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06/12/2004
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Embasamento teórico e prático

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Trazer uma visão realista e reflexiva sobre mundo corporativo contemporâneo, através de uma linguagem simples e que une embasamento teórico e prático. Essa é a proposta do psicólogo e consultor Rogerio Martins, que lançou recentemente o livro "Reflexões do Mundo Corporativo", pela Scortecci Editora. Através de uma coletânea de artigos inéditos e de outros já publicados, Martins apresenta ao leitor cases que envolvem assuntos como liderança, motivação, comunicação eficaz, networking, criatividade, entre outros. Com isso, ele oferece uma atualização dos princípios básicos do comportamento organizacional e de gestão de pessoas. "Em um mercado regido, cada vez mais, pelo capital intelectual fará a diferença aquele que conseguir associar prática e experiência com fundamentação e embasamento teórico e acadêmico. Não se trata de uma obra acadêmica, nem tampouco um mero relato de experiências ou dicas de como fazer, mas um projeto que alia as duas coisas", resume o autor da obra. Em entrevista concedida ao RH.COM.BR, ele fala um pouco mais sobre o trabalho que desenvolveu e como o mesmo está sendo recebido pelo público. Confira!

RH.COM.BR - Recentemente o Sr. lançou o livro "Reflexões do Mundo Corporativo". Esse trabalho é fruto apenas das suas experiências vividas nas empresas ao longo de 20 anos de dedicação à área de desenvolvimento humano e organizacional?
Rogerio Martins - Em parte. Há alguns anos tenho dedicado-me ao estudo do comportamento humano no trabalho. Isto tem reflexos em minha carreira como consultor, palestrante e professor universitário. Junta-se a isso minha experiência anterior como profissional de Recursos Humanos e gestor de pessoas. Assim, certamente minha experiência profissional, associada às constantes pesquisas acadêmicas e à vivência como conferencista, foram fatores importantes e que levaram a escrever esta obra. Além disso, a necessidade de perpetuar minhas idéias e experiências pessoais e profissionais também resultaram na elaboração deste trabalho. Não consigo dissociar a experiência e a vida profissional do lado pessoal. O resultado são os artigos que escrevo. Tento traduzir através deles muito até do que é sabido em estudos, mas que precisa ser vivenciado para melhor compreensão. Ainda, acho que algumas situações que estimularam os artigos vêm da dinâmica do mundo dos negócios e isso, hoje, faz a diferença no mercado.

RH - Quando o Sr. resolveu transcrever suas experiências para esse trabalho, qual foi o seu principal objetivo?
Rogerio Martins - Auxiliar as pessoas em assuntos, muitas vezes, complicados de administrar no dia-a-dia. Por isso o conteúdo é bem prático e vivencial. Procuro associar meu lado acadêmico, leciono em uma faculdade de São Paulo, ao aspecto organizacional. O resultado é uma mescla de experiências com embasamento teórico. Acredito muito na junção destas duas áreas: o prático e o acadêmico. Tenho vivenciado muito bem estes dois aspectos nos cursos e palestras que ministro além da faculdade. O retorno do público tem sido muito bom, visto que o mercado profissional foi invadido nos últimos tempos por uma onda de modismos no que diz respeito à prática profissional. Os empresários e os funcionários das empresas querem mais do que eventos descontraídos e divertidos. Querem levar algo mais para sua realidade profissional. Algo que seja aplicável. É aí que o embasamento teórico torna-se fundamental. Em um mercado regido cada vez mais pelo capital intelectual fará a diferença aquele que conseguir associar prática e experiência com fundamentação e embasamento teórico e acadêmico. Esta é a linha mestra do livro "Reflexões do Mundo Corporativo". Não se trata de uma obra acadêmica, nem tampouco um mero relato de experiências ou dicas de como fazer, mas um projeto de aliar as duas coisas.

RH - Qual o direferencial da sua obra em relação aos outros livros que já se encontram no mercado e que enfocam o mundo corporativo?
Rogerio Martins - Acredito que um dos diferenciais é a linguagem. Tenho recebido diversos contatos de pessoas que estão lendo o livro e encontram nele uma forma fácil de entender alguns conceitos muitas vezes transmitidos de forma complexa por outros autores, como a motivação por exemplo. Minha intenção é tratar os temas com mais simplicidade e praticidade, trazendo idéias e soluções reais para problemas e situações que ocorrem diariamente no mundo corporativo. Outro diferencial é que procurei escrever de forma atemporal, ou seja, sem modismos. Há uma forte tendência no mercado de práticas bombásticas e que prometem uma verdadeira revolução na vida das pessoas em pouco tempo e com pouco esforço. Não acredito nisso. Creio que o processo de mudança ocorre com melhores resultados quando se compreende melhor a si mesmo e isso leva tempo. Em um dos artigos sugiro que a liderança é uma ato de coragem e por isso nem todos conseguem liderar com eficácia. Agora, não se desenvolve a coragem com ações simplórias como quebrar tábuas ou andar sobre brasas, por exemplo. É muito mais que isso.

RH - Quanto tempo o seu livro levou para ser concluído, desde o momento em que foi idealizado até o lançamento do mesmo?
Rogerio Martins - Este livro teve um processo curioso. Como é uma coletânea de artigos o tempo foi relativamente rápido. Escrevo diversos artigos para sites, revistas e jornais do Brasil e de Portugal. Isso ajudou na seleção dos artigos, pois possuo muito material. Além disso escrevi alguns artigos inéditos. De forma geral este processo levou aproximadamente quatro meses. As etapas que mais levaram tempo para execução foram a revisão do material e impressão. A escolha do material teve o auxílio do retorno que obtemos dos nossos leitores. Periodicamente recebemos mensagens sobre os artigos e isso além de ter incentivado a elaboração do livro, ajudou para a escolha do material e dos temas prinicipais. Os artigos inéditos foram escritos em função da demanda de nossos leitores. Sabendo o que o público tem interesse em ler facilita a escolha do material.

RH - Nessa fase de estruturação da obra, o Sr. realizou pesquisas de campo junto a algumas empresas, para poder solidificar ainda mais o seu trabalho?
Rogerio Martins - A maior parte dos artigos que escrevo tem esta base: pesquisa de campo. Procuro trazer para o leitor as minhas próprias experiências e também as de outras pessoas. A meta era fazer com que o conteúdo da obra fosse o mais realista possível. Para isso a troca de experiências com outros profissionais, consultores e gestores foi fundamental para a estruturação do conteúdo. Como pratico aquilo que escrevo, mantenho uma excelente rede de contatos que proporcionou essa fantástica troca de experiências. Certamente, preservo a identidade das pessoas e das empresas por uma razão ética. Com isso, todas as histórias relatadas no livro são verídicas. Também utilizei diversas metáforas que circulam na Internet e outras colhidas de livros e revistas. É incrível como as fábulas e metáforas ajudam o leitor a encontrar semelhanças destas histórias com a vida profissional. As metáforas servem como força de linguagem para tornar o texto mais agradável e aproximar a ficção da realidade.

RH - Durante esse período em que seu trabalho estava sendo desenvolvido, qual foi o seu maior desafio?
Rogerio Martins - Um dos desafios era saber o que exatamente iria agradar o leitor. Que tipo de material deve ser inserido numa obra tão diversificada de temas como a que escrevi? Em certos momentos me vi como um adivinho. Daqueles que aparecem nos filmes e tentam descobrir o futuro. Mas, o que estava em jogo neste caso era o futuro do meu livro. Outro desafio também importante era conciliar prática e teoria sem ser superficial ou acadêmico demais. A princípio são dois mundos diferentes e em alguns momentos difíceis de conciliar. As perguntas mais frequentes em minha cabeça eram: "o que meus colegas do meio universitário irão achar do meu trabalho?" e "como esta obra poderá ser útil para os que atuam em empresas?". Para encontrar o meio termo procurei ler muito a respeito. Fiz muitas pesquisas sobre outros autores e livros que se assemelham ao que escrevi. Além disso, o fato de já ter uma boa parte da obra avaliada pelos leitores, facilitou a resolução destes desafios.

RH - Em seu trabalho, quais os principais pontos que podem ser considerados polêmicos?
Rogerio Martins - Não vejo os temas como polêmicos, porque são mais constatações de situações que vivemos, são muito o cotidiano. Considero que são aspectos relevantes, como a postura profissional - algo que faz a diferença nos processos de seleção das empresas, por exemplo - a ética e a integridade, a liderança. O livro não tem o objetivo de gerar polêmica, mas auxiliar o leitor a encontrar soluções práticas para as experiêncais do mundo corporativo. Serve também como uma possibilidade de refletir sobre o que se passa nesse meio. Ocorre com frequência de leitores entrarem em contato para comentar sobre o livro e mencionar com entusiasmo que é a primeira vez que lêem um texto onde conseguem compreender facilmente aquilo que já viram ou ouviram, mas não tinham pleno conhecimento. Com isso, concluo que o fundamental desta obra não é gerar um olhar crítico ou polêmico e sim trazer uma visão mais realista e reflexiva do mundo corporativo contemporâneo.

RH - Qual o público-alvo que o Sr. pretende alcançar com seu trabalho?
Rogerio Martins - As pessoas que estão diretamente envolvidas com o mundo corporativo: empresários, gestores e funcionários dos mais diversos setores, consultores, profissionais em início de carreira e aqueles já estabilizados, clientes e fornecedores, estudantes e professores, profissionais liberais. A intenção da obra é, como já foi dito, trazer teoria e prática, experiência e vivência, história e metáfora. O curioso é que algumas pessoas que têm tido contato com o livro não se encaixam neste perfil que comentei. Já tive retorno de pessoas aposentadas e donas de casa que leram o livro e teceram excelentes comentários, mesmo sem estarem diretamente relacionadas com o mundo das organizações.

RH - E desse universo de leitores, qual o que tem mais se destacado?
Rogerio Martins - Um dos públicos que mais tenho obtido resultados positivos é o universitário. Tenho sido convidado a proferir palestras em diversas instituições de ensino no Brasil e a receptividade a minha obra tem sido excelente. Na própria instituição que leciono surgem alunos de outros cursos como letras, pedagogia, publicidade e turismo que estão lendo o livro e vêm em busca de mais informações ou simplesmente comentar sobre os textos. O retorno é fabuloso, principalmente porque se comenta que os estudantes não têm o hábito de leitura. Posso comprovar que não é verdadeiro. Os estudantes têm uma ânsia por obras que retratem de forma prática a vida profissional, através de uma leitura pontual e recheada de casos e experiências. Talvez esta seja uma ótima oportunidade para o mercado editoral explorar mais.

RH - No que se refere especificamente à área de RH, como seu livro pode ser usado para auxiliar a gestão de pessoas?
Rogerio Martins - Como o livro trata de assuntos como liderança, etiqueta profissional, carreira, marketing pessoal, gestão de mudanças, criatividade e outros temas, ele está mais do que alinhado com as melhores práticas de gestão de pessoas. Vale lembrar que não é uma obra acadêmica. A intenção é propiciar ao leitor uma reflexão sobre o comportamento humano no trabalho. Serve para ser aplicada pessoalmente, em benefício próprio ou para a empresa, na gestão de pessoas. Por isso, pode ser utilizado desde o gestor de Recursos Humanos até o analista e o estagiário. Além do mais, ele traz algumas situações comuns ao público de Recursos Humanos e que, algumas vezes, têm dificuldade para abordar de forma prática, como a motivação, por exemplo. É comum as empresas insistirem em idéias e práticas ultrapassadas a respeito do comportamento organizacional e é aí que a obra poderá auxiliar os profissionais de RH a encontrar respaldo para realizar estas transformações. As empresas que possuem um sistema de biblioteca gerenciado pela área de RH podem aproveitar para estimular a leitura dos funcionários e garantir algumas das melhores práticas de gestão e auto-gerenciamento da carreira com esta obra.

RH - Em um dos seus capítulos o Sr. aborda a questão da ética, inclusive citando que um artigo de sua autoria chegou a ser clonado. O Sr. acredita que a ética está recebendo a devida atenção das organizações?
Rogerio Martins - Este assunto é bastante discutido no meio acadêmico e acredito que ainda falta maior atenção por parte das organizações. Sabemos que há uma melhora no tratamento do tema, mas ainda assim é pouco. A tendência do mercado global aponta para uma ética internacional e contraditoriamente vivemos, a meu ver, uma grave crise ética em nosso país. Isso se reflete nas empresas, no mercado financeiro, no trânsito, nas relações entre as pessoas, nas instituições escolares e asism por diante. Enquanto não se der a devida ênfase ao assunto, ocorrerão desfalques, procrastinação, fraudes e muitas outras práticas que lesam os consumidores, os funcionários, os próprios empresários e toda a sociedade.

RH - E o que é preciso para mudar essa situação?
Rogerio Martins - Para reverter este quadro é necessário rever os valores pessoais e coletivos. Ainda assim, como estudioso do comportamento humano e otimista, acredito que teremos uma melhora, mas ela será gradual e lenta. Muitos prejuízos ainda ocorrerão para que haja uma mudança significativa. Mas, o importante é que há muita gente boa tratando deste assunto nas organizações e isso contribui para um futuro melhor. Além disso a própria pressão do mercado globalizado e da necessidade de uma vida coletiva mais saudável farão com que a ética seja cada vez mais importante, discutida e aplicada no mundo corporativo.

Palavras-chave: | Rogerio Martins | | mudança |

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