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06/04/2009
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Doenças psiquiátricas: preconceito nas organizações

Por Élida Bezerra para o RH.com.br

Negligenciada por um longo tempo, a saúde mental é fundamental para o bem-estar das pessoas. No universo corporativo, quando o assunto é a qualidade de vida do trabalhador, muitas empresas orgulham-se dos programas desenvolvidos pelos seus RHs. No entanto, muito mais que estar atenta à saúde física do funcionário, as organizações devem cuidar também da saúde mental dos colaboradores.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde - OMS - as doenças psiquiátricas são resultantes de diversos fatores e afetam cerca de 450 milhões de pessoas. A depressão grave é a principal causa de incapacitação em todo o mundo e está no quarto lugar entre as dez principais causas de patologia em nível mundial.

De acordo com a médica psiquiatra e psicanalista Beatriz Rangel, as doenças psiquiátricas estão sempre acompanhadas de alterações de comportamento, distúrbios mentais, emocionais ou físicos. "A doença psiquiátrica abrange todas as doenças que apresentam alguma deficiência mental. Essa, por sua vez, é um tipo de distúrbio no qual há déficit funcional e intelectual acompanhado de limitações no funcionamento adaptativo como hostilidade, comunicação e dificuldade de relacionamento social, entre outros", comenta.

Perfil - No ambiente organizacional, a psicanalista afirma que não há um perfil específico para quem possui alguma doença desse tipo. Ela informa que é preciso que seja feita avaliação para o diagnóstico. "No caso corporativo, a manutenção de ações preventivas auxilia a identificação do colaborador e no acompanhamento sem que prejudique na produtividade no trabalho", completa. Beatriz Rangel observa que o diagnóstico acontece, geralmente, quando há percepção de mudança de comportamento acompanhado de sofrimento e dificuldade de relacionamento. No entanto, quem deve fazer o diagnóstico final é sempre o médico psiquiatra.

Para ela, todas as doenças psiquiátricas podem acometer o trabalhador por motivo ligado diretamente ao ambiente corporativo. "Também há variações na intensidade da doença com quadros leves ou acentuados, principalmente, da ansiedade e da depressão", explica, ao acrescentar que o uso de drogas também pode indicar reflexo de uma doença psiquiátrica.

As causas - No cenário organizacional, as doenças psiquiátricas podem ser causadas por diversos fatores, dos quais algumas delas aparecem exclusivamente pela ação do ambiente externo. Beatriz Rangel comenta que os fatores mais comuns no ambiente de trabalho são pressão demasiada, excesso de crítica ligada diretamente às atividades de determinado funcionário e humilhação, além dos assédios sexual e moral. Com isso, a companhia pode ter problemas como queda de produtividade, excesso de ausência no trabalho - absenteísmo - e desligamento de colaboradores que poderiam ser evitadas com orientações e tratamentos.

"Há também alguns colaboradores que sofrem ameaças de seus superiores. Precisamos ter claro que no Brasil ainda há uma disparidade entre as companhias no quesito relacionamento com os funcionários. Temos empresas que dão todo o suporte aos colaboradores com benefícios, remuneração e até prêmios. Em outros casos, temos organizações que contam com salário muito abaixo do mercado ou atrasos frequentes na remuneração, sem diminuir a cobrança excessiva pela produtividade dos seus trabalhadores", alerta a médica.

As consequências - Dependendo do tipo de doença psiquiátrica diagnosticada, o trabalhador pode ter o seu desempenho profissional e pessoal prejudicado. De acordo com Beatriz Rangel, para transtornos ligados à ansiedade, tem-se um quadro que costuma apresentar dificuldade de relacionamento e de se expor nas atividades profissionais e pessoais como, por exemplo, falar em público. Já no caso da depressão, o que se observa é a dificuldade de concentração e a falta de interesse com queda de produtividade. Para ela, os sintomas auxiliam na identificação do tipo de doença psiquiátrica a ser tratada.

Preconceito nas empresas - Beatriz Rangel alerta que ainda há muito preconceito nas organizações para com as pessoas que sofrem de alguma doença psiquiátrica. "A doença psiquiátrica ainda é confundida com loucura e isolamento do paciente. Há quem considere que este tipo de doença traz automaticamente a incapacidade e automaticamente passa a se ter um tratamento pessoal diferenciado", aponta, ao mencionar que o preconceito ainda é a maior barreira para diagnósticos, tratamentos adequados e manutenção das relações saudáveis no universo profissional. Desse modo, os representantes das empresas devem posicionar-se diante desses colaboradores da mesma forma que fazem com os funcionários que apresentam outros tipos de doença como diabetes, problemas cardíacos e outras tantas que podem acometer qualquer trabalhador.

RH em ação - Para Beatriz Rangel, o a área de Recursos Humanos tem um papel importante para o tratamento dos colaboradores que precisam de acompanhamento psiquiátrico. A primeira atitude é não estigmatizar. Não colocar em ambiente hostil. Fazer uma análise de como é possível adequar a atividade profissional com as dificuldades ligadas à doença. de acordo com ela, a empresa precisa perder o medo e entender como lidar com esse colaborador; assim como faz com qualquer outro tipo de doença. "Caso o colaborador apresente um câncer de pele, por exemplo, não será direcionado a atividades que lhe deixarão expostos ao sol. Ou ainda, o trabalhador que tem problemas cardíacos realizar serviços que necessitam de esforço físico", exemplifica.

Para ela, a doença psiquiátrica precisa ser vista como qualquer outra doença. "Há uma série de ações dos departamentos de Recursos Humanos com foco na qualidade de vida do trabalhador. Dentro disso, deve estar embutido os conceitos de cuidado com a saúde mental de quem trabalha na companhia. Não deve ser tratada como algo extraordinário", comenta.

Por fim, a psicanalista sugere programas e atividades em prol de uma melhor qualidade de vida para os seus colaboradores. "Cuide de seus funcionários. Na parte psiquiátrica é possível elaborar projetos que melhorem a relação entre a empresa e o colaborador. Grupos psicoeducacionais ajudam muito no esclarecimento das doenças e na queda de tabus que são barreiras para adequar o ambiente corporativo e evitar novos problemas. Basicamente, é preciso não ficar refém do preconceito", conclui.

Palavras-chave: | saúde | QVT | Beatriz Rangel |

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COMENTÁRIOS (5)
Poli em 22/05/2009:
Esclarecedor esse texto. Importante que as empresas deixem o preconceito de lado e encare a problemática de frente.

Leonice Holanda em 08/05/2009:
Parabéns pelo assunto abordado, pois o torna possível de compreensão que o ser humano está além do físico e precisamos divulgar com exaustão esse tema. Obrigada, Leonice Holanda - Adm. de Empresas

Cláudia Fanaia Dorst em 14/04/2009:
Penso que doenças psicológicas e mentais são tratadas pela empresa, como um problema sem solucão. Acredito, que qualquer ser humano, em uma fase da vida, possa ter ou passar por dificuldades para entender seus sentimentos e por conseguinte externá-los de forma agressiva, dificuldade de relacionamento, queda da produção e tristeza sem fim. A vida apresenta fatos, os quais temos que saber administrar, porém há momento que a nossa capacidade de assimilar a realidade é mínima, diante do stres do dia-a-dia. Tudo se resolve quando todos, tem uma consciência daquilo que quer viver. As vezes, nem todos sabem como resolver tais dificuldades, falta de experiência e entendimento da vida. Coisa que só o estudo e a vida ensinam com o tempo. Empresas não podem e não devem fazer tempestades em um copo d'água só pq um funcionário, não está dando aquilo que se deve naquele momento, principalmente, quando conhece o seu trabalho. Analisar e estudar o caso por equipe é das forma de facilitar este processo de transformação do ser humano, pois somos seres em plena transformação... e todo processo de mudança é muitas vezes dolorido, para ambos os lados... digo ambos, pq a mudança deve partir dos dois lados... AS VEZES, UMA "CRISE PESSOAL" DE ALGUÉM, TRANSFORMA O COMPORTAMENTO DE MUITAS PESSOAS... E ALGUNS CASOS PARA MELHOR, BASTA APROVEITAR A APRENDIZAGEM.

Maria Carlota Boabaid de Carvalho em 08/04/2009:
Olá. Muito bom seu texto sobre as questões mentais no ambiente das organizações. Já vivi este preconceito na empresa e até hoje as percepções das pessoas são muito incipientes, por absoluta ignorância. Como é que gestores irão lidar com pessoas, se são humanas, e não somente razão ? tem que ter conhecimento, sensibilidade, muita ansiedade pela leitura, etc....o que será de nossas empresas ?

Neusa Simão em 08/04/2009:
Bom dia, Élida Bezerra Tenho a mesma opinião quanto a saúde mental e física do colaboradore na empresa. Tem situação que conheço, mas é dificil agir e trabalhar com pessoas com estes pensamentos tão pequeno.

 
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