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12/11/2007
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Festa de Natal na empresa

Por José Vieira Leite para o RH.com.br

Festa de Natal na empresa. Discursa o chefe: "O funcionário é o ativo mais importante para nós", "A empresa é a nossa segunda casa", "O homem é o centro da organização" etc.

Dá para acreditar? Não, de um modo geral, não dá não.

A maior parte das empresas da atualidade não leva em conta – tanto para dentro, quanto para fora de si mesmas – o relevante papel social que detém. É um equívoco, e grave, supor que as empresas são criadas, antes de mais nada e acima de tudo, para gerar lucros. Essa idéia, dominante nos dias de hoje, deixa de lado a finalidade primeira de qualquer empreendimento, de natureza econômica, de um ser humano: produzir bens ou serviços, materiais ou imateriais, que sejam útil para si próprio ou para algum outro ser (humano ou não).

Pior ainda: a visão de que empresas existem, por definição, para dar lucros, coloca a dimensão econômica em posição superior ao plano social, no qual deveria, necessariamente, inscrever-se. Com isso, como sabiamente diziam nossos avós, joga-se fora o bebê junto com a água da bacia. Ou seja, o homem deixa efetivamente de ocupar o lugar central das organizações – privadas ou públicas -, tomando o seu lugar a "idéia do lucro" – particular ou de todos - a qualquer preço.

O ser humano, aquele que de fato trabalha, deve ser recolocado no centro da organização, não apenas no momento da festa de Natal, pois isto, está provado: é altamente lucrativo para a empresa e para quem nela trabalha.

Para tanto, é preciso atentar para a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) de quem é responsável pela produção dos lucros, ou seja, aqueles que trabalham. E aí, não basta promover ações de caráter tão somente compensatório - no limite, meramente paliativo -, do tipo atividades antiestresse (ex.: Dança de Salão, Tai Chi Chuan, Aikido), mas promover mudanças nas causas do mal-estar no trabalho, que se encontram, fundamentalmente, nas condições, organização e relações socioprofissionais de trabalho. Não basta, portanto, mergulhar quem trabalha em uma espécie de "ofurô corporativo", do qual ele saia, renovado, "pronto" para novamente enfrentar as mesmas dificuldades no trabalho que demandaram sua imersão nas "águas" da compensação.

Implementar QVT com foco preventivo requer, porém, certos cuidados. É preciso que as ações de QVT tenham como sustentação o envolvimento institucional, a responsabilidade social, o comprometimento de dirigentes em todos os níveis hierárquicos, as parcerias intersetoriais, a participação efetiva dos trabalhadores.

Sendo breve, QVT é tarefa de todos! É preciso que as ações de QVT produzam a disseminação de uma cultura organizacional de bem-estar coletivo, ancorada em prevenção de riscos para a saúde, segurança e conforto de quem trabalha e desenvolvimento dos trabalhadores. É preciso que as ações de QVT contenham uma gestão do trabalho que promova a autonomia, a cooperação, a flexibilização do processo de trabalho e a valorização de competências de quem trabalha.

O imperativo para mudança de mentalidade não se situa apenas nos ingredientes do novo cenário de competição globalizada, mas nas evidências de que tratar os trabalhadores na velha estratégia de sedução para as metas de produtividade é miopia gerencial. Os efeitos deste problema de visão se manifestam nos abundantes resultados de estudos e pesquisas que vêm mostrando o crescimento exponencial de um pacote de indicadores críticos: absenteísmo, rotatividade, retrabalho, síndrome de burnout, assédio moral no trabalho, lesões por esforços repetitivos, dentre outros.

Que sejam realizadas muitas festas de Natal, uma tradição para lá de salutar – também no universo empresarial – de nossa cultura. Afinal, co-memorar – que significa lembrar com, lembrar junto, lembrar em conjunto – a permanente presença, no meio de nós, de Jesus Cristo, expressão maior da assim denominada cultura ocidental judaico-cristã – na qual, querendo ou não, todos nos inscrevemos -, quase sempre produz incremento positivo, ainda que fugaz, de QVT no ambiente organizacional.

Muito para, além disso, todavia, a prática efetiva da abordagem da QVT preventiva, em superação da miopia gerencial – ainda tantas vezes encontrada nos dias que correm – por certo irá agregar credibilidade ao discurso do chefe na festa de natal da empresa, produzindo, em lugar da tão recorrente mistificação atual, a verdade, como caminho de conquista de justiça e paz.

Palavras-chave: | discurso | reconhecimento |

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COMENTÁRIOS (1)
Celina em 17/11/2010:
Parabenizo o autor pelo artigo tão significativo.

 
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