Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
Se antes as pessoas pensavam que garantir a integridade um cuidado restrito ao campo pessoal, hoje se observa que essa preocupação estendeu-se às organizações. Prova disso, são as constantes ações implantadas pelas empresas com foco na melhoria da qualidade de vida no trabalho. Nesse contexto, inclui-se a segurança dos profissionais frente às atividades laborais. Afinal, o grande patrimônio das corporações são as pessoas que fazem o diferencial.
Para se ter uma ideia sobre como esse assunto é relevante e que causa impacto tanto na esfera corporativa quanto na vida dos trabalhadores, em outubro de 2010, por exemplo, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Nacional) desembolsou cerca de 30 milhões de reais para pagamentos de benefícios acidentários. E os dados não são animadores. No período de 2007 a 2008, as notificações de acidentes no desempenho das funções cresceram 13,4%, passando de 659.523 registros para 747.663, segundo informações do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho, publicação conjunta dos ministérios da Previdência Social e do Trabalho e Emprego.
Em outubro de 2010 (dado mais recente disponível), o INSS pagou R$ 30 milhões em benefícios acidentários. No mesmo mês de 2009, o gasto foi de R$ 22 milhões. Apenas de 2007 a 2008 - último ano com dados recolhidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - as notificações de acidentes no desempenho das funções cresceram 13,4%, passando de 659.523 registros para 747.663, segundo informações do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho, publicação conjunta dos ministérios da Previdência Social e do Trabalho e Emprego.
Na Rio Deserto - empresa localizada no Sul do Estado de Santa Catarina, com negócios direcionados para extração de carvão mineral, indústria carbonífera, florestamento e reflorestamento, metalurgia, agronegócio - ocorreu uma verdadeira guinada para acompanhar a evolução e a tendência mundial em melhorar o desempenho e a segurança na mineração. Hoje, a companhia emprega cerca de 600 profissionais.
Nesse sentido, foi implantado o Programa Gestão de Riscos com foco na mudança comportamental dos profissionais, sendo desconstruídos paradigmas antigos que já não mais se adequavam mais às modernas práticas de gestão. Em decorrência disso, criaram-se novos modelos de concepção, participação e responsabilidades, como também foram adotados novos procedimentos adequados à realidade da empresa.
Segundo Rosimeri Venâncio Redivo, engenheira responsável pela coordenação do Sistema Integrado de Gestão, essa postura foi instituída quando a companhia identificou a necessidade de integrar qualidade, meio ambiente e segurança/saúde do trabalhador. "Essa ação foi integrada a uma visão de responsabilidade social, aliada ao propósito de cumprir sua política de gestão, onde o atendimento à legislação aplicável e à adoção de procedimentos para a prevenção e a redução de lesões, acidentes e doenças ocupacionais passa de obrigação ao valor agregado", complementa.
Como em todos os projetos implantados pela Rio Deserto, a área de Treinamento e Desenvolvimento participa de forma estratégica, fornecendo as diretrizes para que o programa siga as linhas estabelecidas. Nesse caso específico, a empresa está utilizando todos os encontros e, principalmente, o Momento da Segurança - programa já estabelecido em todas as unidades, onde a cada semana, durante 15 minutos, os colaboradores reúnem-se para discutir questões referentes à Segurança no Trabalho - para difundir e internalizar em cada colaborador essa nova perspectiva e abordagem.
É relevante destacar que o programa iniciou com o comprometimento da alta direção da Rio Deserto, passando pelos níveis de gerências, supervisão, lideranças, até alcançar a todos os colaboradores, pois do engajamento de todos, depende o sucesso do programa. "Ao desenvolvermos esse trabalho, tivemos o objetivo de criar a consciência sobre riscos, sempre se maneira integral. Na sequência a prioridade foi atuar de forma sistemática sempre com o foco na eliminação dos riscos inaceitáveis e na redução dos riscos aceitáveis, implementando medidas específicas, em função do nível de criticidade que a atividade do trabalhador acontecerá", explica Rosimeri Venâncio Redivo.
Quebra de paradigmas - É importante destacar que um sistema de gestão na área de segurança no trabalho vai além dos requerimentos exigidos em outros setores, como qualidade e ou ambiental. Isso porque o comportamento dos profissionais torna-se o elemento mais importante em questão. O primeiro passo para que o Programa Gestão de Risco tivesse êxito, passou a concentrar-se logo no treinamento admissional, onde 80% dos ensinamentos estão voltados para a segurança. Depois, a empresa tonou o cuidado em identificar os colaboradores que se encontravam em alto nível de motivação, para que esses pudessem tornar-se propagadores do programa. A terceira fase foi a implementação de alteração em algumas rotinas de trabalho, onde a supervisão imediata participa passou a atuar ativamente.
Resistências às mudanças - Como o Programa Gestão de Riscos mexeu muito com o lado comportamental dos funcionários e os estimulou a saírem da zona de conforto, a empresa observou certa resistência. Porém, como a questão em pauta é a saúde e segurança dos próprios trabalhadores, isso tem sido trabalhado com muita evidência. "Hoje, o nível de conscientização tornou-se satisfatório, pois o maior beneficiário de todas as ações do programa é o colaborador, que está exposto aos riscos inerentes, principalmente os que trabalham na mineração", sintetiza a coordenadora do Sistema Integrado de Gestão.
Participação das lideranças - Para a direção da Rio Deserto, as lideranças são capazes de transformarem os ideais em realidade. Então, automaticamente o sucesso ou o fracasso de uma ação passará também pelas mãos dos gestores. Diante disso, a companhia tem a constante preocupação de investir continuamente na formação das lideranças que surgem no próprio contexto de trabalho em preferência à contratação externa. Isso, por sua vez, motiva o engajamento e o comprometimento dos profissionais, ao mesmo tem em que ocorrem oportunidades de ascensão dentro da própria companhia.
Pra reforçar a divulgação do programa, além das ações da área de T&D e da contribuição efetiva dos líderes, a Rio Deserto também contou com os canais de comunicação interna como, por exemplo, jornal interno, intranet, newsletter, e-mails institucionais, entre outros.
Como em qualquer investimento realizado, a empresa precisa mensurar os resultados obtidos a partir da iniciativa. Para isso, Rosimeri Venâncio Redivo explica que a Rio Deserto optou pela realização de inspeções, comunicações de incidentes, análises de riscos efetuadas, registros e análises de acidentes, índices de afastamento por acidente de trabalho, horas de treinamento por colaborador entre outros indicadores.
Quando indagada sobre os benefícios gerados pelo Programa Gestão de Risco, ela destaca primeiramente a consciência do trabalhador de que a empresa está empenhada e que assumiu um compromisso em preservar saúde e segurança dos funcionários. "É evidente que todo acidente evitado gera lucro para todas as partes, colaboradores, empresa, INSS, o Brasil, mas principalmente para as famílias, que dependem da integridade de seus membros para sua subsistência e bem-estar. Para isso e por isso, abraçamos, mais uma vez, uma causa nobre", finaliza.
Palavras-chave: | Rio Deserto | Rosimeri Venâncio Redivo | qualidade de vida no trabalho |
Seja o primeiro, clique no ícone disponível logo acima e faça seus comentários. 


