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02/02/2009
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O dinheiro ou a vida?

Por Jerônimo Mendes para o RH.com.br

Algumas afirmativas que circulam pelo mundo corporativo são dignas de reflexão: você precisa crescer; você pode mais; pense grande; você merece mais; desperte o líder que existe dentro de você; mude enquanto é tempo; acredite no seu potencial, e assim por diante. De fato, não conheço ninguém que tenha iniciado a carreira como aprendiz ou estagiário e tenha permanecido feliz no mesmo cargo por mais de um ou dois anos - embora existam pessoas que não moveriam uma palha sequer apenas para não ter que sair da zona de conforto.

Naturalmente, o ser humano é movido pela necessidade de crescimento pessoal e profissional e, consequentemente, pela condição inequívoca de ganhar mais dinheiro, na medida em que suas despesas e necessidades crescem. Quanto mais você ganha, mais precisa ganhar por conta das suas necessidades ilimitadas, além da percepção equivocada de que, quanto mais dinheiro você tem, mais bem-sucedido ou inteligente você é.

Apesar de tudo, ainda que o objetivo principal na vida não seja ganhar dinheiro, você vai precisar dele para as coisas mais básicas, tais como alimentação, moradia e vestuário. Como vivemos em estado permanente de crescimento e de mudança, independentemente da fase profissional alcançada e da quantidade de dinheiro amealhada, temos dificuldade para responder a uma pergunta crucial que nos atormenta todos os dias: o dinheiro ou a vida?

A grande ilusão do mundo corporativo é acreditar que existe espaço para todos crescerem, ganharem mais e galgarem posições melhores na empresa onde trabalham. A maioria das companhias têm apenas um presidente, poucos gerentes, alguns especialistas e coordenadores e, na sua grande maioria, milhares de bons soldados dispostos a dar o sangue pela empresa, outros nem tanto.

Ganhar mais, crescer profissionalmente e aspirar a um modo de vida melhor são desejos e direitos legítimos do ser humano. Entretanto, a obsessão pelo dinheiro, cargo ou status é algo doentio que acaba de maneira tragicômica para muitos profissionais. Quanto mais você trabalha e mais depende do salário, mais escravo você se torna da sua própria ganância.

Enquanto a necessidade de ganhar dinheiro for incontrolável, talvez você nem se dê conta dos males incorporados inadvertidamente na sua vida. Você estará dividido entre duas preocupações que farão enorme diferença daqui a alguns anos:
1) a sua qualidade de vida;
2) como fazer para não gastar todo o seu dinheiro no tratamento de doenças que comprometeram sua saúde e sua energia enquanto você ganhava dinheiro.

O fato é que a simples vontade de satisfazer nossos desejos de consumo, apesar de legítima, tende a arrebentar com a nossa conta bancária financeira e emocional. Além disso torna a vida impraticável, considerando a crescente imposição do ego para que adquiramos cada vez mais coisas e mais coisas sem as quais nós podemos viver tranquilamente.

Ganhar dinheiro é bom, gastar é melhor ainda e, lamentavelmente, para muitos, o dinheiro é tudo. Quando você estiver desencontrado e imaginar que o dinheiro é a única salvação, lembre-se de que existem coisas que o dinheiro não compra. As sábias palavras de Joseph Campell, autor de "O Poder do Mito", encerram a nossa lição da semana: "A vida é uma grande escada corporativa. Depressão é quando você chegar ao final e nota que escada está encostada na parede errada". Pense nisso e seja feliz!

Palavras-chave: | saúde |

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COMENTÁRIOS (7)
NILZA SOARES DA SILVA em 06/06/2011:
Quero agradecer por você traduzir em palavras o que ia em meu coração. Passei os últimos 15 anos sem vida, literalmete havia vendido a alma para manter cada vez mais a necessidades financeiras que foram crescendo sem fundamento, resolvi mudar e sai da empresa, e estava me sentindo insegura, sem conseguir organizar meus pensamentos, até que você traduziu de forma clara a realidade. Principalmente com a frase final, eu demorei a notar que a escada estava encostada na parede errada. bjs

Nilo Acir Hirt em 08/04/2009:
Achei ótimo o seu artigo. O importante não é ganhar cada vez mais e sim saber administrar o que ganha.

Isabel Cristina Juliani Arroyo em 17/03/2009:
Passei pela "experiência" do dinheiro acima da minha qualidade de vida, durante 9 anos fui escrava do meu trabalho, hoje mudei em primeiro lugar esta a minha qualidade de vida e a minha família e posso afirmar que estou muito feliz, mesmo com a redução do meu salário, mas a minha vida e outra e esta não tem salário no mundo que pague. Parábens pelo artigo!!

Sotero Filho em 10/02/2009:
Excelente essa matéria. Conheço de perto, pessoas que estão em cargos pelo dinheiro porém, a saúde de algumas já está comprometida. Divulguei essa matéria no meu local de trabalho. Um abraço a todos vcs.

MARCOS A. SIPRIANO em 04/02/2009:
excelente texto tem tudo haver com o momento que estamos vivendo.

João Firmino Barbosa Junior em 03/02/2009:
Um dos maiores desafios para esse milénio será com certeza a qualidade de vida, ressalto também que "só" o dinheiro não traz felicidade, mas há formas de buscar a felicidade em todos os campos da vida. Parábens pelo artigo!

paulo renato tanski em 02/02/2009:
Gostei. A vida deve ser vivida como unica. Nao podemos querer viver a vida dos outros. Um abraço. Paulo

 
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