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07/08/2006
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Tolerância: qual o limite?

Por Joselí Rissi para o RH.com.br

Em consulta ao mais precioso livro, nosso grande companheiro das horas difíceis, o dicionário, concluí que a palavra "tolerância" provém do latim "tolerantia" e significa suportar um peso ou a constância em suportar algo, ou ainda, o ato de não exigir ou interditar, mesmo podendo fazê-lo, permissão. Teve no passado, e com sentido negativo, a função de designar as atitudes permissivas por parte das autoridades diante de atitudes sociais impróprias ou erradas.

Hoje em dia, pode ser considerada uma virtude e se apresenta como algo positivo e quase sempre necessidade básica de sobrevivência à velocidade das novas tecnologias. Na verdade a tolerância é o mesmo que paciência. E a paciência é justamente o bom humor ou o amor que nos faz suportar as coisas ruins ou desagradáveis. Nós, Seres Humanos, somos limitados, entenda-se aqui claramente, que limitados no sentido de capacidade de sermos cada vez mais rápidos. Somos cruéis e maus com as pessoas quando exigimos delas velocidade de máquina.

Desde a primeira Revolução Industrial que as organizações se tornaram maiores e mais complexas, trazendo consigo avanço tecnológico e uma visão focada para a lucratividade e a produtividade, onde homens já não se identificam com o produto de seu trabalho. Cada vez mais percebemos em nossos lares e o local de trabalho, as amarras da tecnologia bitolando fortemente o Ser Humano, individualizando-o, dificultando seu contato e relacionamento com os demais, mutilando indiretamente a criatividade, a imaginação, a percepção e a espontaneidade. Mas, o pior mesmo é o fato de exigirmos dos Seres Humanos velocidade só possível às máquinas. Isso é grave. O homem, cada dia mais, vai deixando de lado sua capacidade criadora para se tornar a "engrenagem de uma máquina".

A experiência do homem urbano funde-se com a tecnologia moderna. Mudanças na estrutura urbana, na arquitetura, nos meios de comunicação, na informática, correspondem à nova estrutura da vida. Parece que o ritmo das máquinas impõe um novo ritmo e um novo tempo para o Ser Humano. Muitas vezes o fator humano tem sido deixado em segunda, terceira ou quarta opção. Desde a Revolução Industrial que, para algumas empresas, o homem é visto sob uma perspectiva de engrenagem, em outras palavras comparado como uma máquina - Charles Chaplin demonstrou isso, muito bem, no filme Tempos Modernos. E Ser Humano não é máquina. Nos últimos tempos o número de pessoas com estresse ou outros problemas como depressão, causados por essa pressão contínua e excessiva, está aumentando assustadoramente - boas leituras nos mostram isso com clareza. Um dos fatos mais comuns no dia-a-dia dos escritórios das empresas são "Chefes" tidos como intolerantes, apressados ou estressados.

Por uma simples falta de coerência e de entendimento do chamado "Ser Humano" e "Ser Humano" tem limite, a capacidade e a velocidade de ação das pessoas não é exatamente igual à velocidade que esse mesmo ser humano imprime às novas máquinas. Aos computadores, e cada dia mais é assim, são atribuídos novos processadores, novas memórias e velocidade de resposta cada vez mais eficientes. O mundo globalizado e rápido impõe assim. E se não for assim, não vende. E se não vender, o destino é fatal.

A questão é extremamente polêmica, basta observarmos. Senão vejamos: esse mesmo homem que inventa novas ferramentas de trabalho - e não só de trabalho, para ser cada vez mais veloz, se esquece de que a sua velocidade como pessoa de carne e de osso não acompanha esse mesmo ritmo. E na verdade está longe disso.

À medida que novos processadores e memórias mais potentes são inseridos no mercado, o Ser Humano - que vive às custas dessas máquinas mais potentes - torna-se cada vez mais sobrecarregado no seu dia-a-dia e fica refém dessa tecnologia. O homem sempre busca correr à velocidade da máquina, se ilude e sofre. Na prática isso é impossível e, no mínimo, está trazendo para o homem cargas muito mais pesadas do que o esforço físico que enfrentava antes da evolução tecnológica.

UMA RELAÇÃO QUE DEVE SER AMIGÁVEL

Os administradores precisam ter sempre em mente - e com muita nitidez, os impactos que a velocidade tecnológica provoca ao desempenho das atividades diárias do Ser Humano. Necessitam ter a consciência plena, mas, acima de tudo, buscar um entendimento mais profundo e humanizado das pessoas, com o intuito simples de uma melhor qualidade de vida no interior das organizações.

Nos últimos anos, com o avanço desenfreado das tecnologias e o desenvolvimento grandioso de novas formas de trabalho, nas diversas áreas das empresas, o "Ser Humano" tem tido que se adequar à alta velocidade dos processos de trabalho, sem ter a chance, muitas vezes, de avaliação de sua capacidade física e de resposta correspondente ao poder de ação e de rapidez das máquinas, cada dia mais velozes. Como gestores de pessoas, os administradores têm o dever de equilibrar sempre o resultado a ser alcançado pela organização com a harmonia na qualidade de vida das pessoas, sem as quais não será possível a continuidade das empresas. Alcançar esse objetivo deve ser mais do que prioridade no planejamento de metas do administrador. Afinal, não existem empresas sem pessoas.

Palavras-chave: | estresse | tolerância | qualidade de vida |

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