio corporativo. Em junho de 2006, alcançaram-me um exemplar da revista “Melhor Gestão de Pessoas da ABRH Nacional, onde o assunto de capa era justamente este, Espiritualidade nas Empresas, e qual não foi minha frustração, após ter lido a opinião de diversos gestores de RH de importantes empresas, e ao juntarmos todas as opiniões não se tira um denominador comum. Ou seja, não sabem o que é e para que sirva. Então como poderão saber como aplicar e que resultados esperar? Concluo que seja por uma única razão, nenhum de mais de três dezenas de “opinadores" sobre o assunto, que já li até agora, sabe na realidade o que significa o ponto essencial do assunto em si, ou seja, ninguém até agora conseguiu definir o que é efetivamente espiritualidade. Tampouco as empresas que buscam trabalhar o assunto sabem o que querem a respeito. Algumas perguntas que em minha opinião deveriam ser feitas pelo Gestor de RH e pela empresa são: 1. O que é espiritualidade? 2. Para que serve a espiritualidade? 3. O que pretendemos alcançar trabalhando a espiritualidade em nossa empresa? 4. A quem vamos buscar para discutir o assunto de forma adequada e séria? Quem buscaria, por exemplo, um engenheiro para opinar em uma cirurgia? Nem que fosse de “ponte de safena”! Então porque não buscar o profissional apto para explicar o que é e para que serve espiritualidade e junto com as lideranças e gestores construir um plano de aplicabilidade e valiação? Sim, por mais espantoso que possa parecer, a espiritualidade é também objeto de estudo de uma ciência e uma das mais antigas, a Teologia. E o profissional mais adequado a falar do assunto, é o teólogo. Pouco conhecido ainda no Brasil ou de forma também errônea é diretamente associado com padres e pastores de diversas Igrejas. Na Europa já há empresas contratando teólogos para atuarem junto aos seus RH’s. É só uma questão de abrir-se a conhecer o assunto e talvez derrubar algumas barreiras culturais que discriminam determinados assuntos em nossas empresas e na própria sociedade. Diferentemente de sociedades e empresas de origem Oriental. Espiritualidade, essência de toda a discussão, é fundamental que primeiro se entenda e se conheça o que é, pois o que não é efetivamente é o que se encontra como lugar comum, nas mais diversas entrevistas, artigos e palestras sobre o tema em chavões do tipo: é harmonia, é atitude, é presteza, é entusiasmo, etc... Se não sabemos exatamente o que é como vamos saber como aplicá-la e que resultados esperar? De que forma a espiritualidade séria vai atingir a cada um dos elementos envolvidos – Gestores, colaboradores, imagem da empresa, clientes, mercado? etc... O primeiro passo, é saber o que é, para depois esclarecer algumas dúvidas como as que tenho encontrado em algumas palestras e reuniões de trabalho, tais como: Espiritualidade, tem ou não, há ver com Deus? Ou ainda, Espiritualidade, está ou não ligada à religião ou religiosidade? Outra dúvida é se temos que estabelecer algum tipo de ritualística ou propiciar algum espaço místico? As respostas a estas e outras perguntas, poderão ser respondidas com clareza científica e objetividade, a partir do conhecimento de um teólogo, por quanto se vale além de pressupostos teológicos também da Filosofia, Antropologia, Sociologia, Psicologia e outras ciências. É desanimador ver como qualquer palestrante se ache no direito de debater superficialmente um assunto tão profundo, quanto o sentido do ser em si e com relação e na relação com o Universo, tratando na verdade apenas de particularidades comportamentais, que qualquer pessoa culturalmente bem formada e de bom senso, vai buscar aplicar naturalmente no seu dia-a-dia. Alguém que busque trabalhar a espiritualidade, que é inerente ao ser, é alguém que no mínimo pretenda alcançar outro grau de relacionamento consigo mesmo e com o Universo como um todo, donde temos que o seu trabalho, a empresa, a família, os amigos, os colegas, o mercado, etc. são partes integrantes deste Universo. É por onde se percebe o verdadeiro sentido do existir, do viver e do ser completo ou em busca permanente de sua completude. Porto Alegre, 20 de maio de 2009. ROBERTO KERBER Empresário Palestrante Bacharel em Teologia pela PUC-RS. extensão em: Introdução a Filosofia, Filosofia das Religiões, Logoterapia

 
PUBLICIDADE
Produtos RH.com.br

+ lidas
+ comentadas
+ enviadas
+ recentes
Produtos RH.com.br

Programa de Autodesenvolvimento

Seminários RH.com.br



RH.com.br no Twitter


PUBLICIDADE
Os textos publicados não representam, necessariamente, a opinião dos responsáveis pelo site RH.com.br. Confira o nosso Termo de Responsabilidade.
Todos os direitos reservados. É expressamente proibida qualquer reprodução.