Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
Hoje, a mudança tornou-se palavra-chave para as organizações manterem-se competitivas no mercado. Afinal, é preciso acompanhar as mudanças ou se corre o risco de ficar atrás da concorrência e perder espaço no mercado. Mas, quais são as mudanças que estão ocorrendo nas organizações quando o foco é voltado ao capital humano?
Na companhia Ferramentas Gerais, por exemplo, a transformação começou em 2008 - época em Marcelo Favieiro assumiu a posição de diretor-presidente da companhia. Na oportunidade, o setor de RH recebeu a denominação de Área de Gestão de Pessoas e a premissa fundamental da organização passou a ser - desenvolvimento e crescimento alicerçados sobre o tripé: tecnologia, disponibilidade e pessoas. Assim, o direcionamento para se atingir os resultados projetados em um período de cinco anos ficou fortemente voltado aos profissionais, com o desafio de transformar "dois mil colaboradores em dois mil vendedores".
A Ferramentas Gerais, empresa do Grupo SLC, atua no fornecimento de ferramentas, máquinas, equipamentos e suprimentos para os mais variados segmentos industriais e de serviços. Fundada em 1957, conta com mais de 120 mil itens em estoque e unidades de negócios instaladas nos seguintes Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco, além de ter mais de 30 lojas In Company.
De acordo com Auri Filho, gerente corporativo da Área de Gestão de Pessoas (AGP), hoje os stakeholders têm um entendimento muito mais claro de que a área envolve-se, verdadeiramente, nos assuntos estratégicos da organização, discute o futuro da organização e tem papel fundamental na construção do Planejamento Estratégico. Existe um maior reconhecimento, inclusive, por parte dos colaboradores e também dos gestores, dessa atuação efetiva na gestão da empresa, principalmente, com o início de novos projetos e ações com esse enfoque.
Quando questionado como ocorreu a transição do setor de RH para a Área de Gestão de Pessoas, o gerente corporativo explica que processo passou a ser desenvolvido a partir de um entendimento entre ele e o diretor-presidente da companhia. "Ambos somos profissionais que temos esse perfil de Gestão de Pessoas. Isso, de certa forma, facilitou esse alinhamento. Estamos conduzindo juntos esse processo, contando com o apoio integral do Conselho de Administração", afirma, ao acrescentar que entre as principais etapas dessa mudança encontram-se: realização de um diagnóstico da então equipe de RH; construção de um Sistema de Gestão de Recursos Humanos ligado ao Planejamento Estratégico, além de disseminação, entre os colaboradores, de toda a mudança estrutural e de como essas novas diretrizes seriam aplicadas na prática.

Mudança além do nome - Como a transição para a AGP foi um trabalho a longo prazo, de um modo geral, as pessoas estavam descrentes de que era possível praticar a teoria e fazer com que o setor de Recursos Humanos atuasse estrategicamente. A superação dessas dificuldades deu-se, principalmente, com a entrega de resultados. Ou seja, os profissionais começaram a sentir os efeitos de toda essa mudança, sem que se perdesse de vista a qualidade do trabalho e o cumprimento dos prazos. "Estamos mostrando como a Área de Gestão de Pessoas pode contribuir verdadeiramente para o alcance de resultados das demais áreas", pontua Auri Filho.
Para o gerente corporativo da AGP, o grande desafio que ele enfrenta está relacionado a ter perseverança diante das eventuais resistências. Os obstáculos certamente, afirma ele, sempre aparecerão no caminho da companhia. Mas para superá-los, é preciso dar tempo ao tempo e sermos persistentes nos propósitos que devem ser alcançados.
Sem dúvida alguma, a participação ativa da área de Gestão de Pessoas é um diferencial significativo para a Ferramentas Gerais. Sobre essa questão específica, Auri Filho salienta que a grande diferença está justamente que ao invés de receber um objetivo "X" já estabelecido, restando apenas às pessoas o alcance de metas, por exemplo, agora são os profissionais que constroem esse objetivo.
Planejamento estratégico - Quando indagado se a elaboração do Planejamento Estratégico, pela área de Gestão de Pessoas, será uma tendência no mercado, o gerente corporativo da Ferramentas Gerais menciona que essa pode ser considerada muito mais uma necessidade do mercado.
"O discurso de que empresas são feitas por pessoas precisa ser aplicado na prática. Desenvolver um trabalho pioneiro exige um alto investimento. Mas quando der certo, estaremos à frente das empresas que ainda não o fizeram. Vivenciar essa nova experiência oportuniza a ampliação dos horizontes, a identificação de novos rumos, o aumento do leque de ideias por parte dos colaboradores e é justamente aí que a empresa ganha em vantagem competitiva", justifica.
No caso específico da Ferramentas Gerais, ele enfatiza que de uma forma ilustrativa o que mudou foi a ordem dos fatores: antes, era primeiro o "o quê?" e depois o "quem?". Agora, é primeiro o "quem?" (pessoas) e depois o "o que?" (construído pelo grupo). Inclusive, ele comenta que esse processo de mudança ainda está em sua fase de consolidação, pois exige um longo prazo para ser efetivado completamente. Contudo, o que se pode esperar é uma atuação estratégica ativa, que proporcione o desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas, para que, em equipe, possam atingir os objetivos estratégicos construídos pelos próprios profissionais.
Expectativas para o profissional de RH - Auri Filho cita que, infelizmente, ainda hoje a área de RH é vista, por muitas empresas, como um mal necessário. É o setor que tem poderes para elaborar e julgar leis, é quem avalia e dá o parecer final sobre admissões, demissões, promoções, entre outras atividades. Essa é uma questão histórica. Também por essa razão o RH ainda vive isolado, pois precisa obter a isenção para seus "julgamentos" e, o distanciamento, precisa estar por trás dos controles.
"Em razão de tudo isso, minha expectativa é de que esses profissionais de RH saiam do isolamento, que vivam outras equipes, que arrisquem e sejam mais criativos. É preciso que participem efetivamente dos debates, que discutam sobre negócios, mercados, que conheçam o meio em que estão inseridos. Somente assim conseguirão gerir pessoas e não apenas Recursos Humanos", sintetiza sua opinião de forma otimista.
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