Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 

RH.com.br - Esse ano, o Congresso Nordestino de Recursos Humanos tem como tema central "Capital Humano: pessoas gerando valor para a sociedade". Por que a coordenação do evento resolveu dar esse enfoque ao congresso?
Manoel Balbino - A coordenação do evento escolheu dar ênfase a esse tema porque as organizações estão descobrindo o óbvio: as pessoas estão em primeiro lugar e são elas que constroem os resultados e mantêm a empresa competitiva, não importa a força da marca do produto ou possuir a mais avançada tecnologia da informação.
RH - Quais os principais objetivos que a oitava edição do CONORH pretende alcançar em 2005?
Manoel Balbino - Os principais objetivos do VIII CONORH são: reforçar o potencial das redes humanas, da construção de bons relacionamentos, do trabalho em equipe, da harmonia do ambiente de trabalho, tanto para as organizações quanto para a sociedade em geral.
RH - Qual a expectativa de participantes para esse ano e qual o público-alvo do congresso?
Manoel Balbino - A expectativa é de aproximadamente 450 pessoas e o público do evento é composto por profissionais de Recursos Humanos, empresários, gerentes de áreas diversas, consultores, estudantes e líderes em geral.
RH - Quais são os diferenciais que o evento desse ano trará para os congressistas?
Manoel Balbino - O diferencial desse ano é que qualquer profissional ou estudante pode ser um palestrante do CONORH, desde que apresente e concorra com seu trabalho perante uma comissão de notáveis que irá escolher três trabalhos para serem apresentados em plenária. Como não haverá palestras simultâneas e as atividades oficiais são no turno da tarde, os congressistas poderão escolher dentre três atividades opcionais que serão realizadas pela manhã como: mini-cursos - na linha do como fazer sobre coaching, cargos e salários, meio-ambiente, marketing pessoal, certificação ISO, grafologia, BSC, clima organizacional e retenção de talentos; missão técnica - visita a duas grandes empresas da Região Metropolitana do Recife, visando conhecer in loco cases de sucesso na área de meio ambiente e gerenciamento por diretrizes; tour cultural focando as potencialidades culturais de Recife e Olinda.
RH -Temos observado uma constante preocupação das organizações com o capital humano. Com isso, podemos afirmar que as empresas brasileiras estão dando a devida atenção ao capital intelectual ou ainda falta um longo caminho a ser percorrido?
Manoel Balbino - Acreditamos que a globalização tornou a competitividade uma questão de sobrevivência para todos os segmentos empresariais. Cremos que a preocupação com o capital intelectual veio como conseqüência, não foi por acaso. Entretanto, ainda estamos no início de uma longa caminhada.
RH - Onde as empresas ainda "erram" quando lidam com o capital humano?
Manoel Balbino - Dentre alguns erros, destacamos o despreparo dos líderes, alçados a cargos de supervisão, gerência ou direção quanto à inabilidade de lidar com gente, com o ser humano. Ainda existem autoritarismo, discriminação e desrespeito ao ser humano dentro de muitas organizações.
RH - Por que isso ainda ocorre nas organizações?
Manoel Balbino - Não existe um fator específico que justifique alguns erros. A cultura de cada empresa é impulsionada subliminarmente no processo de gestão. Seus próprios valores levam a promover profissionais a cargos de liderança por atributos muitas vezes meramente técnicos ou por afinidade ou parentesco, esquecendo-se muitas vezes de capacitá-los nas competências essenciais a um líder eficaz.
RH - Dentro desse contexto, qual a importância da área de RH para o desenvolvimento do capital humano?
Manoel Balbino - Nesse contexto, a área de Recursos Humanos deve priorizar o desenvolvimento gerencial, dotando os gestores de ferramentas que irão facilitar a função gerencial. Isto se dá através de várias formas: cursos, treinamento vivenciais, programas avançados de gestão, MBA, entre outros.
RH - De que forma prática, o profissional de RH pode atuar junto ao capital humano?
Manoel Balbino - O profissional de RH deve atuar junto ao capital humano sob duas vertentes: sendo ouvidor - catalisador das carências humanas do capital intelectual e sendo agente de mudança - difundindo e promovendo a integração dos objetivos da empresas aos projetos de vida dos próprios empregados.
RH -Essa ação específica reforça a atuação do RH como parceiro estratégico das empresas?
Manoel Balbino - Essa ação reforça a atuação do RH como função estratégica, porque coloca todo capital humano na direção dos objetivos do negócio, contribuindo para a organização ser mais competitiva.
RH -Quais as suas expectativas para a área de RH em médio e longo prazos?
Manoel Balbino - Está acontecendo uma silenciosa revolução nas áreas de RH das empresas. A Tecnologia da Informação, a terceirização das atividades operacionais e a centralização ou compartilhamento de serviços na matriz ou em sede regionais, estão fazendo desaparecer o tradicional gerente de RH. Isto é uma perda quantitativa. Por outro lado, os profissionais de RH e a área estarão sendo mais valorizados, na medida em que ele passa a entender o negócio da empresa e demonstra que seu trabalho agrega valor e não apenas custo. Como conseqüência, o RH será convidado a participar do processo decisório estratégico, porque a direção das empresas sabe que se não valorizar o capital humano, não obterá os resultados esperados. É mais um conquista do profissional do RH do que uma iniciativa isolada do CEO da empresa. Em longo prazo, todo líder será um gestor de capital humano e a área de RH uma consultoria interna para preparar esses líderes.
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