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16/11/2010
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Prevenção: a melhor arma contra acidentes

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Dormir ao volante um perigo que pode gerar sequelas graves e levar à morte. Hoje, observa-se que a preocupação com esse fato, presentes em todas as estradas brasileiras, não é restrita apenas aos que conduzem carros de passeio, mas também às empresas que têm nos veículos automotores o foco do negócio. Para se ter uma ideia um estudo realizado pelo Instituto do Sono, da Universidade Federal de São Paulo, apontou que 16% dos motoristas de ônibus já cochilaram enquanto conduziam o veículo. Os dados revelam, ainda, que condutores com doenças relacionadas à sonolência têm duas a três vezes mais chances de se envolverem em acidentes. Ou seja, mais uma vez a máxima de que volante e sono são uma péssima combinação.

Diante dessa realidade, as empresas de transportes de passageiros, Viação Águia Branca e Salutaris, instituíram o Programa Medicina do Sono. O resultado desse trabalho é que há dez anos não há registro de acidentes por sono, em suas 315 linhas de operações. De acordo com Klinger Sobreira, diretor de Operações da Viação Águia Branca e Salutaris, a partir da década de 90, quando a explosão do crescimento de automotores foi tornando as rodovias mais perigosas, a Águia Branca, consciente de sua responsabilidade em conduzir vidas humanas, intensificou ações objetivas no sentido prevenir acidentes de trânsito.

A primeira delas voltou-se para os motoristas, a partir de uma seleção rigorosa, com ênfase aos testes psicológicos e prática na direção-veicular em rodovias. Na sequência, foram realizados treinamentos contínuos, visando sedimentar uma consciência de direção defensiva. Em 1997, a companhia adotou os testes bafométricos em todas as garagens com tolerância-zero e se criou, então, uma teia preventiva, visando eliminar as vulnerabilidades no sistema. "Porém, temos horários predominantemente noturnos, uma questão, que não conseguíamos debelar, ficara em aberto: o sono. O ser humano é imponderável, acredita, mesmo alertado, que pode vencer um eventual sono estando no volante. Isto nos levou a discutir o problema com um especialista o Dr. Sérgio Barros. Da discussão do problema, nasceu, em 2000, o Programa da Medicina do Sono, empreendimento original e pioneiro no Brasil", conta Klinger Sobreira.

A Viação Águia Branca foi a primeira empresa fundada pelo Grupo Águia Branca e está no mercado de transporte de passageiros rodoviários há 64 anos. A empresa integra a Unidade Passageiros do Grupo Águia Branca, juntamente com a Viação Salutaris - incorporada à estrutura da Águia Branca - e a TRIP Linhas Aéreas. A sede da empresa fica em Campo Grande, Cariacica-ES. Pssui três Superintendências Regionais nos Estados do espírito Santo, Bahia e São Paulo, e mais 12 núcleos operacionais, comandados por gerentes. Cona com cerca de 3.700 colaboradores. Por ano, o faturamento anual da empresa é 290 milhões reais, e 11 milhões de passageiros são transportados. As viações Águia Branca e Salutaris possuem juntas uma frota de 836 veículos. As duas empresas atendem 315 linhas intermunicipais e interestaduais regulares de ônibus e percorre mais de 76 milhões de quilômetros.

Implantação do programa - Ao ser convidado para o desafio lutar contra o "sono" dos funcionários e com isso, evitar acidentes que ceifassem vidas humanas, o Dr. Sérgio Barros engajou-se de corpo e alma na estruturação do programa. A semente inicial foi lançada e teve o apoio de todo o corpo gerencial. As mensagens, seguidas de medidas objetivas, mostravam aos motoristas os propósitos do programa direcionados principalmente às melhorias de sua qualidade de vida no que tange à alimentação, jornada e repouso.

Em seguida, vieram as ações preventivas concretas. Os testes de vigília e fadiga, as salas de estimulação do alerta, a alimentação gratuita e adequada, a instalação dos laboratórios de polissonografia nas garagens localizadas nas cidades de Salvador, Campo Grande e Barão de Angra. "Os estados patológicos eram detectados e tratados. O motorista via a empresa assisti-lo e apoiá-lo no seu processo de recuperação. Hoje, o motorista, quando sente alguma disfunção de sono, busca diretamente o médico", enfatiza o diretor de Operações da Viação Águia Branca e Salutaris.

Vele destacar que a Assessoria de Medicina do Sono, coordenada pelo Dr. Sérgio Barros, está vinculada diretamente à Direção de Operações da Unidade de Passageiros, e atua de forma harmônica com a Gerência do SESMT/Segurança de Trânsito, estabelecendo-se uma grande malha preventiva. Ao ser indagado sobre a receptividade dos profissionais em relação ao programa, Klinger Sobreira afirma que as ações como, por exemplo, a mudança de hábitos alimentares tornaram-se parte da cultura da Águia Branca.

Ele enfatiza que os próprios motoristas, quando não se sentem bem, tomam a iniciativa de buscarem o Programa de Medicina do Sono. A iniciativa corporativa, por sua vez, acompanha todos os motoristas e caso surja alguma anormalidade nos profissionais, uma ação é imediatamente adotada. O interessante é que os próprios pacientes veem o programa como um benefício para eles e os paradigmas que poderiam servir de obstáculos são superados, através de um processo educativo que já dura mais de dez anos.

Dr. Sérgio Barros (centro) com os funcionários da Viação Águia Branca Salutaris

Viagens sem sono - Durante as viagens, os motoristas da Viação Águia Branca e Salutaris contam com pontos de apoio para se manterem "longe do sono", ou seja, eles têm acesso às Salas de Estimulação localizadas na Bahia: Ipirá, Santo Antônio de Jesus, Milagres e Eunapólis; no Espírito Santo: São Mateus; no Rio de Janeiro: Campos e Barão de Angra; na Minas Gerais: Fervedouro. Essas salas possuem uma iluminação poderosa - 5000 lux - inibidora da produção de melatonina, orientações para ginástica leve e bicicleta, além de fornecer uma alimentação adequada gratuita. Os motoristas, após 20 minutos, saem em condições revigoradas para prosseguimento da jornada. Klinger Sobreira afirma ao adotar essa política de prevenção e de qualidade de vida, a empresa está cumprindo sua responsabilidade social junto aos funcionários e aos clientes, bem como faz a sua parte para reduzir os acidentes nas estradas brasileiras.

Segundo avaliação realizada com os motoristas, o desempenho de quem frequenta as salas de estimulação melhora em até 80%. Outra ação desenvolvida nas salas é oferecer uma alimentação leve e saudável aos motoristas. Isso evita o jejum prolongado, como também o consumo de alimentos de difícil digestão, que podem contribuir para a sonolência e a fadiga excessiva. Ingredientes perigosos para quem precisa conduzir um veículo.

Mais saúde - Um fato contribui significativamente para o sucesso do Programa Medicina do Sono é sem dúvida alguma o fator mudança. Para isso, o Dr. Sérgio Barros acreditou em ações focadas para estimular nos motoristas a adotar hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos, para combater problemas como pressão alta, obesidade e índices elevados de colesterol no sangue. Esses fatores, se não tratados adequadamente, interferem na qualidade do sono e comprometem o desempenho dos profissionais nas estradas, aumentando os riscos de acidentes causados por sono ao volante cita o Dr. Sérgio Barros. Ele explica que o programa não pune o colaborador que possui distúrbios do sono, mas leva a pessoa ao tratamento de forma que seja curada e possa exercer sua profissão com mais segurança.

Também faz parte do Programa Medicina do Sono a realização de testes de avaliação do tempo de reação a um estímulo a que os motoristas são submetidos quando começam (vigília) e quando terminam a viagem (fadiga). Esses testes medem, por exemplo, o tempo de reação em segundos. Os resultados são armazenados em um banco de dados, onde cada motorista possui um histórico próprio. Isso permite detectar possíveis distúrbios e indicar se existe a necessidade de se fazer um tratamento e acompanhamento preventivo com cada um. Até o momento, o Programa Medicina do Sono já contou com um investimento da ordem de sete milhões de reais e em dez anos de existência consolidou: a realização de dois milhões de testes de vigília e fadiga; a instalação de 10 salas de estimulação do alerta e de três laboratórios do sono; uma média de 900 atendimentos a profissionais por ano; e 2,5 mil exames de polissonografia.

 

Palavras-chave: | Viação Águia Branca e Salutaris | Klinger Sobreira | Sérgio Barros | qualidade de vida no trabalho | Programa Medicina do Sono |

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COMENTÁRIOS (1)
Fábio Índio em 18/11/2010:
Ótimo assunto; esclarecedor; inovador. Com certeza pode ser adaptado a outros segmentos, como por exemplo, transporte de cargas, uma vez que a quantidade de pessoas expostas ao problema comentado é bem maior...

 
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