Por Hugo Tisaka para o RH.com.br 
Felizmente, esta vítima retornou com vida e com sua saúde perfeita. No entanto, psicologicamente abalado, ausentou-se por algumas semanas. Quando retornou ao trabalho, quase não o reconhecemos, era praticamente uma outra pessoa. Posso dizer, sem chances de errar, que a vida desta pessoa mudou radicalmente. Do ponto de vista do ser humano, este indivíduo, após passar por grande trauma, refez a sua ordem de preceitos e valores em sua vida, que o levou a uma mudança em seu comportamento.
Do ponto de vista corporativo, quando ocorre um seqüestro com um executivo, isso pode significar um desastre. Existe, de imediato, a suspensão dos negócios em andamento. O moral da equipe e do restante da empresa atinge níveis estarrecedores. A estratégia montada para este segmento da organização também ficará prejudicada. Além disso, não é socialmente aceitável colocar um substituto antes do desfecho do caso e ainda por cima outros profissionais acabam acumulando tarefas, incorrendo em erros e sobrecarga de atividades. E se for necessário substituir este executivo, a contratação de um novo profissional pode envolver tempo, risco e altos custos.
Quando o desfecho é positivo, o executivo volta com outros valores pessoais, atribuindo mais importância à sua família e ao bem-estar, diminuindo consideravelmente suas horas de trabalho e muitas vezes, perdendo a agressividade necessária. Por isso, a empresa deve ainda proteger seus investidores, que são diretamente prejudicados se um incidente indesejado como este estremecer os alicerces da corporação e derrubar o valor de suas ações.
Segurança não é somente um problema, mas sim um risco para o negócio. Uma crise pode comprometer seriamente a imagem e a confiabilidade da empresa e pode estar relacionado a três grandes categorias: segurança das informações, pessoal e patrimonial.
Mas não se enganem, pois nessas três categorias o RH está envolvido de uma certa forma. Em todas elas, é necessário ter uma política de procedimentos. Não basta o departamento responsável pelo patrimônio gastar fortunas em controle de acesso, se o porteiro abre a porta para qualquer pessoa. Não adianta o departamento de tecnologia colocar barreiras em suas redes se alguém os desliga para jogar na Internet durante o plantão nos finais de semana.
Quando o mega empresário Bill Gates foi atacado por anarquistas na Bélgica, no início de 1998, sua foto apareceu na capa de praticamente todos os jornais do mundo e foi assunto de um igual número de telejornais. Pode-se imaginar a extensão do prejuízo em termos de imagem institucional. Proteção pessoal pouco tem a ver com pneus cantando e pessoas sendo arremessadas através de portas de vidro, mas sim com a avaliação de vulnerabilidade, coleta de informações para inteligência, transporte, deslocamentos, tecnologia, primeiros-socorros e apoio.
O agente de segurança também não condiz com a imagem usual do guarda-costas. Os especialistas em proteção pessoal são profissionais que participam de treinamentos especializados e que aprenderam e aperfeiçoaram esta habilidade e muitos deles usam a inteligência e não armas.
Ao protegemos alguém, não estamos oferecendo segurança somente para o indivíduo, mas também garantindo a continuidade das atividades daquela célula familiar ou corporativa. Muitas vezes, esta pessoa ocupa uma posição-chave dentro da organização e protegê-lo adequadamente impacta na missão da empresa de duas formas: (i) preserva o capital intelectual, mantendo a integridade física deste profissional; (ii) faz com que ele otimize o trabalho, sem ter que se preocupar com sua segurança pessoal, concentrando-se somente no negócio.
O que pode ser feito? Não existe uma "fórmula de bolo" que possa servir a todas as organizações, pois cada empresa tem seu modus operandi, mas oferecemos abaixo algumas dicas.
Em primeiro lugar, é muito importante lembrarmos que a sede da empresa não é um "quartel". É comum vermos organizações que resolveram adotar medidas de segurança da noite para o dia e acabam exagerando na dose. O importante é fazê-los entender o porquê da empresa estar adotando tais medidas e suas conseqüências.
Outro aspecto importantíssimo é que a adoção de uma nova Política de Segurança na empresa deve ser feita de uma maneira Top-down, significando que os dirigentes da empresa devem estar igualmente comprometidos e fazer com que seus comandados cumpram rigorosamente estas medidas.
Após o planejamento cuidadoso das ações a serem tomadas, é necessário fazer um trabalho de conscientização, para que ocorra o máximo engajamento por parte dos colaboradores. É de extrema importância, para que um determinado incidente seja rapidamente controlado e administrado. Algumas tarefas simples como definir um interlocutor para a comunicação com a Imprensa, até detalhes operacionais para manter a produção funcionando estão incluídas.
O desafio de prover proteção a esta pessoa, no entanto, é muitas vezes difícil em função da relutância em se submeter às restrições e às normas de segurança. Algumas correntes de Recursos Humanos pregam que é dever da empresa proteger este asset tão valioso. Além do lado humano, como a perda de um profissional seqüestrado, os prejuízos para a empresa são enormes.
No entanto, percebe-se que em muitas empresas, os gestores de Recursos Humanos ainda não estão empenhados nesta causa. Em geral, isso ocorre porque não conhecem o assunto. E nem poderiam. A formação destes profissionais não foi dirigida para este aspecto. Infelizmente, isto não redime a responsabilidade de buscar alternativas viáveis e tecnicamente corretas para proteger seus clientes internos.
Outro detalhe é que, muitas vezes, as organizações buscam formas alternativas e temporárias como a contratação de um policial ou de um militar. Além de ser proibido por lei, muitas das vezes eles não possuem uma estrutura para atendê-lo adequadamente. É importante que este assunto seja encarado como um dever frente à manutenção da estabilidade da organização, visto que o próprio negócio e outras pessoas dependem essencialmente de pessoas. Saiba que se esquivar destas responsabilidades e manter uma postura passiva em relação à segurança coloca a organização em sério risco.
Palavras-chave: | segurança |
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