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01/08/2011
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Ganhar mais e viver melhor: o desafio atual do brasileiro

Por André Dametto para o RH.com.br

Provavelmente você que está lendo este artigo deve estar entre os 20 milhões de pessoas pertencentes às classes A e B no Brasil. E este número só cresce: em 2014 haverá 30 milhões de ricos em nossa nação. Entre 2003 a 2009, 30 milhões de brasileiros saíram da pobreza, mas há um número também expressivo de sete milhões de pessoas que romperam a fronteira da alta renda. O Brasil é hoje uma das economias que mais crescem no cenário econômico global, mas ficam as perguntas: Ganhar mais tem feito você viver menos? O quanto crescer a sua renda significou também se desenvolver como ser humano, em termos de qualidade de vida?

Nas economias emergentes, como é o caso do Brasil, é cada vez mais propagada a promessa de que é possível "chegar lá". Esta mensagem é encontrada em campanhas publicitárias, publicações de negócios e comportamentos, e até mesmo em programas televisivos. E realmente muitos brasileiros têm conquistado este crescimento financeiro, mas a que custo psicológico? Antigamente era mais aceitável a noção de que somente poucas pessoas podiam aspirar à riqueza, cabendo à outra grande maioria a resignação à exploração. Vivemos hoje um momento histórico de nossa sociedade, em que a promessa de realização financeira é democratizada a todos, independentemente de credo, gênero ou cor.

Em uma sociedade que nos julga cada vez mais pelo ter do que pelo ser, ascender socialmente é quase um passe para a dignidade, e lutar contra este paradigma é uma missão praticamente impossível. Desta forma, buscamos cada vez mais status, até porque é mais difícil gostar de si mesmo caso o outro não demonstre mostrar que nos valoriza. Desta forma nos apegamos a sinais de enriquecimento para que nos sintamos aceitáveis, perante o outro e nós mesmos. E assim, acompanhando o aumento do PIB nacional, também vemos o aumento paralelo de casos de depressão e ansiedade, os quais geralmente são pouco associados na grande mídia a este fenômeno de crescimento (e não desenvolvimento) de nossa economia.

A hipótese sugerida é que, como próximo patamar de evolução da sociedade brasileira, urge a busca individual e coletiva por um estado de desenvolvimento do bem-estar, em um "caminho do meio" criativo e equilibrado, no qual se enriquece, mas também se vive melhor, em termos de satisfação de Vida em geral. Há casos de países que perceberam a importância de não apenas crescer, mas também se desenvolver. O Butão, um pequeno e fechado reino encravado entre a China e a Índia, considera tão importante quanto o Produto Interno Bruno (PIB) a Felicidade Interna Bruta (FIB). O modelo da FIB baseia-se no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade humana dá-se quando o desenvolvimento espiritual e o material acontecem lado a lado, complementando e reforçando um ao outro.

Como podemos constatar, o desafio atual do brasileiro será conciliar seu crescimento financeiro com seu desenvolvimento humano. Continuar aumentando a poupança e a quantidade de carros na garagem, à custa de noites mal dormidas e relacionamentos falidos, parece não ser uma estratégia inteligente e sustentável no longo prazo. E você, acredita que é possível ganhar mais e viver melhor? A palavra é equilíbrio!

Palavras-chave: | qualidade de vida no trabalho | saúde | tempo |

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COMENTÁRIOS (2)
Gilberto C. Olgado em 19/10/2011:
Realmente, o povo brasileiro tem se desdobrado no trabalho tentando ascender um status maior na sociedade e uma qualidade de vida que se acredita conseguir ganhando mais dinheiro, mas à qual custo?? Qual é o limite de cada um? Até onde eu posso chegar? São perguntas que talvez todos se fazem, ou que está no subconsciente de cada pessoa, mas que não encontra a resposta correta, ou a pergunta que deveria ser feita da forma correta. Qual o preço que tenho que pagar? Vale a pena este sacrifício? Sim porque, sacrificamos os momentos de convívio com a família, com amigos, momentos para o crescimento cultural, pessoal e talvez um dos mais graves que é cuidar da nossa própria saúde, física e mental. Mas, o pior de tudo é o prêmio que buscamos: Status. Este é a estátua do Oscar que queremos ganhar com todo este sacrifício que fazemos no dia a dia, atropelando muitas vezes todos estes momentos “de vida” que poderíamos ter e que não volta jamais. Uma das coisas que percebo é que sentimos que os anos passam mais rapidamente, porque me lembro bem que quando eu era criança adorava as datas de Natal e Ano Novo, por motivos óbvios; férias, presentes, festas, viagens, a cidade iluminada, as pessoas felizes, enfim, o melhor momento do ano. Mas a sensação que eu tinha é que demorava muito para chegar, os dias eram mais compridos, o ano era muito mais longo, parecia uma eternidade, e isso no fundo era gostoso também, porque se vivia uma expectativa gostosa, que alimentava o dia a dia com esperança e a crença que se eu fizer o dever de casa, ser bonzinho, educado, respeitar as pessoas, pedir a “bença” para os adultos, com tudo isso, o Natal vai chegar muito melhor do que no ano anterior. E hoje me pergunto: Porque os anos passam mais rápido? Sim, porque hoje tenho sensação de que os dias passam mais rapidamente, e o que mudou se os minutos continuam com 60 segundos e as horas com 60 minutos, o meio dia ainda acontece as 12:00 horas e a meia noite às 24:00 horas. Então percebo que a rotina de trabalho está nos engolindo e tomando nossas vidas, e isso acontece naturalmente, com todas as pessoas, e precisamos realmente buscar o “equilíbrio” para viver melhor, com qualidade de vida, independente de qualquer outro rótulo, Status ou sei lá o que vão inventar amanhã. Abraços...

Marcelo Parnoff em 08/08/2011:
Senhores: Realmente, hoje o "ter" está mais em voga do que o "ser". Os valores, com o passar do tempo parece que não tem mais importância - valores como honestidade, coleguismo, espiríto de cooperação, dão lugar para Status. A crescente melhora financeira não acompanhou com a melhora do bem-estar de vida, em virtude dos valores hoje serem outros, precisamos nos voltar mais a estas questões, como familia por exemplo. Acredito que mesmo assim, muitos profissionais não pensam assim, e com o passar do tempo este panorama deva mudar. Ótimo artigo.

 
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