André Dametto Mestre em Gestão e Inovação (COPPE-UFRJ), Engenheiro de Produção (UFRJ), Professor de turmas de pós-graduação da UFRJ, consultor de gestão empresarial, coach formado pelo Integrated Coaching Institute (EUA) e palestrante, atuando há cinco anos em projetos e treinamentos de Formulação Estratégica, Gerenciamento Orçamentário, Gerenciamento de Projetos, Mapeamento e Redesenho de Processos, e Padronização nas seguintes organizações: AmBev, Camargo Corrêa, Companhia Vale do Rio Doce, CREA, Cultura Inglesa, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Halliburton, Petrobras, Telemar, dentre outras.
Provavelmente você que está lendo este artigo deve estar entre os 20 milhões de pessoas pertencentes às classes A e B no Brasil. E este número só cresce: em 2014 haverá 30 milhões de ricos em nossa nação. Entre 2003 a 2009, 30 milhões de brasileiros saíram da pobreza, mas há um número também expressivo de sete milhões de pessoas que romperam a fronteira da alta renda. O Brasil é hoje uma das economias que mais crescem no cenário econômico global, mas ficam as perguntas: Ganhar mais tem feito você viver menos? O quanto crescer a sua renda significou também se desenvolver como ser humano, em termos de qualidade de vida?
Nas economias emergentes, como é o caso do Brasil, é cada vez mais propagada a promessa de que é possível "chegar lá". Esta mensagem é encontrada em campanhas publicitárias, publicações de negócios e comportamentos, e até mesmo em programas televisivos. E realmente muitos brasileiros têm conquistado este crescimento financeiro, mas a que custo psicológico? Antigamente era mais aceitável a noção de que somente poucas pessoas podiam aspirar à riqueza, cabendo à outra grande maioria a resignação à exploração. Vivemos hoje um momento histórico de nossa sociedade, em que a promessa de realização financeira é democratizada a todos, independentemente de credo, gênero ou cor.
Em uma sociedade que nos julga cada vez mais pelo ter do que pelo ser, ascender socialmente é quase um passe para a dignidade, e lutar contra este paradigma é uma missão praticamente impossível. Desta forma, buscamos cada vez mais status, até porque é mais difícil gostar de si mesmo caso o outro não demonstre mostrar que nos valoriza. Desta forma nos apegamos a sinais de enriquecimento para que nos sintamos aceitáveis, perante o outro e nós mesmos. E assim, acompanhando o aumento do PIB nacional, também vemos o aumento paralelo de casos de depressão e ansiedade, os quais geralmente são pouco associados na grande mídia a este fenômeno de crescimento (e não desenvolvimento) de nossa economia.
A hipótese sugerida é que, como próximo patamar de evolução da sociedade brasileira, urge a busca individual e coletiva por um estado de desenvolvimento do bem-estar, em um "caminho do meio" criativo e equilibrado, no qual se enriquece, mas também se vive melhor, em termos de satisfação de Vida em geral. Há casos de países que perceberam a importância de não apenas crescer, mas também se desenvolver. O Butão, um pequeno e fechado reino encravado entre a China e a Índia, considera tão importante quanto o Produto Interno Bruno (PIB) a Felicidade Interna Bruta (FIB). O modelo da FIB baseia-se no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade humana dá-se quando o desenvolvimento espiritual e o material acontecem lado a lado, complementando e reforçando um ao outro.
Como podemos constatar, o desafio atual do brasileiro será conciliar seu crescimento financeiro com seu desenvolvimento humano. Continuar aumentando a poupança e a quantidade de carros na garagem, à custa de noites mal dormidas e relacionamentos falidos, parece não ser uma estratégia inteligente e sustentável no longo prazo. E você, acredita que é possível ganhar mais e viver melhor? A palavra é equilíbrio!
Gilberto C. Olgado em 19/10/2011: Realmente, o povo brasileiro tem se desdobrado no trabalho tentando ascender um status maior na sociedade e uma qualidade de vida que se acredita conseguir ganhando mais dinheiro, mas à qual custo??
Qual é o limite de cada um? Até onde eu posso chegar? São perguntas que talvez todos se fazem, ou que está no subconsciente de cada pessoa, mas que não encontra a resposta correta, ou a pergunta que deveria ser feita da forma correta. Qual o preço que tenho que pagar? Vale a pena este sacrifício?
Sim porque, sacrificamos os momentos de convívio com a família, com amigos, momentos para o crescimento cultural, pessoal e talvez um dos mais graves que é cuidar da nossa própria saúde, física e mental.
Mas, o pior de tudo é o prêmio que buscamos: Status.
Este é a estátua do Oscar que queremos ganhar com todo este sacrifício que fazemos no dia a dia, atropelando muitas vezes todos estes momentos “de vida” que poderíamos ter e que não volta jamais.
Uma das coisas que percebo é que sentimos que os anos passam mais rapidamente, porque me lembro bem que quando eu era criança adorava as datas de Natal e Ano Novo, por motivos óbvios; férias, presentes, festas, viagens, a cidade iluminada, as pessoas felizes, enfim, o melhor momento do ano.
Mas a sensação que eu tinha é que demorava muito para chegar, os dias eram mais compridos, o ano era muito mais longo, parecia uma eternidade, e isso no fundo era gostoso também, porque se vivia uma expectativa gostosa, que alimentava o dia a dia com esperança e a crença que se eu fizer o dever de casa, ser bonzinho, educado, respeitar as pessoas, pedir a “bença” para os adultos, com tudo isso, o Natal vai chegar muito melhor do que no ano anterior.
E hoje me pergunto: Porque os anos passam mais rápido?
Sim, porque hoje tenho sensação de que os dias passam mais rapidamente, e o que mudou se os minutos continuam com 60 segundos e as horas com 60 minutos, o meio dia ainda acontece as 12:00 horas e a meia noite às 24:00 horas.
Então percebo que a rotina de trabalho está nos engolindo e tomando nossas vidas, e isso acontece naturalmente, com todas as pessoas, e precisamos realmente buscar o “equilíbrio” para viver melhor, com qualidade de vida, independente de qualquer outro rótulo, Status ou sei lá o que vão inventar amanhã.
Abraços...
Marcelo Parnoff em 08/08/2011: Senhores: Realmente, hoje o "ter" está mais em voga do que o "ser". Os valores, com o passar do tempo parece que não tem mais importância - valores como honestidade, coleguismo, espiríto de cooperação, dão lugar para Status. A crescente melhora financeira não acompanhou com a melhora do bem-estar de vida, em virtude dos valores hoje serem outros, precisamos nos voltar mais a estas questões, como familia por exemplo.
Acredito que mesmo assim, muitos profissionais não pensam assim, e com o passar do tempo este panorama deva mudar.
Ótimo artigo.
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