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23/08/2010
RH » Mudança » Entrevista Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Quais os diferenciais entre mulheres e homens no ambiente de trabalho?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Por muitos anos, ocorreram estereótipos em relação às diferenças comportamentais entre homens e mulheres, notadamente no âmbito organizacional. Mas, até que ponto algumas afirmações podem ser considerada verdade ou preconceito? Recentemente, a Thomas Brasil aplicou um instrumento de Análise de Perfil Pessoal (PPA), junto a um grupo de 600 pessoas, sendo 300 homens e 300 mulheres. O resultado desse trabalho revelou que as mulheres apresentam uma tendência a serem mais influentes e verbais que os homens. Eles, por sua vez, mostram uma tendência de se revelarem mais diretos e focados em resultados, quando comparados ao sexo oposto.

Para falar sobre esse trabalho, o RH.com.br convidou o consultor especialista em gestão comportamental, Edson Rodriguez que participou da realização dessa pesquisa. Segundo ele, as mulheres são mais firmes em relação às suas próprias ideias e menos propensas a seguir linhas de procedimento ou padrões pré-estabelecidos. A diferença para os homens nesse quesito é pequena, mas ainda assim, paradoxal. "Os homens são mais móveis e ativos, mas não necessariamente mais flexíveis ou adaptáveis, nisso, paradoxalmente, as mulheres levam vantagem", complementa. Confira a entrevista na íntegra e faça uma reflexão se existe ou não diferenças comportamentais que tornem mulheres e homens tão diferentes no ambiente corporativo. Boa leitura.

RH.com.br - Recentemente, a Thomas Brasil realizou um trabalho em um grupo de composto por 300 mulheres e 300 homens. Na oportunidade, foi aplicada a ferramenta APP - Análise do Perfil Pessoal, junto a esses profissionais. Qual o perfil dos participantes?
Edson Rodriguez - Os perfis foram escolhidos de forma aleatória em nosso banco de dados, para que tivéssemos uma amostragem abrangente e significativa dos universos feminino e masculino. Assim, pessoas dos mais diversos cargos e áreas profissionais estiveram representadas e em proporções similares entre mulheres e homens.

RH - Qual o principal objetivo da Análise do Perfil Pessoal e como a mesma funciona na prática?
Edson Rodriguez - O grande objetivo da Análise de Perfil Pessoal é identificar as competências comportamentais do indivíduo, seu estilo de comportamento preferido, suas aptidões naturais e seus agentes motivadores. Adicionalmente esse recurso permite identificar como o indivíduo comporta-se sob pressão e qual a "máscara" profissional que usa no momento, bem como se as pessoas estão sob estresse, frustrações ou desmotivado. Esses são aspectos adicionais, mas que também são levantados.

RH - O trabalho desenvolvido pela Thomas Brasil observou diferenças comportamentais significativas entre homens e mulheres. No que ser refere à forma de comunicação, o que foi identificado?
Edson Rodriguez - Sim, observaram-se algumas diferenças. As mulheres, por exemplo, têm mais aptidão para a comunicação e a verbalização, enquanto que os homens são mais concisos e menos verbais. Entretanto, essa diferença não é significativa a ponto de podermos afirmar que as mulheres são muito mais verbais do que os homens. Elas apenas que apresentam uma tendência de serem um pouco mais verbais. Tudo isso em ambientes profissionais, é claro.


RH -
Mulheres e homens possuem comportamentos similares, quando trabalham sob pressão?
Edson Rodriguez - Sim. A Análise do Perfil Pessoal mostrou os comportamentos são bastante similares, muito embora os homens apresentem uma ligeira tendência a gostar mais de situações de pressão do que as mulheres. Isso ocorre por que homens são ligeiramente mais "dominantes" que as mulheres. Estas, por sua vez são ligeiramente mais estáveis, apreciam a segurança um pouco mais. Mas, novamente, é uma tendência pequena e que tende a diminuir ainda mais com o passar do tempo.

RH - Os dois sexos permanecem equilibrados diante da necessidade de adaptação aos processos de mudança?
Edson Rodriguez - Nosso trabalho apontou que sim. As pequenas diferenças observadas no estudo não apontam para qualquer desequilíbrio significativo entre homens e mulheres em sua capacidade de adaptações às mudanças. No passado, talvez as mulheres tivessem mais dificuldade, até por uma questão histórica e cultural. Mas hoje, no mundo moderno, elas competem de igual para igual e por isso mesmo o perfil comportamental feminino e masculino estão se aproximando, porque enfrentam os mesmos desafios no ambiente corporativo.


RH - Os procedimentos padronizados no ambiente de trabalho são mais propensos às mulheres ou aos homens?
Edson Rodriguez - Podemos observar que as mulheres são mais disciplinadas do que os homens, até por conta da herança cultural. Mulheres têm mais desconto para seguros de carros, por exemplo, do que os homens. Esse é um indicativo interessante que se repete no ambiente de trabalho, na vida social e até mesmo na comunidade.

RH - Em relação à forma de gerir equipes, são observados comportamentos acentuados entre "eles" e "elas"? Há diferenciais significativos?
Edson Rodriguez - Geralmente os homens mandam. Já as mulheres consultam, pedem. Os homens são diretos, rápidos. As mulheres são mais diplomáticas, mais persuasivas. Isso é mais ou menos um estereótipo e é verdadeiro. O que talvez não esteja claro para todos é o quanto essas diferenças são acentuadas. A resposta é à sua pergunta seria: pouco. Os comportamentos femininos e masculinos na área de gestão tendem a se aproximar cada vez mais.

RH - Diante dessa constatação, o senhor prefere atuar em uma equipe conduzida por um homem ou uma mulher?
Edson Rodriguez - Eu diria que o sexo do indivíduo que conduz a equipe não tem importância, mas sim a sua capacidade em liderar, em dirigir, em dar suporte aos subordinados. Isso é o fundamental e faz a diferença no dia a dia.


RH - Em sua opinião, a mulher continua a ser considerada como "sexo frágil" para atuações estratégicas?
Edson Rodriguez - Tivemos duas presidentas da república na América do Sul, uma primeira ministra na Inglaterra, uma candidata forte à presidência dos Estados Unidos e outra no Brasil. As mulheres definitivamente não são mais o sexo frágil, a não ser em um ambiente social ou romântico, por exemplo.

 

Palavras-chave: | Edson Rodriguez | pesquisa | mercado de trabalho |

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COMENTÁRIOS (7)
paulo Odir em 02/09/2010:
Primeramente, parabéns pela matéria. A sensibilidade feminina, uma herança cultural, faz a diferença quando temos uma mulher no comando. Infelizmente algumas preferem agir numa imitaçao aos homens.

evandro teixeira em 30/08/2010:
Gostei do texto. As mulheres estão dominando o mundo. Elas estão aperfeiçoando seus conhecimentos e mostrando mais competência no que faz. Antigamente elas não tinham oportunidade de entrar num núcleo que era dominado por homem, mas hoje em dia elas acabaram com esse tabu e estão mostrando que são bem competentes.

Leila Cristina Martins em 30/08/2010:
A mulher buscou evoluir com o passar do tempo e o resultado está nas pesquisas. Parabéns pelo estudo.

Janice em 30/08/2010:
Olá! Gostei do texto, embora já tenha percebido que não exista tanta diferença. Tanto homens quanto mulheres tâm as mesmas competências. Talvez pela mulher ter entrado um pouco mais tarde no mercado de trabalho, tenha precisado de mais tempo para este aperfeiçoamento que hoje se vê. Meu questionamento então é: por que em termos salariais / promoções, ainda exista um posicionamento mais favorável ao sexo masculino?

SEVERINO ALEXANDRE em 30/08/2010:
Primeiro agradecer pela matéria de alta relevância instrutiva, porém, gostaria de colocar que há uma grande relatividade quanto a capacidade entre as pessoas, principalmente, no que tange ao ato de comandar. Nem sempre o homem é de mandar sem dialogar, o mesmo se dá com as mulheres. Falo isto, visto ter mulheres comandantes na empresa em que trabalho, além do mais, depende bastante da formação e experiência de cada pessoa à frente da empresa.

Juana Llabres em 29/08/2010:
A realização e divulgação dessas pesquisas é extremamente importante para que progressivamente os diversos programas de equidade de gênero sejam extintos nas empresas; reconhecendo dessa forma a igualdade das competências profissionais entre homens e mulheres.

Yann Szilagyi em 27/08/2010:
Eu sempre trabalhei em locais em que houveram mulheres em posições de comando. Não sei dizer se foi sorte, mas em geral, são profissionais diferenciadas e preocupadas com o resultado final - mesmo que esse não seja para benefício próprio e sim, da empresa. Quando o entrevistado diz: "o sexo do indivíduo que conduz a equipe não tem importância, mas sim a sua capacidade em liderar, em dirigir, em dar suporte aos subordinados" ele nos reforça a entender que não existe melhor ou pior, há sim, uma variação de perfil, que acompanha a cultura e as variações geográficas, demográficas, psicográficas e comportamentais de cada gênero e de cada indivíduo.

 
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