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28/04/2008
RH » Qualidade de Vida » Artigo Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Gestão da Empresa e da Vida: um tênue equilíbrio entre meios e fins

Por André Dametto para o RH.com.br

Um dos exercícios que mais me atraem é identificar nas práticas de gestão das organizações algumas lições para que tenhamos uma vida mais equilibrada e, assim, satisfatória. As analogias são as mais diversas, tanto que encontrei no Coaching uma possibilidade de apoiar pessoas usando muitos modelos mentais que aplico nas consultorias organizacionais. Entretanto, quero compartilhar uma lição aprendida: percebo que, para a dupla efetividade na empresa e na vida, o foco da abordagem na Gestão da Empresa deve ser diferente da abordagem na Gestão da Vida.

Primeiramente, é importante conceituar: O que é a Gestão? É o conjunto de ações que conduzem um sistema a alcançar um resultado. Um Sistema, por sua vez, é um conjunto de partes interligadas no qual existe, ou deveria existir, uma função. Assim como as empresas, os seres humanos também são sistemas. Do mesmo modo que as organizações bem sucedidas souberam definir uma proposta de valor de atuação no mercado, as pessoas também podem experimentar uma vida mais efetiva ao admitir que também possuem um propósito. Mas, a grande sabedoria está em saber lidar com este propósito.

Entendo que enquanto na empresa o foco deve estar nos resultados, e a partir dele melhorar os meios de sua obtenção (estratégias, processos, estruturas, tecnologias), na vida, a lógica é oposta: precisamos viver plenamente o AGORA e reconhecer que a partir de um presente bem vivido, sabendo usufruir aquilo que a vida nos apresenta, será mais fácil alcançar nossos resultados no futuro. Não defendo aqui uma eliminação do conceito de planejamento na vida, mas sim a forma danosa com a qual ele muitas vezes é feito. Faço questão de usar o termo foco, pois defender empresas voltadas exclusivamente para resultados, ou pessoas imersas apenas no seu dia-a-dia, já seria um indicador de desequilíbrio.

O foco em resultados para as organizações é devidamente ensinado nas melhores escolas, e premiado por bônus cada vez mais altos nas organizações. Eis aí uma grande armadilha para o gestor: de tanto aplicar o paradigma de foco em resultados na empresa, ele se percebe refém de seus próprios pensamentos e crenças, tornando-se um indivíduo angustiado também nas vivências pessoais, por entender que este modelo mental também deve guiar a sua vida como um todo. E aí, identificamos pessoas extremamente profissionais na sua maneira de lidar com os amigos, com os familiares, e o pior, consigo mesmas. São acionistas constantes de suas vidas, demitindo suas emoções sem dó nem piedade, e desvalorizando suas ações no mercado das crenças ao sinal de um pequeno deslize, o que caracteriza o perfeccionismo que assola os profissionais nos dias de hoje. É comum conhecermos executivos extremamente bem sucedidos, focados em metas e que, em determinando momento, se perguntam: ok, e aí?

Um grande desafio é saber equilibrar este foco em fins e meios, pois aplicar indiscriminadamente a justificativa de que os fins justificam os meios pode trazer conseqüências maquiavélicas para o indivíduo. Sendo assim, recomendo que primeiramente identifiquemos em nosso sistema qual o nosso propósito e quais os nossos valores. A partir disto, poderemos identificar no momento da reflexão qual dos nossos subsistemas está merecendo maior desenvolvimento: o afetivo, o espiritual, o profissional, o financeiro, o intelectual ou o físico. A partir desta análise, podemos saber qual modelo mental irá contribuir mais para nosso desenvolvimento, para dessa forma partirmos em busca do equilíbrio de todo este conjunto.

Com este artigo não quis ser um algoz do planejamento, da estratégia, da meta. Pelo contrário, sou um defensor ferrenho destes conceitos, tanto nas consultorias quanto no Coaching. Mas defendo mais ainda o equilíbrio. A grande lição é que, entre ser o executivo “capa de revista”, com bolsos angustiadamente recheados, ou um ser satisfeito com amigos, familiares, colegas de trabalho, e principalmente consigo mesmo, fico com a segunda opção. Equilíbrio para você!

Palavras-chave: | equilíbrio | meta | gestão |

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