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08/06/2009
RH » Qualidade de Vida » Matéria Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Saúde mental dos colaboradores também merece atenção

Élida Bezerra

O mundo corporativo moderno despertou para um assunto que por um longo tempo foi ignorado pelos dirigentes organizacionais: a saúde mental dos colaboradores. Isso porque inúmeros fatores têm afetado a vida dos profissionais nas companhias, gerando diversos problemas como, por exemplo, as doenças psiquiátricas. Na vida pessoal, esse tipo de debilidade atinge a auto-estima, além de desestruturar relacionamentos interpessoais, entre outros problemas. No ambiente organizacional, as perdas também são visíveis como a queda na produtividade e o afastamento do emprego.

A Caio Induscar, empresa encarroçadora de ônibus, enxerga as pessoas como seu principal recurso e investe em programas para melhorar a qualidade de vida dos funcionários. Foi com a intenção de oferecer um ambiente de trabalho saudável, que gerisse auto-realização para as pessoas e amparo às suas necessidades, que a organização implantou o Programa de Humanização na Empresa Bem-Estar, mais conhecido como PHE Bem-Estar - que possui como principal objetivo a reabilitação de colaboradores com problemas psiquiátricos.

Atualmente, a corporação emprega cerca de 3 mil funcionários no parque fabril em Botucatu, cidade localizada no interior paulista, e seu escritório central está situado à capital do Estado de São Paulo. A empresa atua em todo o território nacional e em países como a África do Sul, Angola, Chile, Costa Rica, Equador, Jordânia, Líbano, Nigéria, Peru, República Dominicana, Taiti, Trinidad Tobago, entre outros.

O programa - Implantado em abril de 2004, o PHE Bem-Estar visa humanizar o relacionamento com os funcionários e diminuir o índice de afastamento dos profissionais das suas atividades. Além disso, busca despertar nos colaboradores com problemas psiquiátricos a auto-estima e a sensação de capacidade de superar problemas.

De acordo com a consultora social e benefícios da empresa Silvânia Celis Machado Giandoni esse problema reflete-se em todos os segmentos da sociedade, incluindo as empresas. "Daí, decidimos oferecer um programa com este alcance aos colaboradores. Temos um grande diferencial sobre o tratamento convencional, que é um programa multi e interdisciplinar", comenta ao ressaltar que a vantagem em investir nos colaboradores que sofrem dessas doenças é melhorar a qualidade de vida deles, por meio de um tratamento com médico psiquiatra, médico do trabalho, psicólogo e assistente social.

A participação no programa é aberta a pessoas de todos os níveis hierárquicos, que têm alguma doença psiquiátrica como, por exemplo, depressão, fobias e síndrome do pânico. A estrutura oferecida pela empresa atende o colaborador de maneira integral, devido ao programa ter como base o tratamento interdisciplinar.

Quanto à divulgação do PHE, esta é realizada de diversas formas. "Divulgamos em quadros de avisos, jornal interno, e-mails, pelos próprios colaboradores participantes, além do nosso sistema de encaminhamento, que é efetuado pelo médico do trabalho e, também, pelo próprio INSS, que informa os afastados sobre o programa", informa Silvânia Celis Machado Giandoni.

Segundo a consultora social, todos os gestores da empresa foram capacitados, por meio de treinamentos e palestras, para a identificação de doenças e acompanhamento dos colaboradores atendidos pelo programa.

Passo a passo - Após a identificação do problema, por meio do gestor, do Serviço Social ou até mesmo pela procura do próprio funcionário, é oferecido um tratamento completo e gratuito que consiste em consulta psiquiatra, medicamentos, terapia com psicólogos, visitas aos familiares, apoio e acompanhamento social, e avaliação do gestor. Além disso, há a adequação do colaborador quanto ao horário e às atividades relacionadas às consultas.

Depois do primeiro atendimento com o psiquiatra, o colaborador participa semanalmente de terapia em grupo ou individual na própria organização, de acordo com a recomendação médica. Toda a medicação receitada para cada colaborador é paga pela empresa, para que não haja substituições e também para facilitar o controle dos médicos sobre uso dos remédios pelo paciente.

O setor de Serviço Social da companhia faz acompanhamento semanal dos participantes do programa, para controlar o uso de medicação, registrar reações negativas e positivas, encaminhar o colaborador para o atendimento do psicólogo e marcar novas consultas com o psiquiatra.

Semanalmente, os colaboradores participam de terapia em grupo ou individualmente na própria empresa.

Assistência familiar - E não são somente os funcionários da Caio Induscar que participam do PHE Bem-Estar. O programa também dá suporte à família do colaborador, uma vez que esse apoio é fundamental para a recuperação do paciente. Por isso, os familiares recebem instruções dos profissionais responsáveis pelo tratamento, para saber lidar com a pessoa doente, através de visitas e participação em consultas médicas.

Resultados - Segundo Silvânia Celis Machado Giandoni, o PHE Bem-Estar já atendeu 186 colaboradores. "Atualmente atendemos 50 funcionários que estão em atendimento psiquiátrico, onde ocorre uma consulta mensal; entrega e controle de medicamentos; terapia em grupo, quando indicado; psicoterapia individual e acompanhamento social semanal", contabiliza.

A consultora social e benefícios da Caio Induscar revela que no início da implantação do programa houve certa resistência dos funcionários devido à falta de conhecimento prático do PHE. No entanto, depois de constatarem que o principal objetivo é melhorar a qualidade de vida das pessoas, foi muito bem aceito e, hoje, tem grande procura. "Um dos nossos colaboradores continuou seu tratamento de forma tradicional por mais um tempo e, depois que teve mais informações sobre os resultados do acompanhamento pelo programa da empresa, procurou o departamento de Serviço Social e fez sua adesão", destaca.

Palavra dos colaboradores - Graças ao empenho dos profissionais que trabalham na melhoria da qualidade de vida dos colaboradores da Caio Induscar que a vida de Cláudio* mudou. Ele, portador da Síndrome do Pânico, saía para trabalhar de bicicleta, porque tinha medo de entrar em ônibus. "Chegou uma hora que tinha medo até de sair na calçada de casa, só ia com a minha mulher junto. Perdia o sono e passava mal no trabalho, porque ficava com a pressão muito baixa. A médica da empresa me passou alguns remédios, mas não adiantou. Daí, ela me encaminhou para o departamento de Serviço Social que me inscreveu no programa", conta.

Ele confessa que o envolvimento da família foi muito importante para a sua recuperação. "Minha família participa de tudo; o apoio da minha mulher e das minhas filhas foi fundamental, sempre me incentivaram a encarar o problema; busquei auxílio também na religião. Se não fosse pelo carinho e pela preocupação da equipe do programa, eu não teria melhorado. A terapia em grupo também ajudou muito. Ela faz a gente ver mais pessoas com o mesmo problema e que conseguiram se recuperar. Não precisei de afastamento. Durante o tratamento consegui concluir o segundo grau, tirar carteira de motorista e aumentar a minha casa", declara Cláudio.

Roberto*, outro colaborador da Caio Induscar, também sentiu os efeitos do programa. Há seis meses ele participa do PHE Bem-Estar e está bastante satisfeito com os resultados. "Estava com sintomas de depressão há dois anos, mas achava que ia sarar, não sabia o que era a doença. Vi um anúncio no quadro de avisos da empresa, procurei o departamento de Serviço Social e lá, depois de uma entrevista, fui encaminhado para consulta com a psiquiatra. Fui com minha esposa, recebi orientações sobre o problema e iniciei meu tratamento com medicamentos", afirma.

Ele também admite que a presença da família foi imprescindível na continuidade da terapia. "Minha chefia também me incentivou e foi muito prestativa. O meu tratamento agora está na fase de manutenção, para uma futura retirada dos remédios. Minha vida passou a ter sentido novamente. Sou feliz por viver e voltei a sorrir. Gostaria que mais pessoas buscassem auxílio para solucionar esse problema", assegura Roberto.

* Vale ressaltar que foram utilizados nomes fictícios para preservar a identidade dos funcionários que participam do PHE Bem-Estar.

Palavras-chave: | Caio Induscar | Silvânia Giandoni | Programa de Humanização na Empresa | saúde |

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COMENTÁRIOS (9)
Lidiane em 26/08/2009:
Descobri este site no momento em que estava passando por estas situações em minha Empresa. Estou com problemas emocionais que surgiram em virtude de situações vivenciadas no meu ambiente de trabalho: pressão, cobranças e outros fatores. Por isso que este site tem me orientado como e onde devo melhorar. A equipe está de parabéns pela iniciativa....

GIOVANA M. DE MENDONÇA em 16/06/2009:
Parabenizo a empresa pela iniciativa e maturidade de perceber que ser humano e trabalho andam juntos. Desde 2000 venho apontando para esta prática, porém falar de psicoterapia de grupo nas empresas sempre foi um tabu. Vocês conseguiram quebrar com este paradigma! O meu projeto de mestrado é dentro desta linha, se possível, eu gostaria de fazer contado com os responsáveis.

Elenara Bender Baís em 16/06/2009:
Sou Psicóloga do trabalho, consultora de RH em Campo Grande MS e carrego comigo a crença de que o Ser Humano e a Saúde Psico-emocional venha a ser cada vez mais reconhecida e valorizada no mundo do trabalho. Parabéns a Caio Induscar pela trabalho e bom exemplo, que se multiplique!

Luísa Guiomar A. Jorge em 12/06/2009:
Muitos Parabéns pela iniciativa! Para a empresa Caio Induscar e site RH, é muito bom saber que no mundo ultra/mega agitado que vivemos existe ações voltadas ao SER HUMANO! nosso maior bem organizacional, Ser pensante, que dá vida a nossa marca, à nossa empresa, à nossa sociedade! Sucesso a todos nós! Abraços afetuosos - Luísa Guiomar

José Munhoz Fernandes em 12/06/2009:
Sou professor do curso de Administração e ministro a disciplina RH. Exemplos como o PHE-Bem Estar da Caio precisam ser relatados em sala de aula como uma prática importante em gestão de pessoas. Como profissional de RH fico feliz por constatar que existem sim organizações que tem seus colaboradores como parceiros em seu negócio e acima de tudo os consideram como seres humanos por inteiro. Parabéns à Caio pelo estilo de gestão e pela equipe do rh.com por compartilhar casos como esse.

Valner Neves Machado em 11/06/2009:
Como técnico de segurança do trabalho de uma empresa alemã, tive oprtunidade de participar de um progrma similar (para funcionários que apresentassem mudança de comportamento devido ao uso de drogas ou desvios de conduta) Fiquei feliz em saber que empresa nacional tambem pensa em seu colaborador como o um bem precioso que precisa ser recuperado mantendo seu emprego e evitando que a familia sofra junto com o problema deste. Meus sinceros Parabéns e e essa prática seja difundida e praticada por mais empresas. Quem sabe não estamos vivenciando uma mudança de cultura no Brasil?

Camila Christina Sampaio da Silva em 10/06/2009:
Sou Psicologa Especialista em Administração de RH e Já havia pensado muitas vezes em fazer coisas do tipo nas empresas. As organizações em sua maioria não estão preocupadas com a saúde mental de seus colaboradores, temos que fazer algo para começar a mudar esse contexto. Parabêns a empresa.

Luciene Macêdo em 10/06/2009:
Parabéns a todos que fazem a empresa Caio Induscar por dar seguimento a um programa tão importante como este. E sabido que a “doença do século” são aquelas oriundas da mente, a qual muitas vezes são negligenciadas pelos nossos gestores e quando vamos perceber já estão muito adiantada colocando em risco até mesmo a continuidade da vida laboral e pessoal do trabalhador.

Maria Carlota Boabaid de Carvalho em 09/06/2009:
Parabéns à Caio Induscar. É um exemplo a ser seguido por nossas empresas. Muitos dos desvios comportamentais percebidos nos desempenhos profissionais, quiça, não seriam originados das desordens mentais, que grande parte das empresas preferem ignorar.

 
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