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03/11/2011
RH » Mudança » Entrevista Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Que fatores comprometem a relação de confiança entre empresa e funcionário?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Do momento em que se nasce até a terceira idade, o ser humano vivencia situações previsíveis ou não, mas que envolvem direta e indiretamente uma palavra: confiança. Isso porque as pessoas sempre estão em se relacionando umas com as outras, seja na escola, no ambiente familiar e, inclusive, no trabalho. Para Marco Tulio Zanini, professor de Gestão Estratégica de Pessoas e Gestão de Ativos Intangíveis da Fundação Dom Cabral, vivemos em uma sociedade caracterizada por vínculos mais frágeis. Nas organizações, o modelo de gestão que se adota determina se a relação entre empresa-funcionário criará vínculos que resultarão em credibilidade ou de desconfiança. Quando a segunda alternativa se sobrepõe, alguns fatores passam a comprometer a saúde da empresa como, por exemplo, aumento da rotatividade, elevação do absenteísmo, queda nos índices de satisfação e queda na performance dos talentos.
Em entrevista concedida ao RH.com.br, o professor Marco Tulio Zanini identifica quais as principais variáveis que interferem positiva e negativamente na relação de confiança entre empresa-funcionários. "Um modelo de Gestão de Pessoas define as regras do jogo. Ou seja, como as pessoas percebem o seu espaço e a sua presença no grupo, e concentram sua energia vital por reconhecimento, recompensa e realização pessoal", reforça. Confira a entrevista na íntegra com o professor Zanini e aproveite a oportunidade para avaliar se em sua empresa, os laços de confiança estão fortes ou próximos de serem rompidos. Boa leitura!

 

RH.com.br - O senhor costuma afirmar que as organizações não compram mais o tempo dos profissionais, mas sim o que eles têm a agregar ao desenvolvimento corporativo. A partir de que momento essa mudança ganhou mais evidência no mercado nacional e internacional?
Marco Tulio Zanini - Essa mudança passou a ganhar mais evidência no mercado a partir do aumento da aplicação do conhecimento no processo produtivo. As métricas tradicionais de avaliação de desempenho começam a se mostrar menos eficientes. A lógica da aplicação do conhecimento no processo produtivo traz uma série de novas demandas para a gestão de empresas. De maneira geral, a gestão tem tornado-se mais complexa a cada dia.


RH - Essa mudança corporativa além de estratégica também pode ser considerada uma evolução comportamental dos seus dirigentes organizacionais? Por quê?
Marco Tulio Zanini - Eu diria que sim, pois hoje muitos dos dirigentes de empresas já começam a ser avaliados não somente pelo resultado financeiro de curto prazo, mas também pela qualidade do resultado apresentado e pelos meios com os quais os resultados são alcançados. Por sua vez, essas mudanças fazem com que aqueles que ambicionam a direção de empresas estejam aptos a assumir essa posição, não somente pela competência técnica, mas também pelo comportamento moral que apresentam.


RH - Nesse contexto, a quebra de paradigmas foi absorvida com mais impacto pelos profissionais ou pelas empresas?
Marco Tulio Zanini -
Afirmaria que a quebra de paradigmas foi absorvida com impacto para ambos. Temos que lembrar que as empresas são constituídas por profissionais e essas mudanças afetam não somente o perfil dos profissionais, mas também demandam novas formas de organização da produção do trabalho.


RH -
Hoje, quais são as principais características de uma relação de confiança entre empresa-colaborador?
Marco Tulio Zanini - Atualmente, vivemos numa sociedade caracterizada por vínculos mais frágeis, quando comparamos o ambiente corporativo de hoje com o de 20 ou 30 anos atrás, por exemplo. As relações de confiança não estão baseadas em juras de fidelidade eterna, mas sim na percepção de integridade, de consistência e de transparência das relações de trabalho.


RH - Que variáveis interferem positivamente no relacionamento funcionário-organização?
Marco Tulio Zanini - Gosto sempre de enfatizar que a qualidade do contrato informal com os empregados é a base dessa relação, porque estabelece os fundamentos do relacionamento: respeito, reconhecimento e justiça nas relações de trabalho.


RH - E quais as principais variáveis que levam à ruptura, ou seja, à quebra entre esse laço de confiança?
Marco Tulio Zanini - Nesse caso, destacaria: os vínculos baseados em relações personalistas de lealdade pessoal, destituídas do elemento ético; a falta de mecanismos de punição ao erro desonesto; e a falta de uma definição clara do que seja mérito dentro da organização.


RH - Uma vez que a confiança rompe-se entre profissional e empresa, é possível restabelecê-la?
Marco Tulio Zanini - Em algumas circunstâncias é possível restabelecê-la. Contudo, é sempre muito mais caro do que simplesmente mantê-la. Em algumas circunstâncias, por exemplo, a ruptura das relações de confiança pode significar a perda de um intangível precioso. Já observei isso acontecer em alguns casos.


RH - Por que o modelo de gestão adotado por uma empresa exerce influências na relação de confiança entre organização-profissional?
Marco Tulio Zanini - Porque o modelo pode promover relações de cooperação espontânea e confiança ou, então, inibir o seu surgimento. Um modelo de Gestão de Pessoas define as "regras do jogo". Como as pessoas percebem o seu espaço e a sua presença no grupo, e concentram a sua energia vital por reconhecimento, recompensa e realização pessoal.


RH -
Atualmente, o que mais se evidencia no âmbito organizacional: a fidelidade ou infidelidade na relação empresa-colaborador?
Marco Tulio Zanini - Diria que existe um jogo de infidelidades recíprocas em nosso tempo, e talvez por isso mesmo a confiança e a liderança tenham tornado-se temas tão relevantes no dia a dia das empresas.


RH - De que forma efetiva a área de Recursos Humanos encontra-se inserida no processo da Gestão da Confiança?
Marco Tulio Zanini - A área de Recursos Humanos encontra-se como zeladora e mantenedora dos espaços de compartilhamento de valores e contextos capacitantes para a manutenção da qualidade das relações existentes nas empresas.

 

 

Palavras-chave: | Marco Tulio Zanini | Gestão da Confiança | relacionamento |

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COMENTÁRIOS (4)
Valdete Aparecida Zanini Magalhães em 03/12/2011:
Muito interessante. Estamos em uma instituição onde tentamos a gestão participativa e por algum tempo, me pareceu estar tudo bem. Sinto que atualmente não estamos conseguindo engajar a equipe como outrora, por vezes penso que seja pela postura de solicitação de utilização de bom senso. Gostei do comentário com relação a impunidade, afinal, o que é bom senso para um pode, ou não o é para o outro. Me identifiquei muito com o relato e estou sugerindo uma leitura para fazermos avaliação final. Por último e não menos importante, para mim, gostaria de saber se o Professor tem alguma ligação com a Família Zanini de Fernandópolis.

Francisco de Assis Ferreira em 11/11/2011:
Muito bom. Geralmente os empresários acham que a infidelidade está apenas nos funcionários, mas Zanini afirma que a infidelidade é recíproca. Parabéns. Leitura Sugerida: "Bom dia preguiça" de Corine Maier.

Thiago Picheka em 10/11/2011:
Gostei da entrevista. O Sr. Marco soube nos expor corretamente a atual forma de trabalho dos colaboradores: Dar o melhor de suas forças esperando reciprocidade das empresas! Boa entrevista, Patrícia

Telma Ayres em 08/11/2011:
Excelentes ponderações do Zanini. Parabéns pela 'convocação' feita a área de Recursos Humanos para ser guardião do zelo com os valores das relações. Ao aceitarmos este convite, promoveremos mais qualidade de vida. Abraços.

 
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