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06/08/2013
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Empresas públicas: Gestão de Pessoas passa por mudanças estratégicas

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Cada vez mais as empresas apresentam sinais claros de que a preocupação com o capital humano é, de fato, o diferencial para o negócio, independentemente do segmento e do porte da companhia. Diante disso, empresa do setor privado e público buscam alternativas condizentes às suas respectivas realidades e necessidades organizacionais, para adotarem metodologias com vistas ao desenvolvimento dos talentos.
Mas o que pensa a esfera pública, no tocante à Gestão de Pessoas? Para conhecer um pouco mais dessa realidade, o RH.com.br conversou com o Sergio Pinheiro Rodrigues vice-presidente de Recursos Humano da CAIXA, uma das maiores empresas do Governo Federal. Segundo ele, a instituição possui como meta "situar-se entre os três maiores bancos do país e consolida sua liderança como principal agente das políticas públicas do governo até 2022". Desde que assumiu o cargo de VP de RH em 2011, Rodrigues tem defendido que para alcançar esses objetivos, a CAIXA precisa continuar investindo no desenvolvimento dos talentos internos. "Precisamos ter equipes de alta performance, conscientes e comprometidas com a missão e os valores da instituição, através da disseminação de uma cultura organizacional voltada para a obtenção de resultados estratégicos e adotar políticas de reconhecimento e valorização dos nossos recursos humanos", defende.
Ao ser indagado sobre o que atrapalha a Gestão de Pessoas no setor público, Sergio Pinheiro Rodrigues é categórico ao afirmar que os principais fatores são os critérios políticos para preenchimento de cargos comissionados, estrutura funcional excessivamente centralizada, ausência de alinhamento estratégico, excesso e inflexibilidade normativa, além da visão, ainda existente, de que gastos com treinamento e capacitação de funcionários representam custos e não investimento. Com a bagagem de ter atuado em outros órgãos públicos Banco do Brasil, Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, Banco do Estado do Maranhão, entre outros, Sergio Pinheiro Rodrigues traz um pouco da sua experiência para ser compartilhada com os leitores do RH.com.br, mas enfatizando sua atual experiência junto à CAIXA. Confira a entrevista na íntegra e tenha uma agradável leitura!

 

RH.com.br - Em abril de 2011, o senhor assumiu a Vice-presidência de RH da CAIXA. Qual a dimensão dos desafios da sua gestão?
Sergio Pinheiro Rodrigues - A atual direção da CAIXA incluiu, em seu planejamento estratégico, a meta de se situar entre os três maiores bancos do país e de consolidar a sua liderança como principal agente das políticas públicas do governo até 2022. Para tanto, precisamos ter equipes de alta performance, conscientes e comprometidas com a missão e os valores da instituição, através da disseminação de uma cultura organizacional voltada para a obtenção de resultados estratégicos e adotar políticas de reconhecimento e valorização dos nossos recursos humanos apoiada na meritocracia, de forma e sermos reconhecidos - e essa é outra meta com que nos comprometemos - como uma das empresas que buscam a excelência na Gestão de Pessoas. Essa é a dimensão dos desafios que tenho pela frente.

 


RH -
Em sua visão, quais são as peculiaridades que a Gestão de Pessoas de um órgão público possui, quando comparado a uma empresa privada?
Sergio Pinheiro Rodrigues - É um pouco difícil traçar um paralelo entre as organizações públicas e privadas, dada à diversidade das áreas de atuação do setor público, que não lhe confere um caráter homogêneo. Pode-se perceber, contudo, uma mudança de tratamento no setor público em relação à área no que se refere à formação e capacitação de seus funcionários, para enfrentar e se adaptar ás mudanças do mundo contemporâneo.

 


RH -
Essas diferenças em Gestão de Pessoas entre empresas públicas e privadas tendem a diminuir?
Sergio Pinheiro Rodrigues - A emergência de uma nova classe média traz em seu bojo cidadãos mais exigentes em relação aos seus direitos e à qualidade dos serviços, De outra parte, a reformulação do papel do Estado na economia nacional e internacional, onde o Brasil já ocupa lugar de destaque, deve necessariamente provocar a necessidade de mudança na postura do servidor público. Habilidade na comunicação, competência interpessoal, sensibilidade social, visão sistêmica e orientação para resultados são algumas das exigências que o profissional do setor público terá que atender.



RH -
Do tempo que o senhor iniciou sua gestão como VP de RH até o presente momento, o que mudou nos órgãos públicos, notadamente ao que se refere ao desenvolvimento de talentos?
Sergio Pinheiro Rodrigues - Tenho acompanhado várias ações dignas de registro como, para citar apenas um exemplo, aliás, retratado pelo próprio RH.com.br, a experiência do TRT 8ª Região, com a implementação do Programa de Desenvolvimento de Líderes, o que constitui um excelente exemplo de que a preocupação com a formação e o desenvolvimento dos recursos humanos não mais se limita ao setor privado. No âmbito da CAIXA, constitui motivo de orgulho para nós a existência de uma universidade corporativa, a chamada Universidade CAIXA, criada em 2001 e já objeto do reconhecimento, inclusive internacional, com o recebimento de várias premiações.

 


RH -
O que mais tem sido observado na capacitação dos talentos, principalmente dos órgãos públicos?
Sergio Pinheiro Rodrigues - Cito o caso da CAIXA. Durante o processo de construção do novo Modelo de Gestão foi realizada uma pesquisa sobre saúde organizacional, que teve como foco avaliar nosso direcionamento estratégico, capacidade de renovação e de execução da estratégia estabelecida. Os resultados levaram à inclusão da "cultura' como elemento do novo modelo. Diante disso, selecionamos duas ações prioritárias que deverão nortear nosso trabalho: liderança e gestão de talentos. Os futuros líderes da CAIXA deverão praticar a liderança pelo exemplo, conduzindo os negócios na nova direção e estando mais próximos aos clientes, mercado e aos empregados. De outra parte, buscaremos aprimorar os processos de geração e o desenvolvimento de novos talentos, redefinindo os processos de meritocracia para reconhecer de forma mais efetiva as contribuições individuais. A gestão de desempenho será redesenhada de forma a permitir maior transparência, reconhecimento, dialogo e desenvolvimento pessoal.

 


RH -
As mudanças na Gestão de Pessoas dos órgãos públicos tendem a ganhar mais força e velocidade?
Sergio Pinheiro Rodrigues - Ainda que de forma gradativa, as mudanças tendem a ganhar mais força em decorrência da própria cobrança da sociedade que exige serviços cada vez mais qualificados a da própria inserção cada vez maior do Brasil no rol das economias mais desenvolvidas. Para tanto, porém, é indispensável que as pessoas que demandam o setor público sejam tratadas como clientes, como cidadãos e não apenas como meros usuários de seus serviços.

 


RH -
Os profissionais de RH da rede pública estão mudando de perfil?
Sergio Pinheiro Rodrigues - Os profissionais de RH têm que estar preparados para uma mudança de postura. A estabilidade decorrente do ingresso por concurso público não deve ser entendida como alienação às estratégias e às políticas da organização, mas, ao contrário, deve significar uma constante disposição para a busca do aprimoramento, independentemente das pessoas que estejam eventualmente no comando.

 


RH -
Quais os fatores que o senhor assinala como os que alavancam a atuação do profissional de RH no setor público?
Sergio Pinheiro Rodrigues - Em última análise, o reconhecimento de que ele deve ser visto como parceiro estratégico da instituição e não apenas como integrante de um mero centro de custos. É imprescindível, porém, que a exemplo do que ocorre no setor privado sejam implementadas, na área pública, ações que melhorem a percepção do cliente, mediante o acompanhamento e a adoção de política de consequência e reconhecimento.

 


RH -
Quais os fatores que mais prejudicam a Gestão de Pessoas no âmbito público?
Sergio Pinheiro Rodrigues - Critérios políticos para preenchimento de cargos comissionados, estrutura funcional excessivamente centralizada, ausência de alinhamento estratégico, excesso e inflexibilidade normativa, além da visão, ainda existente, de que gastos com treinamento e capacitação de funcionários representam custos e não investimento.

 

RH - Que avaliação o senhor faz do momento vivenciado pelos profissionais de RH, que atuam diretamente na administração pública?
Sergio Pinheiro Rodrigues - Os profissionais de RH vivem um momento de afirmação. A visão da área como unidade estratégica da organização já não é mais uma preocupação e palavra de ordem apenas do setor privado, mas também da área pública. Ainda que, no setor público, as mudanças sejam mais demoradas, acredito que a visão da área de RH como refúgio natural daqueles que passaram sem êxito pelas demais áreas das organizações seja definitivamente coisa do passado.

 

RH - Quais suas expectativas para a área de RH dos órgãos públicos. em médio e longo prazo?
Sergio Pinheiro Rodrigues - A área de RH em órgãos público tende a adotar estruturas mais flexíveis, as antigas hierarquias, caracterizadas pela rigidez no cumprimento dos normativos, tenderão naturalmente a ser substituídas por estruturas horizontais mais ágeis, nas quais os agentes passem a trabalhar em rede. Para isso, se faz necessária a atualização do Estatuto do Servidor - instrumento hoje anacrônico em relação aos modernos preceitos da administração de Recursos Humanos, de forma a que sejam contempladas ações como: facilitar a atuação de seu quadro de funcionários alinhada com a visão de futuro, assegurar ao Estado suporte para a manutenção de uma imagem institucional positiva, democratizar as relações de trabalho, identificar e reter os melhores talentos, entre outras.



RH - Essa expectativa reflete sua experiência vivenciada como VP de RH da CAIXA?
Sergio Pinheiro Rodrigues - Sem dúvida. Em relação à CAIXA, temos um imenso desafio adicional. Temos um quadro de pessoal eminentemente jovem, com cerca de 60% dos empregados há menos de 10 anos na empresa, número que deve aumentar com a incorporação de novas pessoas. Nesse contexto, temos a responsabilidade de transmitir a esses novos talentos, a chamada geração Y, a visão e os valores da CAIXA - o "vestir a camisa", que sempre estiveram presentes naqueles que estão deixando a empresa.

 

Palavras-chave: | CEF | Sergio Pinheiro Rodrigues |

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