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25/06/2007
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Atualizado sim, mas sem estresse

Por Valdemir José Francisco para o RH.com.br

O advento de novas tecnologias transformou o mundo numa aldeia global, como tem sido atualmente denominado. A informação passou a ser o “tesouro” mais cobiçado e buscado por nossa geração, pois a divulgação de determinados dados gera o conhecimento, que orienta as prováveis decisões gerenciais. Ok! Até aqui tudo bem. A questão maior é que a busca desenfreada por informações tem levado muita gente a perder o verdadeiro sentido da vida, transformando profissionais em verdadeiros escravos da mídia, da Internet, das revistas especializadas, dos congressos e das últimas novidades do mercado de trabalho, a semelhança dos Atenienses, residentes em Atenas nos tempos neotestamentários, que segundo o relato bíblico, de nenhuma outra coisa se ocupavam senão de contar ou ouvir a última novidade.

Nunca podemos esquecer de que não estamos aqui só para nos “atualizar”, viemos aqui para também amar, sonhar, compartilhar, dividir, somar, brincar, sorrir, meditar, formar família, admirar a beleza das pequenas coisas.

Conduzidos pela onda da “atualização” muitos profissionais perderam a capacidade de delimitar a vida profissional e a vida pessoal, em nome da disciplina, do engajamento, do exemplo, do receio de ser ultrapassado e de uma série de justificativas (o ser humano é especialista em auto-justificativa). A casa transforma-se em extensão do escritório, da fábrica, a esposa uma colaboradora, os filhos trainees, até o cachorro vira vigia.

O reflexo desse comportamento é visível no mau humor do amanhecer, no descontrole emocional, na irritabilidade, no acúmulo de tarefas inacabadas, no tratamento áspero, na indisposição para novos desafios e em diversas outras situações.

Para muitos o sucesso profissional chega junto com várias doenças, separações conjugais, distanciamento dos filhos, isolamento, dependência química, tristeza e depressão. E ai? Será que vale a pena ser assim? Será que precisa ser assim? Sinceramente, penso que não vale a pena ser assim e certamente não precisa ser assim.

É lógico que toda conquista tem seu preço. A dedicação e a diligência são ingredientes determinantes para o alcance de qualquer objetivo traçado, porém, devem estar acompanhados pelo bom senso e pela sensibilidade de ver não somente nossos alvos, mas olhar para quem está mais próximo de nós e perceber suas reais necessidades.

A vida pode ser mais “soft”, mais “light”, quando colocamos cada coisa no seu devido lugar, estabelecendo divisórias, barreiras de contenção, não permitindo invasões que nos transportem a outros lugares aos quais não estamos presentes fisicamente.

Quando nosso tempo é mais bem distribuído, entre o que somos obrigados a fazer, o que precisamos fazer e o que gostamos de fazer. Quando nosso trabalho pode ser feito como uma alegre brincadeira de criança, como Ronaldinho gaúcho, que mesmo jogando futebol profissional, faz malabarismos com uma bola, em um estádio repleto, assistido por milhões de pessoas, como se estivesse brincando em uma “pelada”, num campo da várzea. Quando nosso estudo tem como objetivo primário, nos fazer crescer, para depois aplicarmos seus princípios em algum lugar ou em alguma situação. Quando o trabalho é considerado um meio e não um fim. Ele é o meio principal para suprirmos as nossas necessidades materiais, que devidamente preenchidas devem nos conduzir ao verdadeiro alvo da vida, VIVER. Este é o verdadeiro sucesso, utilizar-se de todos os recursos materiais para viver a tão desejada qualidade de vida.

O profissional que entregar sua vida a um único propósito corre o risco de chegar ao fim da jornada e descobrir que não valeu a pena, e o pior, saber que não poderá mais percorrer aquele mesmo percurso para reparar os danos, pois a corrida da vida acontece somente uma vez. Há um antigo adágio que diz: “a melhor preparação para o amanhã é o uso correto do hoje”.

Vale a pena conquistar tudo o que estiver no escopo da nossa vida profissional, mas sem perder o sorriso, a saúde, a família, os amigos, a noção do tempo, a contemplação do belo, os momentos de prazer e acima de tudo, a alegria de viver.
Atualizado sim, mas sem estresse.

Palavras-chave: | estresse | qualidade | vida |

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