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06/07/2010
RH » Recrutamento e Seleção » Artigo Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Excesso de qualificação exigida nos processos de seleção

Por Alcides Ferri para o RH.com.br

É bem verdade que o aumento da competitividade e globalização faz com que as empresas busquem cada vez mais pessoas preparadas para enfrentar os desafios da profissão e que agreguem maior conteúdo à equipe a qual estarão inseridas. Porém, eventualmente, algumas empresas adotam formas de seleção agressivas, onde o candidato tem que ser líder, saber trabalhar em equipe, saber relacionar-se, ser eficiente, falar vários idiomas, conhecer diferentes culturas, ter inúmeros diplomas, MBA, PhD, ser jovem (mas, ter experiência) ter morado fora do país, ser isso, ser aquilo... A verdadeira "Síndrome do Super-Homem". Isso só contribui para afastar pessoas promissoras. Entendo que tantas exigências - na vida profissional e até pessoal - causam essa dita super qualificação, que ninguém pode suprir.

Penso que esse descompasso entre o profissional ideal (Super-Homem) e as pessoas de carne e osso deve ser repensado, ou seja, não há problema em buscar o profissional ideal, é até muito natural e saudável que nos miremos nele como exemplo. Mas, assim como é estéril o amor platônico entre adolescentes românticas e seus astros de cinema preferidos, será improdutivo uma empresa esperar o profissional polivalente e ultra-eficiente. A despeito de um "Super-Homem" o importante é focar aquele cujas competências realmente interessam para aquele cargo e aquela empresa.

Peter Drucker já alertava que a contratação de um colaborador é uma das atividades gerenciais mais importantes - e também uma das mais negligenciadas. Portanto, o sucesso por trás de qualquer processo de seleção depende do conhecimento sobre os requisitos e as competências necessárias para o cargo ao qual se está selecionando candidatos.

Outro aspecto que eu gostaria de abordar, dentro deste escopo, é a reportagem apresentada pelo Programa Fantástico (TV Globo) que mostrou uma diarista na esperança de um emprego formal, com carteira assinada, acabar em decepção. Ela foi rejeitada por um frigorífico. A justificativa do empregador: "Você está muito gorda e daí pode dá problema para a firma se você entrar aqui", contou a profissional.

la entrou com um processo na Justiça do Trabalho e ganhou uma indenização de 5 mil reais. Na época, em maio de 2008, ela pesava 79 quilos, mas tinha um Índice de Massa Corporal (IMC) superior ao que a empresa tolerava que era de 35. Ela tinha 37,8.

Se por um lado os mais inflamados revoltam-se e levantam suas bandeiras contra a discriminação, por outro lado as empresas munem-se de argumentos para defender seus motivos para estas restrições. Isto é seleção ou discriminação? Vejo uma linha muito tênue que separa a real necessidade de determinado perfil à discriminação e, nestes, creio que o profissional que se propõe a trabalhar pelas pessoas tem a obrigação ética de atuar realmente como um agende de mudanças dentro da organização.

Que os profissionais de Recursos Humanos fiquem cada vez mais atentos ao selecionar candidatos. Que façam exercícios constantes para se despir de quaisquer pré-julgamentos para não dispensar verdadeiros talentos. Que não julguem uma pessoa pelo rótulo e nem impeçam a chance a quem aparentemente está fora do perfil de qualquer que seja a função.

 

Palavras-chave: | recrutamento | seleção |

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COMENTÁRIOS (6)
Jair de Oliveira em 20/10/2011:
Alcides, hoje vi seu artigo sobre Steve Jobs e aproveitei para explorar este. Dez. Parabéns.

Mirian em 27/01/2011:
Adorei. Concordo plenamente. Em busca de profissionais imaginários, não se observam o que realmente importa, que são as competências reais para o cargo.

Paula Cristina em 19/10/2010:
Vale também ressaltar que muitos candidatos deixam a desejar no processo seletivo, pelo simples fato de omitir a verdade de sua personalidade. Até fazem o melhor durante a entrevista, mas quando estão trabalhando, mostram-se verdadeiros perigos para a empresa.

Andréia Santos em 31/08/2010:
Ótima esta matéria. Estou buscando uma nova colocação no mercado de trabalho e estou surpresa com tantas exigências e baixo salário. Está exigindo muito e pouco está sendo dado, principalmente, para profissionais recém-formados. Grata. Andréia Guarulhos

Rosi em 29/07/2010:
Sr. Alcides Ferri, Achei pertinente sua colocação, pois observo muitas vezes, falta de preparo dos recrutadores na hora de buscar um profissional. Não negociam uma linha do perfil traçado pelo solicitante da vaga. Na verdade, penso que a maioria do pessoal de R.H das empresas gostam muito de teoria, a prática é bem diferente. Abraço,

Cleide Aquino em 12/07/2010:
Prezado, Concordo com que você falou, pois o profissional ideal está longe do real. Claro que existem muitos talentos, e nós selecionadores devemos nos atentar ao diferencial daquele candidato e sua "química" e o que pode acrescentar na empresa solicitante. Selecionar apenas dentro destes padrões globais é ser limitado e preconceituoso, pois lidar com ser humano singular e subjetivo, requer muita habilidade e percepção, sem pré julgamentos.

 
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