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11/02/2004
RH » Qualidade de Vida » Entrevista Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Qualidade na vida profissional

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Há algum tempo, a qualidade de vida deixou de ser associada apenas à prática de exercícios físicos ou considerada um sonho pessoal. Hoje, o assunto migrou para as empresas e vem conquistando força, já que o investimento na qualidade de vida dos colaboradores pode ser um fator decisivo na retenção dos talentos. O problema é que algumas organizações não sabem como estruturar uma política sólida e investem em ações que não garantem retorno. Para falar sobre esse assunto, o RH.com.br entrevistou a psicóloga Ana Cristina Limongi, que coordena o Núcleo de Pesquisa em Gestão de Qualidade de Vida no Trabalho, da Faculdade de Administração da Universidade de São Paulo (USP). Limongi afirma que o RH tem sido muito solicitado para atuar nesse segmento, mas que é bom lembrar que outras áreas afins também podem oferecer importantes contribuições. Confira!

RH.COM.BR - O que é qualidade de vida?
Ana Cristina Limongi - Qualidade de vida é a percepção de bem-estar quanto às expectativas de satisfação das necessidades e do estado de motivação.

RH - É possível levar e manter a qualidade de vida nas organizações?
Limongi - É possível sim, mas desde que existam atividades e competências específicas que gerem a percepção de bem-estar associada às evidências de preservação e de desenvolvimento das pessoas durante o trabalho.

RH - O que a qualidade de vida pode representar para as empresas?
Limongi - A qualidade de vida pode representar o resgate da valorização e da humanização da pessoa no trabalho, integrando todos os fatores críticos determinantes de uma boa gestão de pessoas. Esses fatores críticos a que me refiro são os valores e a política de qualidade de vida, a produtividade, a legitimidade, a liderança, a cultura organizacional e a rede de competências dos especialistas internos e externos à empresa, que são capazes de oferecer produtos e serviços que geram o bem-estar.

RH - A preocupação com a qualidade de vida organizacional é passageira?
Limongi - Claro que não, pois há uma crescente pressão da sociedade por melhores condições de vida, incluindo o trabalho e também porque já se tem informações positivas de resultados favoráveis dos processos de gestão da qualidade de vida no trabalho. Há pesquisas brasileiras e internacionais sobre o tema que comprovam o fato. Nos estudos de livre-docência que realizei, por exemplo, dentre os 250 administradores que responderam, pelos menos 40% se interessam e utilizam essa prática.

RH - As empresas brasileiras estão sabendo valorizar e investir na qualidade de vida dos seus colaboradores?
Limongi - Eu diria que sim, em sua minoria. O que se percebe é que nos últimos três anos esse tema passou a ser discutido de forma estratégica e responsável.

RH - Apesar de ser um tema em evidência, existem empresas que sentem dificuldade em realizar ações voltadas para a qualidade de vida. Por que isso ainda ocorre?
Limongi - Este é o grande dilema da economia e da administração das empresas, no ambiente de inovação tecnológica, mercados competitivos, altos encargos públicos e construção de novas competências. Todos esses são elementos que exigem a cada dia novas capacitações, tempo disponível e comprometimento. Durante essas exigências, muitas vezes, a qualidade de vida é confundida como um resultado e não como um processo, o que dificulta a atuação gerencial pró-ativa. A solução está na capacitação dos gestores, apoiados por políticas públicas e acesso à informação e à pesquisa científica.

RH - Há empresas que estão investindo em espaços mais agradáveis, estimulando a prática de exercícios físicos entres os funcionários e até realizando campanhas de combate ao alcoolismo e ao fumo. Ações desse tipo são suficientes para promover o bem-estar dos colaboradores?
Limongi - Parcialmente sim. Pois, cada uma dessas ações pode abrir espaço para a revisão dos problemas mais complexos de condições de vida na empresa. No entanto, é preciso estar capacitado para que isso seja percebido como oportunidade e não se torne apenas uma ação superficial, descomprometida e passageira.

RH - Investir na qualidade de vida organizacional é caro?
Limongi - Não. O que existe é muita confusão com consumismo, sofisticação e imagem social e bem-estar legítimo das pessoas. Para evitar isso, todo investimento em qualidade de vida deve ser iniciado por um Diagnóstico Especializado de Gestão de Qualidade de Vida no Trabalho.

RH - É possível saber quando uma empresa oferece, de fato, uma real qualidade de vida para os colaboradores?
Limongi - É possível. Os diagnósticos especializados, por exemplo, têm esta possibilidade de análise, além de utilizar os sinais clássicos das manifestações das pessoas em seus trabalhos, como o estresse e os fatores psicossomáticos, absenteísmo, demissões e transferências, atentados ao patrimônio, condições ergonômicas, litígios trabalhistas, entre outros.

RH - A área de RH é a mais indicada para coordenar programas de qualidade de vida ou ela precisa trabalhar em conjunto?
Limongi - A área de Recursos Humanos tem sido muito solicitada para desenvolver os programas de qualidade de vida no trabalho e creio que esse é o melhor caminho, incluindo aqui as áreas afins, como as áreas de saúde e segurança, benefícios, comunicação interna, gestão e certificação da qualidade, entre outras.

RH - Qual o perfil do profissional mais adequado para conduzir ações de qualidade de vida nas organizações?
Limongi - As características importantes ao perfil do Gestor de Qualidade de Vida no Trabalho são interesse por pessoas e pela valorização das demandas sobre condições de vida no trabalho; saber informar-se e ter formação que desenvolva a capacidade de entender fatores psicossomáticos e socio-econômicos na vida das empresas; ter auto-confiança, pois a característica básica dessa área de atuação é enfrentar constantes paradoxos; possuir um bom grupo de colegas especialistas e participar continuamente de fóruns de debate sobre qualidade de vida; atuar mediante ferramentas adequadas e clareza de objetivos, expectativas e resultados. E acima de tudo, acreditar que o melhor investimento profissional é acreditar que a vida no trabalho faz parte da vida como um todo. E que a vida é bonita, é bonita e é bonita!!! Como diria nosso Gonzaguinha.

Palavras-chave: | Ana Cristina Limongi |

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COMENTÁRIOS (1)
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Rachel Barreto Garcia em 17/08/2010:
Parabéns a RH.com.br, ótima entrevista. Estou elaborando um TCC sobre QVT e esta matéria ajudou muito. E o livro de ANA CRISTINA LIMONGI esta sendo minha principal base bibliográfica. Volto a dizer ótima entrevista.

 
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