O site de referência sobre Gestão de Pessoas.
Em breve as inscrições para o 6º ConviRH estarão abertas.
Pesquisar
« Pesquisa Avançada »
09/04/2007
RH » Qualidade de Vida » Entrevista Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Administrar o estresse é uma tendência

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Não é por acaso que o estresse corporativo tem despertado a preocupação das empresas e de especialistas na área de saúde. Para se ter uma idéia da dimensão e das conseqüências do estresse ocupacional, uma pesquisa realizada pela Isma (International Stress Management Association,) revelou que cerca de 70% dos trabalhadores brasileiros sofrem do chamado “mal do século”. Esse percentual, para a surpresa de algumas pessoas, equivale aos índices presentes em países como Inglaterra e Estados Unidos. No dia-a-dia, o estresse ocupacional pode ser apontado como responsável por boa parte dos gastos anuais das empresas, pois gera diminuição na produtividade, pagamentos de horas-extras, desperdício de material de trabalho, além de custos elevados com assistência médica. Nos Estados Unidos, por exemplo, os problemas relacionados ao estresse no trabalho custam às organizações aproximadamente 300 bilhões de dólares.

Mesmo que o estresse desponte entre as preocupações das empresas, a realidade mostra que não é possível evitá-lo. Contudo, pode ser administrado e quando isso acontece, o quadro pode ser revertido, ou seja, ao invés de causar efeitos negativos, o estresse serve de mola propulsora para a superação de obstáculos e obtenção de conquistas significativas para as equipes. O “X” da questão está em com os colaboradores podem conviver com o estresse, sem que adoeçam ou se sintam desmotivados para exercerem suas atividades. Nesse momento, a atuação do profissional de Recursos Humanos faz a diferença, pois ele pode identificar os fatores estressantes no ambiente corporativo e apresentar ações estratégicas que assegurem a saúde da organização. Para falar sobre o estresse ocupacional, o RH.com.br entrevistou a consultora organizacional Sandra Schamas. Ela defende que a administração do tempo pode, por exemplo, melhorar tanto a performance do profissional quanto diminuir os índices de estresse oriundos da competitividade. Na entrevista, ela fala sobre os fatores estressantes que são gerados fora e dentro do meio corporativo, mas que exercem influências significativas entre os colaboradores.

RH.com.br - Competitividade, constantes transformações impostas pela Globalização e empregabilidade são apenas alguns fatores que fazem parte da rotina corporativa. Além desses, que outros fatores contribuem para gerar estresse no ambiente corporativo?
Sandra Schamas - Acredito que muitos profissionais trazem consigo problemas antes mesmo de entrarem na empresa. Tenho notado, por exemplo, que as pessoas não escolhem muito onde querem trabalhar com a falsa idéia de que “não há emprego”. Do mesmo modo que as pessoas reclamam da falta de oportunidades, os empregadores queixam-se da falta de profissionais competentes e adequados para o cargo. Acho que é importante ponderar a distância entre o local de trabalho e a casa do profissional, o perfil da empresa e o cargo. Se o profissional procura “qualquer coisa”, vai encontrar “qualquer coisa” e, isso, depois de certo tempo não funciona, pois a pessoa fica desmotivada, cansada e aí vem, como conseqüência, o estresse no ambiente corporativo.

RH - Qual fator mais tem interferido na vida do trabalhador?
Sandra Schamas - A insatisfação com o cargo ocupado é um dos fatores que mais interfere na vida do trabalhador. Existem hoje empresas especializadas em analisar o perfil do profissional na contratação: é um pequeno investimento em tempo e dinheiro que traz inúmeros benefícios tanto para o funcionário quanto para a empresa. Às vezes as pessoas pegam a primeira proposta pensando em mudar depois, mas isso na pratica não acontece. É bom lembrarmos que existe a acomodação e mesmo insatisfeitos, muitos profissionais têm o medo de mudar.

RH - Essa interferência é obrigatoriamente 'perigosa' para a qualidade de vida e o desempenho dos profissionais?
Sandra Schamas - Claro que é perigosa, porque ficamos mais tempo no trabalho do que em casa com a própria família. A insatisfação acaba gerando desinteresse e ninguém consegue trabalhar bem assim. Costumo dizer que na atualidade ou a pessoa exerce um trabalho que gosta ou aprende a gostar do que está exercendo.

RH - Pensar num ambiente sem estresse é utopia?
Sandra Schamas - Nas mais recentes publicações sobre o assunto já se fala em bom estresse e mau estresse. Devemos lembrar que o estresse é um conjunto de reações que o organismo apresenta para preservar a sobrevivência. Ou seja, o estresse é a chamada reação de “lutar ou fugir” que nos acompanha desde os tempos das cavernas - homem, diante do perigo, provoca reações no corpo como aumento da respiração, do batimento cardíaco e liberação da adrenalina. São reações para garantir a sobrevivência que ocorrem várias vezes por dia. Se aprendermos a usar esse estresse para a disciplina, produtividade, realização profissional ou pessoal ele se transforma em bom estresse e chega até a fortalecer nosso sistema imunológico.

RH - Como a Sra. Acabou de citar, há linhas que defendem que em determinados momentos o estresse pode ser saudável ao meio corporativo. Qual a sua opinião sobre essa questão?
Sandra Schamas - A Competitividade é um fato. A necessidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo também. Então, não da para trabalhar sem estresse. É um fenômeno do nosso tempo. O bom estresse é aquela situação de tensão que temos controle sobre o resultado, por exemplo, uma apresentação – se nos prepararmos vamos usar essa adrenalina para fazer uma boa palestra e ficar muito bem depois. Quando não podemos controlar o resultado, aí sim temos o mau estresse. Se esse é inevitável, como a perda de um ente querido, devemos ficar atentos e tentar eliminar esse estresse com exercícios, caminhadas e atividades que nos proporcionem o bem-estar.

RH - Quando falamos em melhoria de vida nas empresas, naturalmente o nome do profissional de RH surge em cena. O RH está administrando o estresse no meio corporativo?
Sandra Schamas - Já estive em empresas que proporcionam ginástica laboral e massagem rápida para os funcionários. Achei muito interessantes as propostas, até saber que os funcionários não desfrutavam desses benefícios. E sabe por quê? Porque a maioria dos profissionais achava que não fica bem ir fazer massagem ou exercício, caso o gestor ou os colegas estivessem trabalhando naquele momento. Isso é um preconceito bobo porque se a empresa proporciona esses benefícios, a organização deseja que todos façam bom proveito. Já pensou se eu levo te dou um lindo presente e no mesmo momento você me diz “não obrigado”? Ou, então, imaginemos uma situação diferente. Eu a convido para uma festa e você me diz que não pode ir porque tem de lavar o carro. Acredito que o estresse é uma preocupação atual dos departamentos de Recursos Humanos e que existe um movimento real da administração de estresse nas empresas.

RH - Quais são as ações que mais têm ajudado a área de RH administrar o estresse organizacional?
Sandra Schamas - São inúmeras as iniciativas, mas observo a realização de treinamento, palestras e uma constante preocupação com o bem-estar do funcionário de uma maneira geral. Também noto que as estruturas empresariais estão preocupadas para colocar a pessoa certa no cargo certo.

RH - Qual a melhor forma de avaliar se uma determinada ação ou programa corporativo está ajudando as pessoas a manterem um nível de estresse, no mínimo, aceitável?
Sandra Schamas - É fundamental que as organizações estejam atentas a determinados indicadores do clima organizacional. Para isso, a empresa sempre deve analisar o perfil dos funcionários e as suas próprias necessidades. As empresas nunca devem esquecer de promover ações que tenham a ver com as equipes ou o investimento será perdido.

RH - Que conselhos a Sra. dá a um RH que pretende implantar ações num ambiente altamente estressante?
Sandra Schamas - Pergunta difícil essa, mas vamos lá. A primeira coisa seria pedir para o RH fazer uma análise e um diagnóstico da equipe, ver o que provoca mais estresse e que tipo de estresse está presente na corporação. Depois, pediria para o RH tentar saber o que motiva os funcionários. Por fim, saber qual a filosofia da empresa, o que a organização realmente espera dos funcionários e estabelecer metas possíveis porque, em minha opinião, um dos maiores motivadores é a realização profissional, ou seja, fazer um trabalho bem feito e entregar no prazo estipulado. Aquela sensação de “missão cumprida” faz bem para a qualquer um.

Palavras-chave: | estresse | estressante |

  • O que você achou? Avalie:
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Enviar Comentar Compartilhar Imprimir
CONTEÚDO RELACIONADO
COMENTÁRIOS (1)
thais em 18/05/2011:
Adorei o artigo. Estou fazendo um trabalho sobre estresse, e encontrei tudo aqui. Parabéns

 
PUBLICIDADE
Produtos RH.com.br

+ lidas
+ comentadas
+ enviadas
+ recentes
Produtos RH.com.br

Seminários RH.com.br

Programa de Autodesenvolvimento



RH.com.br no Twitter


PUBLICIDADE
Os textos publicados não representam, necessariamente, a opinião dos responsáveis pelo site RH.com.br. Confira o nosso Termo de Responsabilidade.
Todos os direitos reservados. É expressamente proibida qualquer reprodução.