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04/04/2005
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Pessoas em primeiro lugar

Por José Luís dos Santos para o RH.com.br

Costumo dizer que, há pouco tempo atrás, ao registrarem suas empresas e assinarem o Contrato Social das mesmas, os empresários "ganhavam um chicote de brinde" para "usá-lo no dia-a-dia". Afinal de contas, em algumas empresas, ele era (ou ainda é?) de suma importância.

Havia também um outro brinde, o "decibelímetro": quanto mais alto soassem os gritos, melhor seria para manter os trabalhos em ordem.

Alguns preferiam um pouco de barro, para que pudessem "sujar bastante a boca" e disparar palavrões horríveis, afinal, "empregado era feito para agüentar tudo, até desaforos".

Sentimentos e emoções eram palavras descartadas do ambiente corporativo: não importava o que algum colaborador pudesse pensar ou sentir, afinal de contas media-se seu valor através da sua "capacidade de submissão".

Escrevo tudo isso no passado porque tudo isso já deveria estar, realmente, escrito em uma página do passado, mas sei que muitos leitores estão vivendo a situação acima apresentada, ainda nos dias de hoje, embora toda globalização, embora os esforços dos Departamentos de RH, embora o esforço de tantos mestres nas universidades.

É bom lembrar que o período da escravidão no Brasil terminou em 1888, com sua abolição, período este em que nada era orientado para a satisfação pessoal X lucratividade e que, nos dias atuais, é impossível pensar em resultados positivos em uma empresa, sem que passemos primeiramente pelas pessoas envolvidas com a organização.

Alguém consegue imaginar-se sorrindo naturalmente, com uma tremenda dor de cabeça? Que tal imaginar-se plenamente feliz sabendo da morte de um ente muito querido e próximo? Da mesma forma, guardadas as devidas proporções, é impossível alguém gerar resultados positivos para uma organização (ou sorrisos) estando em uma posição desconfortável, sentindo-se ameaçado, humilhado, desprezado, um trapo, cheio de dor?

Afinal de contas, qual a vantagem em gerar resultados positivos se tudo em volta é negativo? Por que ser amor, se o que se vê e ouve, em volta, são estalos de chicotes, gritos e palavrões horrorosos?

Se esse ambiente pesado ainda é comum em algumas organizações, então por que os colaboradores não tomam alguma atitude? O escritor Jerônimo Mendes responde:
"Poucos se arriscam a discutir as relações desumanas no ambiente onde se ganha o pão de cada dia. Fomos doutrinados desde a Revolução Industrial para a submissão, por questão de sobrevivência. O profissional sofre calado até o último minuto, pois pensa na esposa, nos filhos, na mãe doente. É difícil administrar a pressão que vem do chefe, da família e da sociedade. Não fomos treinados para isso. É uma questão de cultura".

Muitos empresários (chicoteadores) acreditam que o grito conduz ao respeito. Enganam-se profundamente, pois o grito traz consigo a desarmonia do ambiente e o MEDO. O medo, como os gritos, passa... O respeito, adquirido através de uma política de extremo respeito às pessoas, permanece para sempre.

Podemos fazer um comparativo muito simples: se um guarda nos surpreende, quando cometemos alguma infração às leis de trânsito, e o mesmo nos dá uma "bronca daquelas", ele simplesmente vai lavrar a multa. Nós pagaremos e somente vamos nos lembrar da falta de educação do mesmo, desejando ardentemente nunca mais encontrá-lo pelos nossos caminhos.

Ao passo que, se o mesmo profissional, educadamente nos mostra os riscos que estávamos correndo e o risco em que colocávamos outras pessoas, agindo como um "educador" e não como um "capataz", nunca mais nos esqueceremos da atitude e da personalidade daquele guarda, fazendo com que sempre nos lembremos das suas palavras quando "ameaçarmos cometer novamente a mesma infração". Muito além de pagarmos a multa, pagaremos por uma boa educação no trânsito.

Sendo assim, o grito e o medo não levam ao respeito, ao compromisso, à vontade de realizar bons trabalhos etc.

A interação produtividade (com resultados positivos) X pessoas plenamente satisfeitas é uma lógica, contudo ainda falta boa vontade e capacidade de percepção a muitos empresários (chicoteadores), para que possam mergulhar de corpo e alma nessa nova missão: do respeito ao próximo. Missão essa que passa também pelo lado espiritual. Entre tantos versículos bíblicos sobre o assunto, posso citar o livro do Eclesiástico, capítulo 33, versículo 32: "Tens um funcionário? Trata-o como a ti mesmo, pois necessitas dele como de ti mesmo".

Resumindo: quer ter lucro? Respeite as pessoas, invista nas pessoas, pois, dessa forma, os resultados fluirão de uma maneira espetacular. Esse caminho não tem volta: as pessoas são a tônica das organizações.

Tudo que espero é que os empresários brasileiros acordem e/ou estejam sempre alerta para essa realidade de respeito às pessoas no ambiente de trabalho e, que tantos outros, aposentem o "velho chicote" para que o mesmo seja somente uma lembrança de um tempo que, queira Deus, jamais haverá de voltar.

Palavras-chave: | satisfação | alegria |

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