Por Alessandra Neves Custódio para o RH.com.br 
Nos dias de hoje, os desgastes físicos e emocionais alastram-se nos locais de trabalho. Isso ocorre, na maioria das vezes, pelo desencontro da natureza do trabalho e a natureza da pessoa que realiza esse trabalho.
No livro "TRABALHO: Fonte de prazer ou desgaste? Guia para vencer o estresse na empresa", Christiana Maslach e Michael P. Leiter abordam muito bem os porquês e as conseqüências do desgaste físico e emocional.
Dores de cabeça, doenças gastrintestinais, pressão alta, tensão muscular e fadiga crônica são alguns dos problemas que o desgaste físico e emocional proporciona. Mas isso vai além, pois pode levar ao esgotamento mental, na forma de ansiedade, depressão e distúrbios do sono. Para muitos, tentar lidar com o estresse leva ao consumo de álcool, remédios (sem recomendações médicas) ou drogas.
O desgaste afeta tanto o indivíduo e os seus familiares quanto às organizações, afinal quanto mais as pessoas ficam estressadas e recebem menos apoio em suas vidas pessoais, mais elas se tornam menos capazes de lidar com os problemas do trabalho. O trabalho de alta qualidade requer tempo e esforço, compromisso e criatividade, mas os indivíduos desgastados já não estão mais dispostos a oferecer isso espontaneamente.
Como se pode ver, os custos do desgaste físico e emocional são significativos e não podem ser considerados como um problema só do indivíduo; a organização também tem sua porcentagem de "culpa". Geralmente, no ambiente de trabalho, os estímulos estressantes são muitos e variados. Quando uma organização age com eqüidade, valoriza seus funcionários, consegue manter um clima organizacional favorável para se trabalhar, ela consegue comprometer o indivíduo com o seu trabalho. Ao contrário, contribui diretamente para o desgaste físico e emocional.
Atualmente, trabalhamos muito mais do que convivemos com nossos familiares. Acredito que uma das soluções para este problema seria que a própria organização criasse ações preventivas, com ganhos tanto para o indivíduo quanto para a organização!
Algumas ações que poderiam ser implantadas seriam: técnicas de relaxamento, programas de promoção de saúde, segurança e qualidade de vida, psicoterapia e vivências que favoreçam o autoconhecimento, aprendizado de estratégias de enfrentamento e administração de conflitos. Tudo isso é muito bonito, mas como conseguir aprovação da diretoria para colocar em prática estas ações? Será difícil, mas não impossível e compete a nós, gestores de pessoas, provarmos que com estas ações poderemos evitar custos mais altos no futuro. Podemos argumentar que: pagar por um treinamento no presente evitará custos de um trabalho mal desenvolvido no futuro. Contratar um novo funcionário hoje - em vez de ter uma pessoa trabalhando dobrado - evitará a deteriorização da qualidade e os custos da exaustão e de doença.
Desenvolver um procedimento para resolver conflitos no grupo evitaria conflitos futuros que poderiam interferir na produtividade. Ouvir os funcionários antes que mudanças de políticas sejam impostas evitaria resistências e problemas imprevistos. Tratar os interesses e as necessidades dos seus funcionários, não apenas como benefícios ou caridade, mas como assunto estratégico de sobrevivência organizacional.
Caso não seja possível implantar grandes ações, podemos colocar em prática dois grandes valores básicos que podem ser desenvolvidos dentro da empresa e que não geram nenhum custo: desenvolver a auto-estima das pessoas e a empatia. Se desenvolvermos a auto-estima das pessoas, conseguiremos reverter ou amenizar um quadro clínico de desgaste físico e emocional. E neste caso a empatia seria a grande facilitadora das relações interpessoais, pois ninguém preservará a auto-estima de ninguém e nem a trabalhará positivamente sem sair de si mesmo, sem projetar-se psicologicamente e com sentimentos em direção ao outro.
Pequenas atitudes, porém não menos importantes, poderão contribuir para a superação de futuros desgastes físicos e emocionais nos locais de trabalho. Encontrar o equilíbrio da natureza do trabalho e das pessoas que o realizam é a resposta para este mal que pode acabar com indivíduos e organizações.
Palavras-chave: | estresse | emoção |



