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08/02/2011
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Como proceder diante da fusão de empresas?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Não são poucos os casos de organizações que precisaram enfrentar processos de fusão, principalmente em decorrência das exigências impostas pelo fenômeno da globalização. Quando isso ocorre, duas empresas tornam-se uma nova organização e os profissionais precisam enfrentar o processo de mudanças que geralmente causa momentos de incerteza, notadamente em virtude aos possíveis desligamentos que poderão ocorrer. Mas como não é possível tapar o "sol com a peneira", torna-se necessário administrar a situação. Segundo Carlos Alecrim, CEO do ICCoaching (International Corporate Coaching), especialista em planejamento e incentivo, inclusive em momentos de fusões de empresas.
Quando questionado se durante um processo de fusão a união entra as áreas de RH e de comunicação interna tornam-se um diferencial, ele diz que na era do marketing de relacionamento, das redes sociais, do fluxo instantâneo de informação, o RH e a comunicação ganham importância estratégica, pois é necessário criar pontes de comunicação, contato e convívio com o mercado. "Lembre-se que em a comunicação com os stakeholders e shareholders é fator determinante de sucesso", complementa. Em entrevista concedida ao RH.com.br, Carlos Alecrim comenta como um processo de fusão entre empresas pode ser realizado de maneira clara, responsável e sem causar grande traumas aos profissionais. Boa leitura!

RH.com.br - As fusões entre organizações não é um processo fácil, inclusive para os profissionais que precisam adaptar-se a uma nova realidade. Qual o primeiro passo a ser adotado pela empresa diante dos colaboradores, quando uma situação dessa natureza surge?
Carlos Alecrim - Nem sempre damos importância ao óbvio, mas creio que devemos começar por aí. Costumo dizer que toda empresa é uma ficção jurídica, na realidade são pessoas do lado de dentro, servindo pessoas do lado de fora. Lembre-se que todas essas pessoas serão impactadas pela fusão, colaboradores e clientes, portanto, deve-se decidir a melhor forma e o melhor momento para fazer a comunicação da fusão, nem tão cedo que gere a ansiedade de muitas perguntas sem respostas, nem tão tarde que mostre descaso. É fundamental criar canais de comunicação exclusivos para essas informações, com um novo conceito e uma nova estética na comunicação, que fale somente da nova empresa e mostre o futuro. Lembre-se que duas empresas, duas culturas, dois conjuntos de valores resultarão em nova empresa, nova cultura, novo conjunto de valores, quando isto é esquecido, a imposição de uma cultura sobre a outra resulta em perda de ativos intangíveis.

RH - Quais os erros mais comuns que as organizações cometem em um momento de fusão?
Carlos Alecrim - É necessário definir estrategicamente o real motivo da fusão, depois definir efetivamente o que está sendo adquirido em valores tangíveis e intangíveis. A partir daí, definir o que deverá ser mantido, em valores tangíveis e intangíveis. Frequentemente, a empresa adquirente "abafa" os valores da empresa adquirida, isto estimula conflitos de cultura, valores e interesses que resultam na perda de competências e valores intangíveis adquiridos que podem ser de difícil reparo. O maior ativo adquirido são as pessoas, sejam elas colaboradores ou clientes, e numa fusão parte desse ativo intangível pode ser rapidamente perdido ou até mesmo erroneamente descartado. Comunique, de forma estratégica e ética, sobre o que vai acontecer e o que está acontecendo. A vida já me ensinou, se você quer que alguém sonhe o seu sonho traga-o para dentro do sonho.

RH - Nesse momento, contar com um RH estratégico facilita o transcorrer do processo?
Carlos Alecrim - Não gosto muito dessa expressão, penso que todo RH tem que ser estratégico, o marketing tem que ser estratégico, a área comercial tem que ser estratégica e assim por diante. Obviamente, tem que ter capacidade de entrega também. Na realidade, em um processo de fusão, a maior complexidade operacional está em ajustar processos que já estavam desenhados e execuções que as pessoas estavam acostumadas a fazer daquela forma. Um pré-requisito para um bom processo de fusão é a existência de um RH estratégico e ágil, com soluções práticas e eficazes.

RH - De forma prática, que ações a área de RH precisa adotar para que a mudança ocorra sem grandes transtornos?
Carlos Alecrim - Sempre existirão transtornos, mas eles podem ser minimizados com a aproximação do RH com todas as áreas, mapeamentos de perfil de todos os clientes internos envolvidos, canais de comunicação específicos, exclusivos e adequados para cada público - interno e externo -, mensagens claras e bem definidas, na frequência adequada, e apoio total às lideranças para melhor decisão sobre a releitura dos perfis necessários nos cargos e nas funções, na nova empresa, porque sempre será uma nova empresa que surgirá. O RH também deve mapear os gaps de competências nos colaboradores da nova empresa e propor programas de treinamento e desenvolvimento.

RH - Em relação às lideranças, que contribuições essas podem dar a uma fusão entre empresas?
Carlos Alecrim - Inicialmente deve-se estabelecer um critério de escolha e manutenção de líderes das empresas envolvidas. É um erro imaginar que todos os líderes da empresa compradora devam permanecer e os líderes da empresa comprada devam sair. Devemos especificar que perfis, valores e competências esses novos líderes precisam ter. Esses novos líderes serão "embaixadores e embaixatrizes" da nova cultura e da nova empresa. Precisam estar 100% comprometidos com isso. Sabemos que na prática, existem preferências, formas de decisão e poderes ocultos que acabam atrapalhando esse processo. Todos perdem com essas interferências subjetivas.

RH - Quais as principais dificuldades que a área de Gestão de Pessoas encontra em um processo de fusão?
Carlos Alecrim - As maiores dificuldades estão na forma em que lidamos com as carreiras dos envolvidos, com os seus sonhos e a forma responsável que precisamos lidar com os que foram impactados negativamente pela fusão. Por isso, chamo de "Fusão ou Aquisição Responsável e Sustentável". Quando a empresa não atua dessa forma manda um péssimo recado para os que ficaram: amanhã pode ser você. Mas, lembre-se que também é um momento oportuno para fazer uma renovação.

RH - Existem pontos positivos que podem ser enfatizados para tranquilizar os funcionários?
Carlos Alecrim - Todo momento de fusão é um momento de mudanças e, portanto, uma fase de incertezas e de oportunidades. Deveria ser encarado por todos pelas oportunidades, mas é óbvio que isto não acontece facilmente. Mas, sei de vários profissionais impactados por momentos de fusão que, depois que passou a tempestade em suas vidas, eles perceberam as oportunidades que surgiram. Muitos deles nos declaram que jamais tomariam aquelas decisões caso o processo de mudança em suas vidas não fosse imposto. É claro que no olho do furacão é angustiante, gera insegurança, ansiedade e queda de autoestima, mas se a empresa der apoio responsável e sustentável, se a empresa tratar com respeito e responsabilidade os envolvidos no outplacement o impacto será minimizado. É uma ótima mensagem para quem fica.

RH - Quais as perdas consideradas mais sensíveis em uma fusão, seja em relação à própria empresa ou aos funcionários?
Carlos Alecrim - A nova empresa também tem suas baixas. Tem que se adaptar a uma nova cultura, um novo conjunto de valores, redesenhar rotinas, processos, áreas, unidades. Perde algumas competências para o mercado, pois nem todos que saíram deveriam sair - não existe projeto perfeito ou infalível. Enfim, quem fica também tem que tratar de algumas "feridas", limpar e reorganizar o ambiente de trabalho para rapidamente torná-lo produtivo.

RH - É comum que durante fusões, sejam realizados desligamentos. Nesse caso, como um processo de demissão responsável deve ser conduzido?
Carlos Alecrim - Com um bom outplacement e coaching de talento e carreira, mas saibam escolher muito bem o fornecedor desses serviços e dê ao profissional o direito de escolha. Em momentos assim, é fundamental a empatia e a sinergia entre o assessorado e o profissional da empresa escolhida.

 

Palavras-chave: | Carlos Alecrim | fusão | inovação | outplacement |

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COMENTÁRIOS (1)
ronaldo em 14/02/2011:
Um bom texto para uma organizção, que passa por um momento de fusão na empresa. Parabéns pelo bom texto elaborado.

 
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