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17/07/2012
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Qualidade de vida no trabalho

Por Fátima Holanda para o RH.com.br

Hoje em dia ser um workaholic (viver o tempo todo trabalhando e só pensar em trabalho) além de estar fora de moda, implica em aumentar a produtividade apenas a curto prazo, porém a longo prazo afeta não só a esperada quantidade do trabalho, mas a qualidade e a geração de ideias. Mas, o pior é que gera doenças. O organismo não aguenta e começa a sinalizar. A pessoa, no entanto, não dá "bola" e aí, é pega de surpresa, com alguma doença decorrente do estresse e do esgotamento físico e psíquico.

Capra detalha o fenômeno do estresse, lembrando que este ocorre quando uma ou diversas variáveis de um organismo são forçadas até o seu limite extremo, o que induz a um aumento de rigidez em todo o sistema. Os sintomas do estresse fisiológico - garganta apertada, pescoço tenso, respiração superficial, pulsação acelerada etc. - são virtualmente idênticos em animais e em seres humanos. Por constituírem a preparação do organismo para enfrentar o desafio, seja lutando, seja fugindo, o fenômeno é conhecido como a resposta de "luta ou fuga". Uma vez que o indivíduo tenha passado à ação, lutando ou fugindo, ele retornará a um estado de relaxamento e, finalmente à homeostase. O bem conhecido suspiro de alívio é um exemplo de tal retorno ao estado de relaxamento. Entretanto, quando a resposta de "luta ou fuga" é prolongada e o indivíduo não pode passar à ação lutando ou fugindo, para livrar o organismo do estado de estresse, sua saúde é prejudicada.

O desequilíbrio contínuo criado pelo estresse prolongado pode gerar sintomas psicológicos e físicos - tensão muscular, indigestão, ansiedade, insônia - que resultarão no surgimento de doenças. O prolongamento do estresse, por sua vez, redunda frequentemente em nossa incapacidade para integrar as respostas de nosso corpo aos nossos hábitos culturais e às nossas regras sociais de comportamento. Numa intensa reunião de negócios, não podemos levar a melhor numa discussão agredindo, nem fugindo da situação. Sendo civilizados, tentamos enfrentar o desafio de um modo socialmente aceitável, mas as partes "velhas" de nosso cérebro continuam mobilizando o organismo para respostas físicas inadequadas. Se isso ocorrer repetidas vezes, nós provavelmente adoeceremos, podemos contrair uma úlcera gástrica ou ter um ataque cardíaco.

Existe um elemento-chave no vínculo entre o estresse e a doença que ainda não é conhecido em todos os seus detalhes, mas que foi verificado por numerosos estudos: é o fato de que o estresse prolongado anula o sistema imunológico do corpo e suas defesas naturais contra infecções e outras doenças. Um aspecto importante desse processo é o fato de que a enfermidade é frequentemente percebida, consciente ou inconscientemente, como uma saída para a situação estressante, representando as várias vias de fuga. A cura da doença não fará necessariamente com que a pessoa fique saudável, mas a enfermidade pode representar uma oportunidade para a introspecção que resolva a raiz do problema.

Porém, como lidar com os inúmeros aspectos do meio organizacional que contribuem para o surgimento e o agravamento do estresse, tais como: a competitividade, a preocupação com a estabilidade, a pressão, a sobrecarga de trabalho, os conflitos de relacionamento, as infindáveis reuniões sem planejamento e programadas de última hora, o mal-humor dos líderes, as cobranças para ontem, a urgência de atualização de informações?

É necessário tanto um movimento da empresa para melhorar permanentemente esta qualidade de vida de seus colaboradores, como uma conscientização do próprio indivíduo para melhorar a sua qualidade de vida. Por exemplo, fazendo alguns intervalos no seu trabalho, levantando e procurando movimentar-se, cuidando mais da sua alimentação e do seu sono, do seu lazer e dando prioridade também aos seus momentos sociais com os amigos e a família.

As empresas precisam prestar atenção mensurando, por exemplo, através dos exames médicos periódicos de seus colaboradores, a ocorrência das doenças provenientes do estresse em seu corpo funcional. Está diminuindo ou está aumentando? Como está o absenteísmo? Deve estar atenta a estes indicadores e promover ações que melhorem a saúde de seus colaboradores.

A qualidade de vida no trabalho implica numa preocupação genuína dos dirigentes com aspectos de segurança, higiene, saúde, ergonomia e bem-estar de toda a organização. E nesta concepção, o ser humano deve ser entendido de uma maneira holística que englobe de forma integrada todos os seus aspectos e que transcenda apenas o que é observável no comportamento humano. As pessoas são um conjunto complexo de muitas variáveis, sejam estas racionais, emocionais, físicas , familiares, sociais, valorativas, espirituais etc., que impulsionam suas atitudes, comportamentos e que dão significado aos projetos pessoais.

Em sua maioria, as pessoas passam a maior parte do seu tempo de vigília nas organizações e se estas estiverem atentas aos diversos aspectos que compõem a singularidade do ser humano, estarão muito mais aptas a desenvolver a motivação em todos os seus talentos.

O bem-estar dos colaboradores é fundamental para que utilizem todo o seu potencial e energia de uma maneira produtiva e se sintam satisfeitos com o ambiente de trabalho.

Algumas empresas, por exemplo, estimulam e facilitam o exercício físico de seu pessoal, proporcionando salas de ginástica com professores, incentivo e organização de caminhadas e outros esportes, salas de integração no trabalho, massagens relaxantes, ginástica laboral, bem como orientações sobre a manutenção da saúde e hábitos de vida saudáveis. Outras propiciam, também, horário flexível, o que de certa forma auxilia na resolução de questões pessoais dos colaboradores e gera menos tensão no trabalho.

A organização deve proporcionar condições adequadas para que as pessoas não se sintam desconfortáveis e impedidas de realizar um excelente trabalho. Por outro lado, as pessoas também devem estar atentas a este aspecto e buscarem maior equilíbrio entre o lado profissional e o pessoal.

 

Palavras-chave: | qualidade de vida no trabalho | estresse | saúde |

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COMENTÁRIOS (1)
Fatima Macedo em 19/07/2012:
Excelente abordagem! Além de ressaltar a importância do cuidado emocional, também divide a responsabilidade entre empresa e funcionário, ou seja, cuidar da saúde física e mental pode e deve ser uma preocupação das empresas, mas na minha opinião é um dever de cada um. É um gesto de amor a si mesmo. As empresas precisam voltar sua atenção para o cuidado em saúde emocional, o que percebemos ainda ser um grande tabu!

 
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