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20/11/2006
RH » Qualidade de Vida » Matéria Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Diversidade de ações melhora QVT

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Como ocorre nos mais variados segmentos do mercado, o maior desafio do profissional de Recursos Humanos é aprimorar as práticas de Gestão de Pessoas. Nas Instituições de Ensino Superior (IES), por exemplo, a situação não é diferente. Isso pode ser facilmente constatado, pois embora as necessidades das pessoas continuem as mesmas, o ambiente acadêmico ainda passa por uma fase de visível transformação - no Brasil, durante muito tempo existiam poucas instituições e hoje o número é cada vez maior.

Esse quadro de mudança refletiu significativamente na realidade das IES e fez surgir uma necessidade de redesenho para se estabelecer novas formas de atuação no que diz respeito à área Gestão de Pessoas. Uma outra peculiaridade desse setor é que o efetivo de profissionais é dividido em dois mundos: o dos professores e outro dos funcionários administrativos. Na maioria das vezes, eles recebem tratamentos diferenciados e a prova pode ser constatada através do próprio acordo coletivo de trabalho - um regulamenta a legislação do docente e o outro é voltado para profissionais técnicos-administrativos.

Dentro desse contexto, para atender às expectativas de quem atua no universo acadêmico, as instituições correm contra o tempo e desenvolvem ações que criam um clima de melhoria contínua para o capital humano. Uma organização que está se adaptando a esse novo quadro é o Centro Universitário FIEO, que em 2003 passou a adotar atividades destinadas à melhoria da qualidade de vida do seu quadro efetivo. Localizado em Osasco/SP, o Unifieo conta com 13 mil alunos, 340 colaboradores e 485 professores. A instituição mantém mais de 50 cursos, dos quais 32 são de graduação, dois de mestrado - Direito e Psicopedagogia, e os demais de pós-graduação e cursos livres.

De acordo com Maria Bernadete Pupo, gerente de RH do Unifieo, os investimentos na QVT teve início com um projeto experimental de ginástica laboral, onde o público-alvo era formado por profissionais dos dois maiores setores da instituição - a secretaria geral e a biblioteca. A experiência deu tão certo que foi estendida para todos os colaboradores. "A princípio, o objetivo de investir em ações voltadas para a qualidade de vida foi criar o bem-estar coletivo ancorado na prevenção de riscos para a saúde, em virtude do índice de afastamento por estresse e doenças ocupacionais", explica. Um dos sinalizadores que serviu de inventivo para o Unifieo implantar o programa foi o aumento da sinistralidade do convênio médico, que apontou afastamentos em decorrência de problemas ocupacionais que surgiram pela prática de postura inadequada durante as atividades laborais. Na ocasião, também se observou que muitos colaboradores eram diabéticos e que a maioria só descobriu quando a doença já estava instalada.

Contudo, a direção da instituição decidiu ampliar o conceito de QVT como sendo um modelo de gestão organizacional, envolvendo: benefícios, educação, desenvolvimento e bem-estar. O trabalho desenvolvido pelo Unifieo envolve ações educativas, na expressão literal da palavra, uma vez que reúne os corpos docente e discente numa atividade acadêmica em ação educativa para a saúde.

Na prática, os alunos e os professores do curso de Educação Física reúnem-se, duas vezes por semana, em dois horários distintos, para estimular a prática da ginástica laboral junto aos funcionários. Os colaboradores se desligam das suas atividades por alguns minutos e passaram a ter, comprovadamente, melhor humor, maior disposição, menor índice de estresse e, o mais importante, estão prevenindo patologias como tenossinovite, tendinite e a bursite, inflamações que afligem e chegam a imobilizar milhares de trabalhadores.

Outra novidade que serve de estímulo para a participação dos funcionários da instituição é a realização da ginástica laboral no ginásio de esportes do Unifieo, que também possibilita atividades práticas na sala de musculação. No início de cada semestre os alunos distribuem questionários para os colaboradores, com o objetivo de levantar o perfil da saúde e das atividades que cada um pratica no dia-a-dia. Os estudantes anotam peso/altura e é realizada uma avaliação para cada caso. Se for necessário um acompanhamento médico, esse será feito sob indicação. Inclusive, alguns alunos aproveitam a oportunidade para desenvolver projetos de pesquisa baseando-se em estudo de caso real, ou seja, escolhem um funcionário com algum problema específico e fazem o acompanhamento durante um período para analisar se houve melhora após a adoção dos exercícios físicos. É a oportunidade de unir a teoria com a prática.

A gerente de RH do Unifieo também menciona a campanha de detecção do diabetes. Nessa ação específica professores e alunos do curso de Biologia distribuem-se pelos campi da instituição, e se dirigem a todos os departamentos para realizar o teste que avalia o índice de glicose. Antes, essa campanha acontecia em um dos laboratórios da instituição. Porém a adesão era pouca, pois nem todos os funcionários se interessavam ou o horário disponível não atendia a todos os turnos. A alternativa foi criar uma campanha móvel, onde se estabeleceu um cronograma de horários que atendeu todos os períodos, o que proporcionou estímulo e adesão muito maiores.

"Além disso, a realização de pesquisa de satisfação dos funcionários contribui para a elaboração de outras ações que apontam carências, perspectivas, críticas e sugestões dos colaboradores, que visam a melhoria do ambiente de trabalho, da qualidade de vida e da produtividade, sem sobrecarregá-los", ressalta Maria Bernadete Pupo. Geralmente, as ações de QVT são divulgadas através de campanhas que recorrem a cartazes, Intranet e e-mails globais. Somando-se a essas ferramentas de comunicação interna, também são realizadas reuniões com os gestores, onde eles pedem a colaboração das suas equipes. "Percebemos que os setores onde as lideranças são atuantes e incentivadoras, os funcionários participam mais das atividades", diz Maria Bernadete.

Vale salientar que o Unifieo tem a preocupação de também estimular ações que estimulem o intelecto dos funcionários. Nesse sentido, a instituição permite que todos os funcionários e seus dependentes estudem em qualquer curso e campus, independente da área de atuação. Além disso, foi firmado convênio com outras Instituições de Ensino Superior para bolsas que cobrem 100% dos estudos, como forma a ampliar as oportunidades dos colaboradores que desejam seguir outra área de especialização não oferecida pelo Unifieo.

Quando questionada sobre a receptividade dos profissionais em relação às ações adotadas pelo Unifieo, Maria Bernadete comenta que a mesma tem sido muito positiva. Isso porque não há obrigatoriedade de participação e sim um convite, uma vez que o objetivo maior é de estimular hábitos de práticas saudáveis para conscientizar os profissionais sobre a importância de ações educativas.

Importância das ações - Para a gerente de RH do Unifieo, a função da administração de Recursos Humanos vem modernizando-se ao longo dos anos e hoje as organizações, mais do que programas, estão adotando modelos de gestão organizacional. Dessa forma, surge o interesse por estudar as questões relacionadas à qualidade de vida do trabalhador num sentido muito mais amplo, mais generalista, envolvendo não só os trabalhadores, como também a comunidade, o ambiente, a saúde, o desenvolvimento e a educação.

"Acredito que em decorrência dos problemas sociais, ocorreu a transferência de fatores que seriam de responsabilidade do governo para as organizações, como vários benefícios que se tornaram obrigatórios por acordo coletivo de trabalho. Podemos citar como exemplo a cota de portadores de deficiência instituída através de lei e a cota do menor aprendiz", afirma a gerente de RH, ao acrescentar que a responsabilidade social das empresas passou a ser ampliada ou desafiada para tanto.

Dessa forma, conclui Maria Bernadete, não dá para pensar em programas estanques e sim em políticas de Gestão de Pessoas. Partindo desse conceito, ela destaca que todos os benefícios concedidos aos trabalhadores como assistência médica, cesta básica, festa de confraternização de final de ano, tanto quanto treinamento, educação, desenvolvimento intelectual, salário, prevenção da saúde, gestão com respeito, relacionamento interpessoal amistoso no local de trabalho, dentre outros, fazem parte de um programa de qualidade de vida.

Palavras-chave: | qualidade de vida | Unifieo |

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