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01/03/2011
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O que o trabalho tem a ver com a vida fora dele?

Por Veruska Albuquerque Pacheco para o RH.com.br

"Meu empregado deve deixar seus problemas pessoais em casa, antes de vir trabalhar". "Funcionário não precisa compreender o que ele faz, só executar o que eu determino". Infelizmente ainda é comum ouvir no discurso de dirigentes e gestores expressões como essas. Elas indicam pouca ou nenhuma preocupação com o trabalhador enquanto ser humano. Isso se agrava com a reestruturação produtiva que encontrou seu auge a partir dos anos 80, do século XX. Uma das suas consequências foi a intensificação do trabalho, agravando a incidência de doenças ocupacionais como estresse e distúrbios osteomusculares.

Pesquisas revelam que prazos, metas, competitividade, entre outros fatores, estão gerando mudanças ainda mais significativas nos contextos organizacionais. Essa conjuntura com vocação negativa tem levado várias empresas a buscarem alternativas que proporcionem aos trabalhadores a tão desejada Qualidade de Vida no Trabalho (QVT). Isso visa agregar também eficiência e eficácia aos processos de trabalho. Mas, a falta de uma visão de QVT de viés preventivo, faz com que os programas desenvolvidos pelas organizações não alcancem o sucesso desejado.

O enfoque da QVT preventiva apoia-se na premissa de que os trabalhadores devem ter condições de trabalho adequadas, organização do trabalho eficaz, possibilidades de reconhecimento e crescimento profissional, relações socioprofissionais saudáveis e equilíbrio no elo trabalho-vida social. Este último aspecto constitui o foco desse artigo. Nesse caso, um questionamento de muitos dirigentes e gestores consiste: por que levar em conta a vida social dos trabalhadores?

O ser humano é singular e uno. Quando sai para trabalhar, não deixa de ser pai, filho, esposa etc. O que ele é nos papeis que desempenha em sociedade o acompanha durante sua jornada de trabalho. Por essa razão, é fundamental compreender esses trabalhadores como seres humanos em sua totalidade.

Além da relação existente entre trabalho e vida social, os trabalhadores têm suas percepções sobre a instituição onde se insere, as atividades que executa, o sentimento de utilidade e reconhecimento social do seu trabalho. Estas são questões a serem levadas em conta nos programas de QVT das organizações imbuídas em dar subsídios, para que esses trabalhadores possam ter predomínio de sensações de bem-estar no desempenho da atividade.

A insatisfação no trabalho pode originar vivências de desenraizamento, solidão, desamparo, refletindo mal-estar na empresa. Da mesma forma a insatisfação com a vida pessoal também pode gerar sentimentos de mal-estar, razão pela qual investir em formas de permitir que os trabalhadores encontrem o equilíbrio no elo trabalho-vida social é crucial para eles e para a organização.

Remetendo ao questionamento inicial, fica claro que o trabalho tem tudo a ver com a vida social fora dele, já que o ser o humano não se separa nos papeis que desempenha no contexto social. Então, o que as organizações podem fazer para propiciar o equilíbrio entre essas esferas? É importante pensar em medidas que permitam aos trabalhadores compatibilizar vida pessoal com o trabalho como, por exemplo, por meio de jornada de trabalho reduzida ou flexível. Essa flexibilidade poderia favorecer melhor adequação entre vida profissional e social permitindo tempo para cuidar da saúde, da família etc.

É necessário lembrar que esta é apenas uma ação, que se não estiver integrada a outras atividades ancoradas em uma política de QVT sólida em todos os fatores apresentados como, por exemplo, condições de trabalho adequadas, corre-se o risco de que ela seja somente compensatória do mal-estar provocado por um contexto precário em outras esferas e, portanto, distante da QVT preventiva.

Além disso, é fundamental propiciar aos trabalhadores atividades que permitam que eles compreendam o sentido do trabalho realizado na organização, possam entender seu papel social, fortalecendo o sentimento de utilidade e resgatando o significado do trabalho - enquanto atividade - que enriquece o ser humano, gera valor e permite colocar nele sua subjetividade.

 

Palavras-chave: | qualidade de vida no trabalho | saúde |

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COMENTÁRIOS (5)
Pedro Alberto Falcão de Castro em 31/03/2012:
Oi, Veruska. Infelizmente os patrões e/ou chefes estão mais interessados no TER e não no SER. A maioria só pensa na maior produtividade e no maior ganho. O ser humano deve estar sempre em primeiro lugar, pois, ele estando bem, a empresa estará lucrando com melhores ganhos e melhor qualidade de vida para os seus funcionários. Um grande abraço

Ginny Almeida em 31/01/2012:
Muito interessante. È cada vez mais necessário a utilização deste texto na vida de uma empresa que busca o sucesso.

Alexandre de Carvalho Banda em 08/05/2011:
"O ser humano existe como ser em sua totalidade, e seu caráter e personalidade os acompanha por onde quer que vá. Possui sentimentos e emana tudo o que absorve nas suas 24 horas de existência diária. Não é robô!. Quando está triste, chora...quando alegre, sorrí..."

azenete em 01/04/2011:
Fico entusiasmada com seus conhecimentos e seu amadurecimento profissional. Tomara que os administradores e empresários leiam e procurem mudar os padrões de relacionamento e comportamento em seus locais de trabalho.

Fernanda Reis Brito em 03/03/2011:
Esse artigo me impressionou pela sua pertinência com a ampla maioria das situações vivenciadas pelos trabalhadores do século XXI. O estresse é uma doença que tem se propagado na sociedade, causando uma série de outros males, muitas vezes irreversíveis. Parabéns pelo trabalho e obrigada pelos esclarecimentos! Me esforçarei para garantir que a QTV preventiva faça parte do meu cotidiano.

 
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